Persas: eles têm cores para todo gosto!

Veja raridades e curiosidades sobre as belas cores da mais popular raça de gatos do mundo!

Silvia Pratta/Gatil FelineKat. Cor Fife: Arlequim Black Tortie. Gata: BR* Felinekat Sweet Angel

Pacato, companheiro e dorminhoco. Essas são apenas algumas características do Persa, raça cheia de recordes. É o gato mais criado da atualidade, posição preservada por 30 anos segundo ranking da Cat Fanciers’ Association (CFA), dos Estados Unidos. Além disso, é o gato de raça mais conhecido no mundo, o mais antigo, o mais peludo e, ainda, um dos mais ricos em opções de cores, com mais de cem variedades. Essa valorização das cores vem de longe. Elas já eram mais importantes que a conformação física nas exposições pioneiras do Crystal Palace, na Inglaterra, por volta de 1875.
Muitas raças de gatos contribuíram para enriquecer o colorido do Persa. E, na medida em que novas cores eram fixadas, havia necessidade de estabelecer denominações e regras que nem sempre eram as mesmas para todas as entidades gatófilas. Com a riqueza de possiblidades, tornou-se comum mais de uma coloração aparecer em um mesmo Persa. Por outro lado, nem sempre a Natureza contribui para que os gatos nasçam com as marcações desenhadas exatamente conforme previsto nos regulamentos humanos. “Não é fácil conseguir a excelência em determinada cor”, diz Lee Nakao, do gatil Mon Desiré, de Guararapes, SP, especializada em Persas brancos e himalaios de olhos azuis.
Nesta reportagem, que tem como objetivo dar ideia da riqueza de cores do Persa, seguimos a nomenclatura e a maneira de agrupá-las adotada pela CFA em seu padrão oficial mais atual, de 2015. Eventualmente citamos diferentes nomenclaturas ou regras adotadas por outras entidades. Conheça o fantástico universo de cores deste fenômeno felino.

Foto: LORAC Studio Karol Szadkowski/Almathea Cattery
Foto: LORAC Studio Karol Szadkowski/Almathea Cattery

Cores sólidas: uniformidade

No século 19, os Persas inteiramente de uma cor, como o vermelho e o preto, estavam entre os mais populares. No pós-guerra a predileção continuava. Até hoje o branco, o vermelho e o creme (diluição do vermelho) estão entre as cores mais prestigiadas da raça.
Uma das sete cores sólidas aceitas pela CFA, o azul ganhou em 1889, na Inglaterra, uma divisão só dele. E, em 1901, tornou-se a única cor de Persa com clube exclusivo, ao ser fundado o ainda operante Blue Persian Cat Society. Esse fato é relatado pela primeira expositora de Persas azuis, Frances Simpson, em seu livro The Book Of The Cat, de 1903 (que pode ser lido em https://goo.gl/gvY33u).
As cores chocolate e lilás (ou lilac, diluição do chocolate) são herança de acasalamentos com gatos colorpoints (marcação típica do Siamês). “Pela raridade, é difícil obter exemplares dessas duas cores de linhagens diferentes para acasalar”, diz Denise Locateli, do gatil Tao Bast, de São Paulo, que cria Persas chocolates e lilás e se dedica à raça há mais de 30 anos.
Acredita-se que o Persa branco tenha vindo do cruzamento da raça com gatos Angorás no início da introdução no Ocidente. Essa cor resulta do gene chamado “W”, que inibe a formação de pigmento colorido. Mas o acasalamento entre dois brancos homozigotos, ou seja, com os alelos “WW” (“W” de white, branco), não é incentivado pela CFA para evitar problemas genéticos. “Algumas entidades até proíbem qualquer acasalamento entre gatos brancos, caso da Federação Felina Internacional (Fife)”, diz Denise.

Gatil Mon Desiré
Ronald Buether/Almathea Cattery
Gatil Tao Bast
Gatil Tao Bast

Persas com “efeitos especiais”

Subpelo branco e olhos cobre brilhante são características comuns a todas as cores da divisão dos shaded (sombreados) e smoke (fumaça) da CFA. Nos shaded a pelagem é quase branca, com um manto mais colorido nos flancos, na face e na cauda. Nesse manto, que pode ser vermelho, creme, tortoiseshell (preto com vermelho) ou azul-creme, a cor ocupa cerca do terço superior dos pelos brancos.
Quando a ponta colorida só cobre um oitavo dos pelos, o manto fica mais suave e a cor se chama chinchila ou shell cameo se a ponta for vermelha. Em ambos os casos, o manto alcança também as costas do gato, além dos flancos, da face e da cauda. Nos Estados Unidos, os apaixonados pela cor chinchila bem como por shaded e golden (coloração que abordaremos mais adiante) contam com um clube especializado (www.dixielandsg.com).
A coloração smoke é formada por pelos com a base branca que vão se colorindo suavemente até chegarem à cor normal próximo à ponta (cerca de 20 a 30% da base do pelo é branca). A intensidade da inibição da cor é maior no subpelo, que costuma ser todo branco. O efeito torna-se mais evidente no dorso e nos flancos, já que nas extremidades há menos subpelos. A base branca fica visível quando o felino está em movimento ou quando se separam os pelos com um pente ou com as mãos. A CFA aceita smokes pretos, azuis, creme, vermelhos, tortoiseshell, azul-creme, chocolate, lilás, chocolate-tortoiseshell e lilás-creme. “Uma característica que identifica o smoke é a presença da cor mais definida na face, nas patas e na cauda”, diz José Ribeiro, do gatil Fare Niente, de Vila Real, cidade ao norte de Portugal.

Prateados e dourados: sofisticação

Marcelo Palmeira / Gatil Yaciretá e Almathea Cattery (arquivo pessoal)

Assim como os shaded e chinchilas abordados no tópico anterior, os prateados (silver) têm subpelo branco. O que muda é a cor da ponta dos pelos da manta, que é preta. Outra diferença é a cor dos olhos: verdes ou azul esverdeados. “Adoro o silver shaded: parece que os pelos foram sutilmente tingidos”, comenta José, que se dedica a Persas shaded, smoke, tortie e tabby desde 1988.
Os dourados se diferenciam pelas bandas abricó intenso, amarelo dourado e creme intenso. Os goldens também podem ser vistos nas variedades shaded, com uma banda larga de cor marfim pálido na raiz do pelo, e shell (chinchila na Fife), que tem a banda cor de marfim da raiz do pelo ainda mais larga, sempre com olhos verdes.

Gatil Tao Bast
Gatil Tao Bast

Tabbys: malhas com diferentes desenhos

Eles são os populares gatos malhados. No Persa, a CFA aceita o mackerel tabby, marcação com listras pretas verticais que não se cruzam e que é geneticamente dominante. Aceita também o classic tabby, geneticamente recessivo, à base de listras que formam curvas e espirais e desenham um círculo nas laterais do corpo, lembrando os veios do mármore. “Se na pelagem tabby houver presença de manchas vermelhas em fundo preto ou creme em fundo azul a CFA chama a marcação de patched tabby (tabby manchado)”, diz Denise. Em todos os tipos de tabby é comum a presença de uma marca na testa em forma de “M”.
Em todas as cores permitidas para a raça Persa pode haver marcação tabby.

Chanan/Gatil Lotie Persians
Chanan/Gatil Lotie Persians
Chanan/Gatil Lotie Persians

licos e bicolores: as novas vedetes

O Persa bicolor se caracteriza por apresentar uma cor (preto, azul, vermelho, creme, chocolate ou lilás) e manchas brancas. Para a CFA, o branco no mínimo deve estar nos pés, pernas, partes inferiores, tórax e focinho. “Uma gola branca é muito desejável”, comenta Denise. A cor deve aparecer pelo menos na cauda e em uma ou mais manchas na cabeça ou no corpo. “Adoro a exclusividade da aparência de cada bicolor”, diz Luís Credie, do gatil Lotie Persians, de São Paulo, criador de Persas desde 2010. “É extremamente improvável que nasçam dois bicolores com exatamente a mesma quantidade de manchas, tamanhos e formatos”, pondera.
“Para a Fife, o bicolor da CFA é dividido em três variedades”, informa Kátia Aguilar Negrin do Nascimento, criadora desde 2010 do gatil FelineKat, de São José dos Campos, SP. “Só é chamado de bicolor se o branco ocupar de um quarto à metade do corpo”, explica. “É arlequim se for branco da metade a três quartos do corpo e van se for todo branco com cor em duas manchas sobre a cabeça, em toda a cauda e, eventualmente, em até três manchas pequenas no corpo ou nas pernas.”
O bicolor da Fife tem queixo, peito, abdome e patas brancos e um manto da cor sobre o corpo até a cabeça, dos dois lados. Uma marca de “fogo” branca vai do nariz até o alto da testa passando entre os olhos. No arlequim, a cor se manifesta ou em manchas separadas clara e harmoniosamente pelo corpo ou em manchas contínuas, das costas até a cauda, além de na cabeça e na cauda. “Especializei-me nos bicolores, arlequins e vans por admirar o contraste da cor com o branco”, revela Kátia.
Quando um bicolor tem marcação tabby na parte colorida, o padrão da CFA não especifica o tipo de tabby. “No caso da Fife, o tipo de tabby é especificado somente para os bicolores e pode ser mackerel (listras finas verticais), blotched (listras grossas com padrões curvados e de espiral) ou spotted (pequenas manchas arredondadas alinhadas verticalmente).
Se além de branco, o felino tiver duas cores, é considerado cálico pela CFA. Pela Fife pode ser bicolor arlequim ou van black tortie ou bicolor, arlequim ou van ou blue tortie. Os olhos de bicolores e cálicos ou são cobre brilhante ou azuis ou um de cada cor, tanto pela CFA quanto pela Fife. Nos silvers dessa divisão os olhos também podem ser verdes ou avelã ou um azul e o outro verde, avelã ou cobre.
No Brasil, os bicolores mais vistos nas exposições são os brancos com vermelho, com preto, com creme e com azul. “As modalidades van e arlequim também têm obtido destaque, assim como os cálicos intensos (vermelhos, pretos e brancos) bem como os cálicos diluídos (creme, azuis e brancos)”, opina Kátia.
“A maior dificuldade com essas cores é que, por mais belas que sejam, se o branco for insuficiente, o gato perde pontos nas exposições”, comenta Luís.

Foto: Almathea Cattery
Foto: Almathea Cattery

Particoloridos: cor das “meninas”

As colorações chamadas de particoloridas (ou particolour) – combinação de duas cores diferentes e branco – são típicas das fêmeas. A CFA denomina essa coloração de cálico.
Se a gata for preta com manchas vermelhas é classificada pela CFA como tortoiseshell (que significa casco de tartaruga). Se for chocolate com manchas vermelhas será uma chocolate tortoiseshell. Se as cores estiverem diluídas, será blue-cream. Há ainda o lilac-cream, que combina o raro lilás com creme. Se houver ainda presença de branco, a gata será cálica (pode ser black, chocolate, blue-cream ou, ainda, uma belíssima lilac-cream).
Nessa modalidade, a grande diversidade de variações na distribuição das cores dá a cada gata uma aparência única.

Carinha achatada e suas variações
O comprimento do focinho do Persa tem sido objeto de muita polêmica. O focinho braquicefálico (encurtado) surgiu na década de 1950. Parte dos criadores passou a selecionar os Persas de focinho mais extremado, chamando-os de ultra type ou peeked faced. O deslocamento do nariz cada vez mais para cima causou distorções ósseas internas e dificuldade de respiração. “Uma mudança no padrão limitou a subida da linha do stop e foram estabelecidas narinas abertas e funcionais”, lembra Denise.
Até hoje nascem Persas parecidos com os ancestrais do começo da evolução da raça, com focinho mais comprido, apelidados de doll face (cara de boneca).

Fotos: Gatil Mon Desiré
Fotos: Gatil Mon Desiré
Fotos: Gatil Mon Desiré

Himalaia: o Persa com cor de Siamês

Gatil Mon Desiré. Gato: Mon Desiré Violet Hope (cor seal lynx point com olhos violeta

O desejo de trazer a marcação ponteada do Siamês para o Persa levou criadores a cruzarem Persas com gatos colorpoints. Resultou o Persa himalaia ou colorpoint, com marcação mais escura nas extremidades do corpo (cauda, patas, orelhas e face).
A CFA aceita 23 variedades de colorpoints, mas as possibilidades podem variar de uma entidade para outra. Dessas variedades, dez são lynx (ponteado com marcas tabby rajadas) ou tortie. Há algumas outras possibilidades de marcação colorpoint em diferentes federações.
“Não foi fácil fazer o Himalaio acontecer já que o Siamês e o Persa têm características opostas”, comenta Lee. O Persa é pesado, largo, de cabeça redonda, orelhas pequenas, peludo, com olhos grandes e redondos e focinho achatado. O Siamês, por sua vez, é longilíneo, esbelto, com pelagem curta, orelhas largas na base e pontudas, olhos amendoados e cabeça triangular.
Em um primeiro momento foram cruzados Persas e gatos colorpoints e, posteriormente, os melhores descendentes colorpoints de pelo longo entre si. “Até hoje não é fácil obter belos colorpoints na raça Persa”, afirma Lee.
O gene do Siamês tornou possível dar olhos de cor azul intenso ao Persa. Lee, que obteve olhos de cor violeta em sua criação, descreve: “O azul é intenso e escuro, com nuances arroxeadas.”
A CFA reconhece o himalaia como uma das divisões de cores do Persa. Para a Fife ele é uma cor do Persa e na The International Cat Association (Tica) se tornou raça à parte, que só difere do Persa pela coloração.

Agradecemos aos criadores e colaboradores:

Aneta Makowska: Almathea Cattery www.almathea.com.pl/kontakte.html
Denise Locateli: Gatil Tao Bast www.gatiltaobast.com
José Ribeiro: Gatil Fare Niente www.fareniente.com/gatil
Kátia Aguilar Negrin do Nascimento: Gatil FelineKat www.gatilfelinekat.com
Lee Nakao: Gatil Mon Desiré www.gatilmondesire.com
Luís Credie: Lotie Persians www.lotiepersians.com

Reportagem e coordenação de imagens: Samia Malas • Revisão de estilo: Marcos Pennacchi •Texto: Marcos Pennacchi e Samia Malas

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