Primos do Golden: raros, mas muito fofos

Aproveite para conhecer agora quatro retrievers pouco conhecidos: o Nova Escócia Duck Tolling, o Chesapeake Bay, o Curly Coated e o Flat Coated

Arquivo canil Starway Kennels

Das seis raças reconhecidas como retrievers pela Federação Cinológica Internacional (FCI), duas você certamente conhece bem: o Golden Retriever e o Labrador. Que tal saber um pouco mais sobre os outros quatro retrievers aceitos pela FCI, que poucos felizardos tiverem oportunidade de ver ao vivo? Assim como seus primos, eles são entusiastas e vivazes, têm bom faro, gosto pela natação, facilidade para buscar na terra e na água e se destacam pela aptidão para o adestramento.

Retriever da Nova Escócia Duck Tolling

Arquivo canil Starway Kennels

Este cão surgiu para atrair patos. É isso o que significa o duck tolling presente no nome da raça. Uma de suas funções era pular e brincar ao longo da margem do lago, aparecendo e desaparecendo do campo de visão de um bando de patos. As aves, movidas pela curiosidade, aproximavam-se da margem do lago e ficavam ao alcance dos tiros do caçador.
Curiosamente, a estratégia não foi invenção humana. Deve ser creditada às raposas da região de Little River Harbour, no condado de Yarmouth, em Nova Escócia, Canadá. Em estado selvagem, uma raposa brinca ao lado da margem para atrair aves aquáticas. As aves ficam curiosas ao vê-la aparecer e desaparecer e se aproximam tornando-se presas fáceis para a raposa. Imagina-se que a cor vermelha desses canídeos com alguns detalhes brancos, como a ponta da cauda, ajudava a deixar os patos curiosos.
Há registro dessa prática com cães desde meados do século 17, segundo informa o Nova Scotia Duck Tolling Retriever Club, dos Estados Unidos, em seu site. O caçador ficava escondido próximo a um lago e fazia o cão buscar e trazer objeto arremessado de forma a fazer o animal correr, pular, aparecer e desaparecer do campo de visão dos patos.
O desenvolvimento do Nova Escócia Duck Tolling como é conhecido hoje só começou por volta do início do século 19. Diferentes cães foram cruzados até chegar a essa raça que precisa adorar brincar de apanhar objetos, se parecer com raposa vermelha e buscar patos abatidos nadando nas águas muito geladas da região de origem.

Arquivo canil Starway Kennels

E assim é o Nova Escócia, com sua pelagem vermelha ou laranja, com, de preferência, pelo menos uma marcação branca, que pode estar na ponta da cauda, nas patas, no peito ou numa listra na testa. Até o tamanho procura se aproximar ao da raposa. O Nova Escócia é o menor dos retrievers, o único de porte médio (o macho mede de 48 a 51 centímetros de altura). Os pelos espessos e de comprimento moderado evitam o contato da água com a pele. 

Temperamento

Para desenvolver suas funções, o Nova Escócia precisa de muita energia e disposição, além de laços fortes de companheirismo com seu parceiro humano.
Quase sempre balançando a cauda fofa, esse cão tenta frequentemente envolver todos ao seu redor para brincar. Repleto de energia e entusiasmo e hábil nadador, o Duck Tolling requer uma rotina intensa de exercícios físicos e mentais. “É preciso passear com ele pelo menos duas horas por dia, bem como entretê-lo com brincadeiras e jogos mentais, já que é inteligente e gosta de aprender”, diz a criadora Chelsea Raine, do canil Starway Kennels, de Lake Country, Canadá. Apesar de esse cão preferir espaços maiores, se for devidamente exercitado e não ficar entediado, pode viver tranquilamente em apartamento.
Desde pequeno, o Nova Escócia tem forte tendência a investigar objetos com a boca. “Não costuma perder a oportunidade de se entreter com os objetos que encontra”, comenta Chelsea. “Desde um par de meias até um pedaço de papel interessam para ele e poderão ser destruídos com os dentes.” Por isso, recomenda-se oferecer uma grande variedade de brinquedos mastigáveis para ele ter com o que se ocupar e, ao mesmo tempo, procurar inibir o hábito de morder.
“O Duck Tolling é muito amoroso e ótima companhia para famílias ativas”, define a criadora.
Expressivo, esse cão se destaca pela facilidade de comunicação com os donos, seja por expressão corporal seja com vocalizações. Quando excitado, pode emitir um latido característico: agudo, frenético e alto. “Soa como se ele estivesse sofrendo, mas é de animação”, ressalta Chelsea. “Apesar disso, se for preciso aprende facilmente a ficar quieto nas caçadas.”
É paciente com crianças, bom cão de alarme, mas não se destaca na guarda: em pouco tempo se torna sociável com as pessoas. Convive bem com cães e gatos se for devidamente socializado.

Cuidados Básicos:  Gosta de rolar e brincar na terra, o que pode requerer banhos frequentes. Convém escová-lo pelo menos uma vez por semana. 

Chesapeake Retriever

Arquivo do Irish’s Cover Leaf Kennel

Originário da baía norte-americana de Chesapeake, desembocadouro de mais de 150 rios e maior estuário dos Estados Unidos, esse cão foi desenvolvido para ser um supercaçador. Sua principal função: enfrentar as mais adversas condições de clima e água para buscar aves aquáticas abatidas. Encarar o vento e a correnteza, nadar em águas frias e até mesmo quebrar gelo eram desafios frequentes mencionados no padrão da raça.
De grande porte, com 58 a 66 centímetros de altura (exemplares machos), o Chesapeake Bay Retriever é musculoso e resistente, com peito forte e amplo. Seus maxilares são poderosos e têm comprimento sufi ciente para conseguir segurar as aves com delicadeza. Entre os dedos, membranas como as de pés de pato auxiliam a nadar.

A oleosidade da pelagem externa, que é áspera, e a lanosidade do subpelo são extremamente importantes para evitar que a água fria atinja a pele. Também a secagem rápida é facilitada. Quando o Chesapeake sai da água e se sacode, deve ficar com os pelos apenas úmidos, sem reter água.
Os pioneiros da raça foram altamente valorizados pelos caçadores.
“Por instinto, memorizavam a posição de várias aves caídas, conseguindo buscar 200 ou mais em um único dia, com o bom senso de trazer antes as feridas”, exalta o Michigan Chesapeake Bay Retriever Club em seu site. “Os Chesapeakes protegiam também o equipamento do caçador à noite e nunca deixavam que condições climáticas adversas os impedisse de realizar tarefas.”
A raça é marrom, podendo a tonalidade variar de escura a clara, em tom de palha ou cor de grama morta. Os olhos são muito claros, amarelados ou de tonalidade âmbar. Uma mancha branca no peito, ventre, dedos ou atrás das patas é permitida, mas quanto menor for, melhor. Uma escovação semanal é o bastante. 
Tudo começou no início do século 19, quando dois cães Terra Nova desembarcaram nos Estados Unidos depois do afundamento, na costa de Maryland, do navio britânico onde estavam. Foram cruzados com cães de diversas raças e, em 1878, a raça obtinha seu primeiro reconhecimento no American Kennel Club (AKC).

Temperamento

Repleto de energia, o Chesapeake requer quantidade razoável de exercício. ”O ideal é que ele fique em área espaçosa e bem cercada, onde possa queimar sua energia”, sugere o criador americano Gary Irish, do Irish’s Cover Leaf Kennel. Ele acrescenta que nesse local amplo, o cão brincará e correrá apenas por um pequeno período do dia, principalmente se for o único cão. “Apesar de a raça estar sempre pronta para dar tudo de si em qualquer atividade, não é de correr muito”, diz Gary. “Recomendo exercitar o Chesapeake por pelo menos 1 hora por dia, dividida em duas ou três sessões – por ser retriever, provavelmente gostará mais de brincadeiras de busca do que de correr.”

Foto: 2browdawngs.com/Irish’s Cover Leaf Kennel

O Chesapeake é mais reservado com estranhos que o Labrador. “Precisa aprender durante o primeiro ano de vida quais comportamentos são aceitáveis ou não, caso contrário assumirá a liderança”, alerta Gary. Ele comenta que a raça tem incrível capacidade de pensar por si própria, o que pode dificultar o treinamento. “É essencial ser consistente e firmar posição de liderança.”
Adora a presença do dono e gosta de estar próximo de sua família. É carinhoso, inteligente e delicado com as crianças, tornando-se ótima companhia para elas. “Leal e protetor, protege tudo que faz parte do mundo dele: família, casa e automóvel”, menciona Gary. “Se um estranho chegar à porta, latirá e aguardará sinal de que está tudo bem para silenciar”, descreve. “Mas, em caso de invasão, tomará as ações que forem necessárias para subjugar a ameaça”, diz Gary.

Cuidados básicos:  Não requer muitos cuidados quanto à pelagem. Uma escovação semanal já basta.

Curly Coated Retriever

Ninguém pode negar que a característica mais marcante na aparência do Curly Coated Retriever são os pelos encaracolados. “Nas ruas, é comum as pessoas ficarem intrigadas ao ver a pelagem desse cão em forma de pequenos cachos rentes à pele”, comenta Joanne Clayton, do canil Firecurl, Richmond, na Inglaterra.

Fotos Arquivo do canil Firecurl

De tão juntos que crescem, esses pelos protegem o corpo do contato da água. Trata-se de detalhe importante para o Curly conseguir buscar nadando em águas geladas os patos abatidos pelos caçadores. 

Temperamento

As grandes paixões da raça são estar com a família, à qual é extremamente leal, e correr, nadar e praticar outras atividades, com grande senso de diversão. Aliás, o dono deve se preparar para viver por anos a fio com um cão crescido que age como filhote. “Costumo dizer que Curly cansado é Curly feliz!”, ri Joanne.
Atualmente, a atividade do Curly é mais focada em esportes. Altamente treinável, é visto na prática de agility, obediência e flyball, além de ser um bem-sucedido cão de terapia e salvamento. “Quando não está em ação, o Curly se satisfaz em ficar deitado ao lado do dono recebendo um carinho de vez em quando”, diz Joanne.
Pelo alto grau de energia e grande porte (trata-se do retriever mais alto, com 67,5 centímetros na cernelha no caso dos machos), a raça é mais apropriada para se ter em casa com área externa grande.
“É ótimo e bem-intencionado com as crianças, mas também é grande e desajeitado”, lembra Joanne. Com estranhos, é um pouco mais indiferente que os demais retrievers.

Cuidados básicos: Quanto à manutenção da pelagem, a orientação da criadora é somente escovar em época da muda. Feita a escovação, é preciso umedecer os pelos para recuperarem a forma encaracolada. Em geral, o macho perde pelos uma vez por ano e a fêmea, duas vezes, sendo que o volume da queda pode variar muito de um Curly para outro. “Há quem brinque nesse período comentando sobre pelos encaracolados que apareceram na manteiga, por exemplo”, brinca Joanne. “É preciso manter o senso de humor nesses momentos.”
Outro cuidado, realizado a cada dois a três meses é aparar periodicamente os pelos que cresceram de mais.

Flat Coated retriever

Foto de David Slater

À primeira vista, ele até parece uma versão do “primo” Golden Retriever, só que com pelos lisos em vez de ondulados e de cor preta ou marrom escuro em vez de dourada ou creme. Desenvolvido em meados do século 19 para buscar a caça tanto em terra quanto na água, esse cão é muito ligado ao parceiro humano. “Para buscar a caça, precisa desenvolver ligação com seu condutor e ser motivado por ele”, diz a treinadora Sally Terroux, de Denver, nos Estados Unidos. “Já outros retrievers buscam pelo prazer da atividade”, acrescenta ela, que é autora do livro How to raise and train a Flat-Coated Retriever (Como criar e treinar um Flat Coated Retriever). “É um cão que costuma raciocinar, o que o torna excelente na caça, mas, no dia a dia, ao mesmo tempo em que quer nos agradar, fica à procura de exceções às regras”, ressalta.

Temperamento

Há quem apelide a raça de Peter Pan dos retrievers, pela lentidão com que amadurece. “Muitos Flat Coateds sequer amadurecem completamente: ‘congelam’ em estágio infantil, o que os mantêm dependentes, brincalhões e amigáveis como eternos filhotes”, afirma Sally. Um reflexo dessa característica é a existência de Flat Coateds de quatro anos ainda incapazes de se concentrarem nas aulas de obediência.
De grande porte, esse cão tem altura de 59 a 61,5 centímetros e muita energia para ser canalizada. “É imortante exercitar tanto a mente dele quanto o corpo”, enfatiza Keli Martin, do canil Saudades’ Flat Coated Retriever, de San Jose, Califórnia, nos Estados Unidos. “Se você acha que não tem tempo para participar de atividades com um Flat Coated, então essa raça não é ideal para seu estilo de vida”, acrescenta. “Um cão da raça deixado sozinho o dia todo poderá se tornar destrutivo.”

Foto de Trisha Shears

Tolerante e amigável, o Flat-Coated ama a todos. É amigo animado das crianças e dos cães. Mas a sua energia pode ser excessiva para crianças muito pequenas e idosos fragilizados, por conta de seus saltos e constantes abanos de cauda. Apesar de a raça alertar com latidos sobre a aproximação de estranhos, não se deve contar com ela para a guarda.

 

 

Cuidados básicos: Os pelos do Flat Coated têm textura fina a média, são densos e moderadamente longos, protegem a raça dos diversos tipos de clima, da água e de diferentes coberturas de solo. As pernas e a cauda são bem franjadas. “Uma boa manutenção da pelagem é obtida com escovação regular e trimming trimestral nas orelhas e pés”, sugere Keli. O banho pode ser mensal ou antes disso, já que o Flat Coated ama se jogar na lama. “Se existir qualquer tipo de poça, pode ter certeza que ele vai encontrá-la e rolar dentro dela enfiando a cabeça e ficando completamente imundo”, avisa Keli. 

Agradecemos aos entrevistados.

Retriever da Nova Escócia Duck Tolling: Chelsea Raine, do canil Starway Kennels, de Lake Country, Canadá. (www.chessiecentral.com)
Chesapeake Bay Retriever: Gary Irish, do Irish’s Cover Leaf Kennel, de Mount Morris, nos Estados Unidos. (www.starwaytollers.com)
Curly Coated Retriever: Joanne Clayton, do canil Firecurl, Richmond, na Inglaterra. (www.curlycoats.co.uk)
Flat Coated Retriever: Keli Martin, do canil Saudades’ Flat Coated Retriever, de San Jose, Califórnia, nos Estados Unidos. (www.saudades.us)

 Reportagem e coordenação de imagens: Heloíse Santos e Júlio Mangussi • Revisão de estilo: Marcos Pennacchi.

 

Aos criadores entrevistados os nossos agradecimentos:
Maria Alice Bicudo, do Iris Azul Kennel, de São José dos Campos, SP. E-mail: irisazul@uol.com.br
Paloma Pegorer, do canil Lapinus, de São Roque, SP. Site: www.chinesecresteddogs.com.br
Sergio Pinho Alves, do Argos’ Legacy Kennel, de Recife. Site: www.argoslegacy.com.br

Reportagem, coordenação de fotos e texto: Marcos Pennacchi

 

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Reportagem e coordenação de imagens: Samia Malas • Revisão de estilo: Marcos Pennacchi • Texto: Marcos Pennacchi e Samia Malas

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