Cane Corso: bom guardião, ótimo companheiro

Quem leva o Cane Corso para casa tem direito a usufruir de duas contribuições importantes que esta raça italiana tem para oferecer: proteção e companhia

Edmilson Reis. Canil Romão D’Itália. Cão: Red Dragon

Tudo bem: ele tem cara de poucos amigos. Mas, sem a aparência intimidadora, ficaria difícil para este cão obter sucesso na proteção, importante função da raça. Ao mesmo tempo, o Cane Corso Italiano se revela um companheiro sensível e apegado. “Quem já conviveu com ele sabe como é encantador e que é um divisor de águas: a vida do amante de cães pode ser dividida em antes e depois do Cane Corso”, sugere o criador Robinson Romão. Entendedor do assunto, ele tem 128 Cane Corsos adultos, além de o seu canil, Romão D’Itália, com sede em Santo André, SP, ter sido o melhor da raça pelos rankings DogShow Breeder 2015 e Melhores Criadores CBKC 2015.

Edmilson Reis: Canil Romão D’Itália. Cão: Thorak e Valentine (ícone da raça)


Os proprietários de cães da raça também a elogiam. É o caso da coordenadora de eventos da Universidade de São Paulo, a paulistana Patrícia Mourad. “Thor é atencioso, carinhoso e me enche de beijos, além de me proteger”, ressalta. Ela Edmilson Reis: Canil Romão D’Itália. Cão: Thorak Edmilson Reis: Canil Romão D’Itália. Cão: Valentine (ícone da raça) se refere ao Cane Corso com nome de pedigree Bungo C. M. F., que está com 2 anos e meio. “Eu o trouxe para ser o meu cão de guarda, mas constatei que também é um grande cão de companhia.” Cão: Thorak e Valentine (ícone da raça).                                                                                         

O analista administrativo César Rogério Zanusso, de Sobradinho, DF, tem opinião parecida. Dono de Proteus Guerreiro Del Corso, com quase 2 anos e meio, afirma: “Ele se destaca pelo amor a mim e às demais moradoras da casa, além de ser fiel e emocionalmente equilibrado.” César vive com sua esposa, Carla; as filhas Ingrid, Yasmin e Raíssa, de 15, 10 e 5 anos; e a mãe dele, Natalina, de 70 anos.

Fotos: Arquivo César Rogério Zanusso

Mais uma opinião é a da advogada Débora Kokke Gomes, de Ipatinga, MG, que mora com o marido, Julimar, e com os filhos, Isadora e Heitor, de 6 e 2 anos respectivamente. “Java, nossa Cane Corso com pouco mais de 1 ano, é atenta a tudo que se passa, doce, companheira, fiel e paciente com as crianças, além de ter forte instinto de proteção”, diz.

 

 

                                           

 Versatilidade

Força, coragem e agilidade felina além de muitos séculos de história deram a esse cão a oportunidade de prestar serviços diversificados aos humanos. Seu tipo físico molossóide remete aos grandes cães de combate vistos em esculturas assírias dos anos 600 a.C. No Império Romano, ancestrais da raça atuavam na proteção de propriedades e eram treinados pelo exército para atacar inimigos durante as batalhas. Posteriormente, a raça trabalhou como boiadeira, por sua capacidade de manter sob controle os touros e porcos mais rebeldes. Foi também guarda-costas e caçadora de animais de grande porte.

 

Edmilson Reis. Canil Romão D’Itália. Cão: Red Dragon e Johnny. Canil Romão D’Itália. Cão: Leona Chiara

Nos anos 1970, remanescentes desse cão estavam esparsos pela Itália e em risco de extinção por mestiçagem. Começou, então, um trabalho de recuperação da raça por um grupo de entusiastas. Em 1994, o Cane Corso entrava oficialmente na cinofilia, reconhecido pelo Ente Nazionale della Cinofilia Italiana, principal entidade de criação canina no país de origem.
O nome Corso vem do latim cohors, que significa “pátio” e “guarda-costas”, indicando a vocação da raça para a proteção. Não se trata, portanto, de cão originário da Córsega, como poderia parecer à primeira vista.

 

Como protetor

Basta olhar para o Cane Corso e logo se vê que é cão de proteção. O grande porte impõe respeito (os machos podem alcançar 70 centímetros de altura na cernelha e pesar até 50 quilos). Tem músculos possantes, formas atléticas, maxilares poderosos e emite latidos grossos e altos, de longo alcance.
Trata-se de cão sereno, nada barulhento nem hiperativo. Mas permanentemente ligado, interessado em detectar pessoas que lhe pareçam ameaçadoramente próximas da propriedade. Para tanto, na parte externa da casa costuma descansar em local que lhe permita observar a rua. Já no interior da moradia, prefere não desgrudar do dono.
Em ambas as situações, se o Cane Corso se levantar e der uns poucos latidos sem sair do lugar, significa que está advertindo um potencial “invasor”. Mas se ele correr em direção ao “intruso” é porque vai adotar medida mais enérgica. “Proteus late ferozmente e parece querer derrubar o portão”, descreve César. “Thor se arremessa com tamanho ímpeto que certa vez escorregou e afundou a porta do meu carro”, relata Patrícia. “Java late forte, pula brava e percorre toda a frente da casa”, descreve Débora.
Terminado o episódio, a paz retorna em sua plenitude. “O mais incrível é que o Thor, mesmo estendido na cama ou no sofá sem ver a rua, sabe quando deve agir, e o faz de imediato”, comenta Patrícia.

 

Arquivo Débora Kokke Gomes

Arquivo Débora Kokke Gomes

Bom companheiro

Quanto mais o Cane Corso sedesenvolve, mais seguro fica de si, mais sereno se torna e mais aprecia o repouso ao longo do dia, sem perder o jeito de filhotão disposto a brincar. Seu instinto de guarda se intensifica, ficando ainda mais aguçado à noite.
“É dócil e afetuoso com as pessoas da casa, comporta-se com sensibilidade com crianças e idosos, aprende com facilidade as rotinas e os desejos dos seus donos”, diz Robinson.
A palavra “equilíbrio” é muito usada para descrever o modo de ser do Cane Corso. É claro que para adquirir confiança em si próprio e ter um adequado desenvolvimento comportamental, ele precisa ser educado adequadamente. Como qualquer cão, desde filhote necessita ter contato com pessoas, objetos e barulhos que farão parte de seu dia a dia. Treinar adestramento moderado com regularidade é ideal para a raça. “O Cane Corso procura por liderança em seu dono e quando ela ocorre fica fácil de lidar com ele e manejá-lo”, comenta Robinson.
Ser amigável com estranhos na proximidade dos donos faz parte da índole do Cane Corso. É cortês com eles, mas mais reservado que outros cães, sem precisar saltar em cima para festejar. Com os animais da casa é dócil, assim como pode ser com os “quatro patas” que cruzam o seu caminho nos passeios, quando corretamente socializado.
A raça precisa de companhia, de pontos de referência. Quem deseja ter Cane Corso sem ter possibilidade de ficar perto dele e de lhe dedicar tempo suficiente, conta com a possiblidade de adquirir um casal.

Em apartamento

Mesmo sendo de grande porte, o Cane Corso está cada vez mais dentro das casas e apartamentos. A raça se adapta, gosta de relaxar e aprecia ar-condicionado, situações corriqueiras nesse tipo de vida.
Uma dificuldade se refere ao grande porte. “Se estou sentada no sofá, Thor fica me empurrando até eu sair ou joga o corpaço dele em cima de mim e ainda pede para eu fazer carinho na cabeça dele”, ri Patrícia. “Além disso, ele derruba tudo por onde passa.”
Ao se aliviar, o Cane Corso produz quantidade considerável de excrementos. Se a opção for levá-lo fora para fazer as necessidades, deverão ser programadas saídas diárias com essa finalidade. Há também a baba, típica dos cães molossos. “Pintei a casa duas vezes em menos de um ano para arrumar a aparência das paredes cheias de baba do Thor”, relata Patrícia. “Ele baba e se sacode, espalhando saliva até o teto.” 

Arquivo Patrícia Mourad

Para o Cane Corso que vive dentro de casa, sem acesso a área onde possa se exercitar, Robinson recomenda ao menos duas boas caminhadas de no mínimo 30 minutos cada uma. Mas quanto mais tempo for despendido nas caminhadas, melhor.
“Em São Paulo há diversos Cane Corsos morando em apartamento”, exemplifica ele. “O mesmo acontece na Itália e em Buenos Aires, onde é comum ver dog walkers caminhando com 10 a 15 cães, a maioria de grande porte, inclusive com Cane Corsos.” Patrícia dá uma pista sobre o que move tanta gente a manter esse cão em ambiente fechado. “Se Thor não existisse, eu não precisaria ter pintado a casa e ela seria mais arrumada, limpa e cheirosa, mas meu coração estaria vazio. 

Arquivo Patrícia Mourad

 

Criação

No Brasil, o Cane Corso passa por nítida expansão. Entre 2005 e 2014 (ano com informações estatísticas mais recentes), a quantidade anual de Cane Corsos registrados na Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC) subiu de 233 para 1.085.



Compra

Quando se adquire um Cane Corso, a melhor escolha é aquela feita com a ajuda de um criador sério. “Cabe a esse profissional delinear o perfil do comprador e entregar a ele um exemplar com a graduação mais indicada de energia e dominância”, diz Robinson.

Pela Orthopedic Foundation for Animals, dos Estados Unidos, o Cane Corso está entre as 11 raças mais sujeitas a displasia coxofemoral. De 1.168 cães da raça avaliados, 40,1% apresentaram condição de anormalidade (veja em http://goo.gl/3VjpTc). Como a predisposição genética é um dos fatores de manifestação da doença, a orientação é só comprar filhote desde que o grau de displasia dos pais não passe de HDA, HD-B ou HD-C. A reprodução de exemplar com grau HD-D ou maior não é recomendada, conforme critério de criação da CBKC/FCI.

 

Agradecimentos;

Criador Robinson Romão , Canil Romão D’Itália, (www.romaoditalia.com)

Agradecemos aos entrevistados. Reportagem, coordenação de imagens e texto: Marcos Pennacchi.

 

 

 

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