10 fatos sobre a ração seca para pets

Entenda o que é verdade e o que não é sobre o alimento seco

Foto: Fran Rodriguez/iStock

Nos últimos 30 anos a ração popularizou-se entre os donos de pets e tem se tornado o principal alimento de cães e gatos no Brasil e no mundo. Porém, ainda existem alguns mitos e dúvidas que rondam este tipo de alimentação. A seguir, confira alguns fatos sobre a ração seca e entenda mais sobre seus benefícios para os pets.

1. CONCENTRAÇÃO CALÓRICA
Algumas pessoas acreditam que a ração causa obesidade em pets por ela ter uma maior concentração calórica, porém, isto não é real. “A obesidade é caracterizada pelo aumento da gordura corporal devido ao desequilíbrio entre ingestão e o gasto energético do pet.  Ela pode ter diferentes causas, mas é importante ressaltar que uma alimentação balanceada, na quantidade recomendada é a chave para evitar que o pet fique em sobrepeso e/ou obesidade. Para evitar o ganho de peso é importante calcular a quantidade ideal de alimento diário, levando-se em consideração a energia metabolizável do alimento, a idade e o peso do pet. Além disso, existem alimentos lights que são ricos em fibras, com menos calorias e com ingredientes funcionais que contribuem para a manutenção do peso ideal”, aponta Kelly Carreiro, médica-veterinária da Special Dog Company.
“Não há uma contribuição direta da ração seca com o ganho de peso, isso porque a obesidade está relacionada ao consumo de calorias maior do que o pet precisa – ou seja, o cão ou gato poderá ganhar peso independentemente do tipo de alimento (ração seca, úmida ou dieta caseira) oferecido a ele, desde que esse seja oferecido em uma quantidade maior do que o necessário”, enfatiza Gustavo Quirino, médico-veterinário da Adimax, que ainda acrescenta:  “para evitar o ganho de peso é preciso fornecer a quantidade ideal de alimento ao pet. Para isso, é possível consultar o médico-veterinário para uma orientação mais personalizada ou consultar a tabela de sugestão de quantidade diária presente no verso das embalagens dos alimentos para cães e gatos”.

2. ESCOLHA DA MELHOR RAÇÃO
Kelly explica que no mercado pet food existem três principais categorias de alimentos para pets: standard, premium, premium especial e super premium, sendo que a terceira se destaca por ser a categoria de maior qualidade. “Porém, não é somente esta classificação que dita a qualidade do alimento. É importante verificar a composição básica do produto, observando os ingredientes utilizados e os níveis de garantia, para entender todo o balanço de nutrientes que esse alimento oferece. Outro ponto essencial é escolher a alimentação correta. O médico-veterinário do seu pet é o profissional capacitado para indicar o alimento ideal de acordo com a necessidade de cada animal”, destaca.
“A categoria de alimento super premium engloba rações produzidas com ingredientes de fácil digestão e alto aproveitamento, sendo mais concentrados nutricionalmente, o que se traduz em menor consumo, menor volume de fezes e alta palatabilidade. Esses alimentos geralmente possuem ingredientes com intuito de gerar benefícios adicionais à nutrição convencional, os chamados ingredientes funcionais: são componentes fisiologicamente ativos que visam cuidados preventivos e promoção da saúde”, acrescenta Gustavo.  Ainda segundo ele, avaliar a idoneidade da marca é outro fator que os tutores podem ficar atentos. “É importante sempre buscar as rações de empresas idôneas, que submetem seus produtos a processos de fabricação com rigorosos controles de qualidade, a fim de gerar um alimento seguro e de alta qualidade para os pets. Existem certificações internacionais, como a ISO 22000, que atestam se, de fato, a fabricante segue os requisitos necessários para segurança dos alimentos”, acrescenta.

3. MELHORA DA SAÚDE BUCAL
Segundo a médica-veterinária Deise Silva Alberto, um estudo internacional com mais de 17 mil cães e 6 mil gatos em 700 clínicas veterinárias na Polônia trouxe novas informações e insights sobre os benefícios dos alimentos secos para a saúde bucal dos animais. “A pesquisa, conduzida pela Mars Petcare Polande pelo WALTHAM Center for Pet Nutrition, em parceria com a Associação Polonesa de Veterinários de Pequenos Animais, revelou que os alimentos secos são bastante eficazes no que diz respeito aos benefícios para saúde oral dos pets. A Dra. Catherine Buckley, cientista de WALTHA Me uma das autoras do estudo, destacou que a doença gengival é uma das condições bucais mais comuns em cães e gatos, variando de gengivite leve a perda dentária severa, e enfatizou que tanto a dieta quanto a higiene são cruciais para a manutenção da saúde oral dos animais”, diz Deise.

Foto: adogslifephoto/iStock
Não há uma contribuição direta da ração seca com o ganho de peso, isso porque,
a obesidade está relacionada ao consumo de calorias maior do que o pet precisa

4. RAÇÃO NÃO DEVE FICAR DISPONÍVEL
Outro ponto relevante sobre as rações é que elas não devem ficar disponíveis para o cão durante o dia todo. Deise explica que um estudo realizado pelo WALTHAM Center for Pet Nutrition, em colaboração com a Universidade de Sydney e o Instituto de Ciências Naturais da Massey University, explorou o comportamento alimentar natural dos cães e foi observado que alguns deles podem comer em excesso quando têm acesso ilimitado aos alimentos, consumindo mais do que o dobro das calorias necessárias. A pesquisa envolveu cinco raças diferentes (Papillon, Schnauzer Miniatura, Cocker Spaniel, Labrador e São Bernardo). “O Dr. Adrian Hewson-Hughes, consultor de Nutrição, Segurança Alimentar e Inovação e autor da pesquisa, comentou que esse comportamento reflete a estratégia de alimentação dos ancestrais selvagens dos cães, que enfrentavam competição por recursos e acesso irregular à comida. Como os cães domésticos de hoje têm acesso constante à comida e um estilo de vida mais sedentário, é de extrema importância o controle de ingestão calórica dos animais, e a alimentação industrializada pode ser um grande aliado se utilizada da forma correta, seguindo os guias nutricionais e recomendação veterinária”, acrescenta Deise.

5. ALIMENTO BALANCEADO
A escolha do alimento seco correto para cada pet deve ser baseada nas necessidades individuais de cada animal e nas recomendações de um médico-veterinário, que levará em consideração fatores como idade, peso, condição de saúde e preferências alimentares do animal. “A alimentação seca de alta qualidade, completa e balanceada, proporciona inúmeros benefícios à saúde dos animais de estimação. Ao oferecer uma alimentação ao cão ou gato é importante levar em consideração todas as suas particularidades e oferecer o alimento destinado à sua espécie, porte e idade. Os alimentos são formulados pensando nas necessidades nutricionais de cada animal, e cada vez mais temos encontrado alimentos mais específicos no mercado pet food”, aponta Kelly.

6. BAIXA QUANTIDADE DE ÁGUA
Um dos mitos comuns sobre o alimento seco é a preocupação com a quantidade de água que ele contém em comparação com a ração úmida, aponta Deise. Embora seja verdade que o alimento seco tem menor teor de água, a veterinária explica que é perfeitamente possível que os pets mantenham a hidratação adequada desde que tenham acesso constante a água fresca e limpa.

7. PRATICIDADE DO ALIMENTO
Um benefício significativo do alimento seco é sua longa vida útil, o que facilita o armazenamento e manipulação. “Os alimentos secos, além de nutrirem e atenderem às necessidades dos pets, também oferecem benefícios como: praticidade para armazenar, servir, transportar e controlar a quantidade correta de oferta”, acrescenta Kelly.

Cão: Radionphoto/iStock
O mockup da embalagem: realstockvector/iStock

8. EVITE CONTAMINAÇÕES
“É essencial armazenar a ração em um local fresco e seco, e sempre manter o saco bem fechado. Práticas adequadas de armazenamento ajudam a preservar a qualidade dos nutrientes e a prevenir possíveis contaminações”, destaca Deise. “O alimento seco pode sofrer contaminação, principalmente por pragas ou até mesmo por algum agente microbiológico. Para evitar a contaminação é importante manter sempre o alimento em sua embalagem original, fechado corretamente, longe de umidade e de altas temperaturas, e manter longe do chão ou parede. Caso seja possível, armazene o pacote dentro de outro recipiente devidamente fechado”, reforça Kelly.
Gustavo lista outros cuidados para evitar contaminações: “dê preferência para manter o produto na embalagem original, bem fechada, pois as embalagens de alimentos para cães e gatos são projetadas com diferentes camadas que atuam como barreiras impedindo a passagem de oxigênio e da luz, ajudando a manter o frescor e sabor do produto; limpe diariamente o pote de ração e descarte eventuais sobras, pois o alimento, quando exposto por muito tempo no pote de ração, pode oxidar, perdendo sua textura, aroma e seu valor nutricional – por isso, é comum que muitos pets cheguem a recusar alimentos que estão há muito tempo no pote. Além disso, a presença do alimento no pote por muito tempo pode ser um atrativo para pragas que podem contaminá-lo e o tornem impróprio para consumo”.

9. RAÇÃO TEM MUITO SÓDIO?
Mito! Kelly explica que o sódio é um mineral essencial para cães e gatos, e sua inclusão na dieta é extremamente importante tanto para as reações do organismo como para aumentar a ingestão hídrica (estimular o pet a beber água). “O sódio sozinho não é o causador dos cálculos (pedras) em cães e gatos. A principal causa de formação de urólitos é a supersaturação urinária, quando a urina fica muito concentrada com vários minerais ou produtos de formação, sendo um local apropriado para a formação dos urólitos. Há outras causas, como predisposição racial, de sexo, infecções urinárias, alteração no pH da urina e muitas outras”, explica a veterinária.

10. RAÇÃO PRECISA SER SUPLEMENTADA?
Não! Gustavo explica que é mito acreditar que um alimento completo e balanceado como a ração seca precisa ser suplementado com vitaminas e minerais, principalmente quando o animal é filhote e de raça grande. “Nesses casos, quando fornecida a ração indicada para aquela fase de vida e na quantidade ideal, não existe qualquer necessidade de suplementação – inclusive, fornecer mais vitaminas e minerais pode prejudicar o crescimento, causando alterações graves que podem comprometer a saúde do pet. Um exemplo é a suplementação de cálcio para cães filhotes que já consomem a ração seca para filhote na quantidade ideal. Fornecer uma quantia a mais desse mineral pode atrapalhar no crescimento ósseo, levando ao desenvolvimento de doenças como osteocondrose, síndrome do rádio curvo, achinelamento do carpo, displasia coxo femoral e displasia de cotovelo. Além de causar muita dor, muitas dessas alterações não têm cura, comprometendo a vida toda do animal”, alerta.

Nossos agradecimentos:

Deise Alberto
Médica-veterinária formada pela Universidade Federal de Viçosa. Há mais de 10 anos inserida no universo de animais de companhia, já atuou com atendimento clínico, representação comercial, treinamentos e atualmente ocupa o cargo de coordenadora de Trade Marketing Canal Especialista na Mars PetNutrition.

Gustavo Quirino
Médico-veterinário pela Unesp/Botucatu e pós-graduado em Educomunicação pela Anhembi Morumbi. Atua como analista de treinamento técnico na Adimax, ministrando treinamentos para equipes internas, veterinários, criadores e lojistas. Contribui para a produção e revisão de materiais e artigos técnico-comerciais.

Kelly Carreiro
Médica-veterinária da Special Dog Company

Por Samia Malas

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