5 dicas para adestrar o filhote de forma positiva

Filhotes aprendem errando: tudo é novo para ele e ele precisa ser direcionado para fazer certo – Foto: GlobalP/iStockphoto.com

Receber um novo cão em casa é algo que deve ser planejado para que o pet seja muito mais feliz e equilibrado

Dentre os métodos de adestramento, o método positivo tem sido cada vez mais usado pela maioria dos educadores caninos. Trata-se de um método de ensino com a busca incessante de novas técnicas e novos estudos, priorizando sempre o bem-estar dos animais. 

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“Receber um novo cão em casa é algo que deve ser planejado”, diz Luciana – Foto: Arquivo pessoal

No adestramento positivo é levado em consideração a emoção do cão, porque um cão feliz e disposto aprende com muito mais facilidade. Não usamos nenhum aversivo físico ou psicológico e a educação é embasada em reforços com uso de recompensas positivas, ou seja, durante o aprendizado, o cão será premiado com algo de que gosta, podendo ser comida, brincadeiras ou outros atrativos para ele.

Em 2011, o livro “Cão Senso” de John Bradshaw, reuniu as principais e mais recentes pesquisas, desmistificando conceitos ultrapassados do adestramento tradicional e esclarecendo fatos importantes da ciência moderna. Ele mostra como as emoções dos cães estão tão ligadas às nossas e o quanto nossa relação com eles está distante da teoria da dominância e tem muito mais a ver com cooperação.

Tendo isso em mente, quando recebemos um filhote em casa, devemos estar dispostos a utilizar tais conhecimentos em sua educação. Receber um novo cão em casa é algo que deve ser planejado, para  garantir um dia a dia muito melhor para todos e um cão muito mais feliz e equilibrado. Veja pontos essencias para educar seu filhote.

  1. Do que ele precisa?

O filhote precisa do acolhimento da família para se sentir seguro, além de estímulos físicos e mentais (realizados sempre de forma positiva), supervisão e uma boa dose de paciência. Outras necessidades também podem variar de acordo com a raça ou porte, já que alguns cães, de acordo com sua genética, gostam mais de caçar, outros de roer, etc. Portanto, pesquise sobre as necessidades da raça ou busque mais informações sobre os antecedentes do seu filhote. Converse com os responsáveis dos pais dele sobre como são, se possuem algum comportamento acentuado – como latir muito –, ou se já ocorreu incidência de coprofagia (ato de comer fezes) ou alguma necessidade especifica de saúde, pois muitos filhotes tendem a reproduzir os comportamentos e as necessidades dos pais. Isso não é uma regra, apenas um direcionamento. Saber mais sobre os pais dos cães traz informações valiosas que ajudam muito no planejamento com o filhote. 

2. Fase de aprendizado

Seu filhote chegou e está na fase de aprender errando: de usar a boca para pegar tudo que vê pela frente, de chamar sua atenção e de aprender o local correto para fazer as necessidades. Tudo isso é um mundo novo para ele e ele precisa ser direcionado. Por exemplo, caso ele comece a morder sua mão ou um objeto indesejado, mude a atenção dele, fazendo usar a boca para morder um brinquedo. Mostre que morder um brinquedo é muito mais interessante, faça festa, incentive. 

Cães fazem, por puro instinto, coisas que não são legais em um ambiente urbano, mas que na natureza, seria normal. 

3.Manejo ambiental

A regra mais importante para receber um filhote é preparar o ambiente para que o animal tenha um espaço adaptado para ele. Para fazer isso, devemos levar em consideração o tamanho do cão: não o tamanho que ficará enquanto adulto, mas o tamanho daquele filhote. Se o seu filhote é de porte grande o espaço deve ser proporcional, ou seja, ele precisará ter mais espaço para dormir, brincar e fazer as necessidades, mas sem exageros. Quanto maior a restrição neste primeiro momento, mais fácil e perceptível fica para ele onde fazer cada coisa. Se ele tem uma mandíbula mais forte, precisará de brinquedos mais resistentes, como também uma coleira mais firme e por aí vai. 

Assim, garanta que ele tenha sempre água fresca à vontade para beber, um local de descanso apropriado e uma caminha ou um colchonete para que ele possa dormir suas 18 horas diárias – em média. É importante que o local sanitário (onde ele faz suas necessidades) seja do lado oposto à caminha.

Além desses itens básicos, podemos enriquecer o ambiente com brinquedos funcionais (o ideal é ter brinquedos com tamanhos e texturas diferentes). A ideia é que, ao invés de querer morder a quina de um móvel ou o seu chinelo, ele tenha um brinquedo que seja atrativo o suficiente para que ele não se interesse por outras coisas. 

4. Estabeleça uma rotina

Feito o manejo do ambiente de forma adequada, seu filhote deverá ter uma rotina estabelecida. Os cães gostam e precisam de previsibilidade. Isso ajudará o seu filhote a ter autocontrole e estabilidade emocional – como saber a hora certa de se alimentar, momentos do dia para interagir com a família para brincar e conhecer coisas novas. Durante o período do protocolo vacinal, quando o cão ainda não está imune a algumas doenças, os médicos-veterinários recomendam que o filhote não tenha contato externo e é muito importante ter esse cuidado. Entretanto, você precisa apresentar o mundo para seu cão. Os quatro primeiros meses do cão são os momentos mais importantes para sua memória e tudo que acontecer com ele ficará mais facilmente guardado por toda sua vida. Leve seu filhote para passear de carro e/ou no colo – enquanto ele não tiver todas as vacinas – e apresente o máximo de estímulos que puder. Isso com certeza fará muita diferença no futuro.

5.Não perca tempo

Eduque seu filhote assim que ele chegar em sua casa. Respeitando o espaço ambiental dele você estará garantindo que ele acerte mais do que erre. Todo comportamento reforçado é aumentado, então, não perca tempo: se perceber que o filhote está mordendo sua mão, redirecione essa mordida para um brinquedo e incentive. Se ele fizer as necessidades no local errado, ignore, limpe sem que ele veja, aguarde ele acertar e parabenize fazendo festa e oferendo um petisco bem gostoso. Todo comportamento que for reforçado terá mais chances de se repetir, então tente ignorar os erros e redirecione para o acerto. Reconheça quando ele fizer algo bom. Aos poucos, ele vai aprendendo a se comportar e vai ganhando mais espaço e liberdade.

Atenção à quantidade de petiscos
Os petiscos quando usados como reforço positivo para educação e treinamentos exigem atenção do tutor com a quantidade e forma como são utilizados. “Entre os problemas que podem surgir com o uso excessivo dos petiscos estão o sobrepeso e até mesmo a obesidade. Por isso, devem ser oferecidos petiscos de alta qualidade, específicos para os pets, e em pequenas porções, para não exceder a quantidade ideal de calorias diárias”, aponta o veterinário Flavio Silva, mestre em nutrição de cães e gatos e supervisor de capacitação técnico-científica em empresa de ração animal. “Os petiscos são um complemento e devem representar no máximo 10% das calorias diárias indicadas para a idade e o porte do animal”, ressalta. Assim, o recomendado é revezar as recompensas com carinhos e elogios.

Por: Luciana Portugal Souto

Formada em publicidade, já trabalhou com consultoria de marketing para pet shops, mas, atualmente, é representante de alimento de alta qualidade para cães e faz treinamentos positivos para cães de forma presencial e consultorias online. Há 3 anos ajuda a melhorar as relações entre tutores e seus cães através do adestramento positivo. Facebook (GraduaCão) e Instagram (@gradua.cao_)

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