Rastreador Brasileiro: reconhecido pela FCI

Rastreador Mentor RB do Mundurucânia com Marcus Túlio – Foto: Arquivo de Marcus Túlio Costa

O sentimento agora é de fazer a raça crescer para a exposição mundial que ocorrerá no Brasil em 2022

Pouco mais de seis meses após ter sido novamente aceito pela Federação Cinológica Internacional (FCI), o Rastreador Brasileiro já se tornou mais conhecido pelas pessoas em geral. “O reconhecimento internacional foi amplamente noticiado no meio cinófilo, a FCI emitiu um comunicado global, e a Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC) tem feito uma grande divulgação por meio de publicações. Além disso, mais assuntos referentes à raça vêm sendo postados nas redes sociais”, conta Marcus Túlio Costa, do canil amazonense Mundurucânia. “Já observo um maior interesse tanto de criadores de outros cães como de pessoas não ligadas à cinofilia oficial, que procuram informações por curiosidade ou mesmo querendo criar de fato a raça”, completa ele, que é secretário do Grupo de Aprimoramento da Raça Rastreador Brasileiro (GARRB).

Marcus estima que existam hoje no Brasil cerca de 10 canis que lidam com o Rastreador, distribuídos em nove estados. “O Amazonas conta com o maior número de criadores e cães registrados, seguido de São Paulo, Roraima, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Acre, Tocantins, Goiás e Rondônia”, diz o criador. 

Fêmea de Rastreador Pity RB do Mundurucânia com sua proprietária, Heloisa Carvalho, do canil Wookie – Foto: Thabia Padoin

De acordo com o Relatório de Atividades Cinófilas da CBKC de 2020, foram emitidos para cães da raça 25 registros pelo Amazonas Kennel Clube, 12 pelo Kenel Clube São Paulo, nove pelo Kennel Clube de Roraima e sete pelo Kennel Clube Fluminense. “Houve também sete Rastreadores de Minas Gerais registrados e seis registros iniciais”, informa o tesoureiro do GARBB, Gilson Macedo, do canil paulistano Águas do Itacaré. 

{PAWAYLL_INICIO}Desde 2012, 302 exemplares receberam pedigrees da CBKC, 66 deles em 2020. “A pandemia foi um fator que pode ter atrapalhado um pouco, e estou otimista que já em 2021 possamos ter números melhores: a meta é duplicar os registros, e lembro que no GARRB eles são gratuitos e na CBKC tem 50% de desconto”, diz Marcus. Ele atenta para uma inverdade que vem sendo divulgada: algumas pessoas informam que a raça é exclusiva para o meio rural. “Isso está errado, ela pode ser mantida em área urbana e espero que logo o Rastreador Brasileiro ganhe o gosto desse público e seja bastante criado nas cidades também”, afirma o criador. 

Marcus relata que, nos últimos meses, foi procurado por pelo menos cinco pessoas com perfil para criação. “E alguns canis militares também passaram a utilizar cães da raça no trabalho: como buscaram machos e fêmeas, acredito que com objetivo de reprodução”, explica. “Desde janeiro de 2021, seis pessoas adquiriram filhotes do meu canil, mais interessadas na funcionalidade dos cães do que para a criação da raça em si”, comenta Ivan Luis Gomes, do canil Serra da Canastra, de Sacramento, MG. “Dois filhotes foram para o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, um para o canil da Penitenciária de Andradina, SP, dois para controle de praga invasora em Divinópolis, MG, um para o controle de javali em Monte Carmelo, MG, e outros ficaram aqui na cidade para trabalharem no controle de javali”, completa.

Interesse gringo

Filhotes de Rastreador nas cores tricolor (branco e preto com fulvo na cabeça) e brancos com manchas fulvas – Foto: Renata Souza/Criador dos cães: canil Serra da Canastra

“Tenho alguns contatos no exterior que acham a raça bem interessante, principalmente os norte-americanos. As conversas mais distantes que tive foram da Alemanha e da Nova Caledônia, perto da Austrália”, relata Ivan. Já Marcus sabe de alguns árbitros estrangeiros que, após o reconhecimento, buscaram informações referentes ao Rastreador. “E um amigo meu brasileiro, que mora em Portugal, quer levar a raça para lá, além de um criador da Romênia que também manifestou interesse”, conta.

Segunda aceitação

No passado, o Rastreador Brasileiro já esteve no rol das raças reconhecidas pela FCI, mas em 1973 ele foi dado como extinto: o plantel, até então concentrado no canil de Oswaldo Aranha Filho, idealizador da raça, foi dizimado. O próprio Oswaldo explicou, na edição 235 de Cães & Cia, de dezembro de 1998, que “eles morreram em decorrência de uma epidemia de piroplasmose, causada por carrapatos, e intoxicados com excesso de inseticida contra carrapatos, aplicado por um funcionário”. Somente no final da década de 1990 surgiram notícias de espécimes remanescentes, descendentes de machos doados por Oswaldo a amigos durante o aprimoramento do Rastreador. “Considero que o resgate da raça foi concluído no final de 2012, quando a CBKC passou a reconhecê-la e registrá-la”, comenta Marcus. 

Exemplar mosqueado preto e branco, com um efeito de cor azul ardósia, com manchas pretas em algumas partes do corpo – Foto: Ivan Luis Gomes/Nome do cão: Dianna da Serra da Canastra

Foram a CBKC e o GARRB que tomaram a iniciativa para reintegrar o Rastreador na lista de cães reconhecidos pela FCI, não como raça nova, pois ela já havia sido reconhecida outrora. Destacaram-se na empreitada, além de Marcus, o atual presidente da CBKC, Fabio Amorim, Victor Jones e Janott Coelho, respectivamente presidente e vice-presidente do GARRB. Foram meses de trabalho coletando vídeos e imagens e reunindo juízes para comparar padrões antigos e novos, entre outros: o material então foi enviado a FCI. “As nossas Comissões Científicas e de Padrões, baseadas nas informações que obtiveram, consideraram que as linhagens foram revividas a contento, que o tamanho da população é suficiente e que a raça ganhou novamente estabilidade, homogeneidade, bom temperamento e saúde. Com isso, recomendaram a reintegração do Rastreador Brasileiro diretamente na lista de raças reconhecidas em definitivo, o que o comitê geral da FCI aceitou”, resume o diretor-executivo da FCI, Yves De Clercq. Ele menciona ainda que há precedentes na história da FCI: “o Bouvier des Ardennes e o Canadian Eskimo foram tratados da mesma maneira”.

Idealmente, os machos da raça devem ter de 60 a 65 cm de altura e de 26 a 33 kg; já as fêmeas, de 56 a 63 cm e de 21 a 30 kg – Foto: Arquivo de Marcus Túlio Costa/Proprietário: Marcus Vinícius/Cão: Frodo das Águas de Itacaré

O GARRB contribuiu bastante para o parecer da FCI. “Incentivamos a criação organizada e oficial, ajudamos e orientamos os criadores a sempre buscarem ajustar os Rastreadores fisicamente e comportamentalmente dentro do padrão. E seguimos mantendo o livro de registros, o primeiro aberto para a raça no País, emitindo pedigrees para todos os Rastreadores que sejam também registrados na CBKC”, conta Marcus. Ele comenta também que a troca constante de cães entre os canis não deixou que exemplares muito diferentes da raça fossem gerados. “Assim, o tipo e o temperamento são praticamente os mesmos entre os criadores atualmente”, diz.

Marcus explica ainda que o atual padrão da raça da FCI praticamente não sofreu mudanças em relação ao que vinha sendo adotado pela CBKC. “As modificações foram sutis, sempre priorizando o que o Oswaldo idealizou, e por esse motivo grande parte dos criadores não precisou se ajustar muito”, diz ele. Gilson relata que, em janeiro de 2016, Victor conseguiu o contato de Ângela Aranha, filha de Oswaldo. “Fiz amizade com ela, que passou várias informações e material fotográfico sobre a raça”, diz Gilson. Marcus comenta sobre a grande satisfação de poder fazer renascer na família Aranha o amor pela raça: “foi uma grande alegria ter doado, junto com a CBKC, uma filhote fêmea para a Ângela. Ela havia comentado que, após contar a história da raça para filhos e netos, a família passou a ter o desejo de adquirir um Rastreador e voltar a criar”.

 

Por: Fabio Bense

Associação:

GRUPO DE APRIMORAMENTO DA RAÇA RASTREADOR BRASILEIRO – 

www.rastreadorbrasileiro.com.br

E-mail: adm.garrb@gmail.com

Agradecimento:

GILSON MACEDO, canil Águas de Itacaré – (11) 98257-5725, ou 97457-5028 – E-mail: gilgarrb@gmail.com

IVAN LUÍS GOMES, canil Serra da Canastra – (34) 99264-7245, Facebook: Canil Serra da Canastra, YouTube: Canil Serra da Canastra, Instagram: @canilserradacanastra

MARCUS TÚLIO COSTA, canil Mundurucânia – (92) 99189-1674, marcustcosta@yahoo.com.br, Facebook: Marcus Tulio Costa, Instagram: @marcustuliocosta

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