5 formas de melhorar a comunicação com o cão

Foto: IstockPhoto

Nossos pets conseguem demonstrar e entender muitas informações através dos sentidos e da comunicação corporal 

Como seres inteligentes, nós, humanos, temos várias formas de nos comunicar uns com os outros: por meio da escrita, da verbalização, dos gestos. Mas vários outros animais também têm a mesma capacidade, mesmo que a utilizem de maneiras diferentes. É o caso dos cachorros. Além de se comunicarem entre eles e com outros animais, os pets, cada vez mais inseridos na nossa vida, também desenvolveram formas de nos informar o que é importante. “Com a convivência íntima e intensa na trajetória evolutiva em comum que aconteceu com humanos e cães, estes últimos desenvolveram capacidades sociocognitivas que possibilitam uma comunicação funcional com as pessoas. Ou seja, a comunicação é compreendida, e há uma emissão de informação pelo cão que seus tutores entendem com respostas”, descreve Ceres Berger Faraco, médica-veterinária coordenadora do Curso de Especialização em Comportamento Animal da Unifeob, de São Paulo. 

Ter uma comunicação mais eficiente com nosso pet significa melhorar o relacionamento entre as duas partes, a qualidade de vida dele e também resolver possíveis problemas de comportamento. “A falta de capacidade das pessoas entenderem a comunicação canina e se comunicarem de forma adequada pode comprometer o bem-estar dos cães, e emoções negativas podem ser desencadeadas. Tudo isso pode levar a comportamentos indesejáveis, como agressividade”, reitera Ceres. Veja abaixo algumas maneiras de melhorar essa comunicação.

  1. Sentidos caninos

Primeiro, é preciso saber como o seu pet compreende e se comunica com o mundo ao redor dele. Apesar de ter cinco sentidos, dois deles são os mais utilizados na comunicação canina: os visuais e os sonoros. “Com a visão, seguem o olhar humano e utilizam o seu olhar para indicar o que desejam, por exemplo a comida, ou para iniciar a brincadeira com algum objeto”, conta Ceres. Através da vocalização de sons, como latidos, rosnados e ganidos, os cachorros conseguem comunicar diferentes sentimentos e comportamentos. “Mas são também importantes os sinais químicos, táteis e multimodais. Estes últimos utilizam a combinação de diferentes sentidos do cachorro, conferindo uma potência à comunicação”, esclarece a veterinária. 

2. Observe bem os sinais

É possível entender muito do que eles “nos dizem” observando seus sinais corporais e sonoros. “Podemos reconhecer um cão equilibrado e confortável porque ele tem a cabeça e as orelhas erguidas, a boca entreaberta com língua exposta e o rabo baixo e relaxado. Já o cão que não se sente confortável boceja com frequência, lambe a trufa (o seu “nariz”), mantém as orelhas voltadas para trás e a boca fechada. O cão evitará contato visual e, se possível, se afastará”, descreve a adestradora e zootecnista Camilla Nogueira, de Campinas, SP. “Se o desconforto for causado por uma pessoa, um animal ou um objeto e ele não conseguir se afastar do alvo do incômodo, muito provavelmente irá rosnar, latir, encolher o rabo entre as pernas, eriçar os pelos do dorso e manter o corpo abaixado”, diz. A adestradora enfatiza a importância do tutor se manter atento a todos os sinais do seu pet, especialmente aqueles demonstrados em momentos de desconforto, que podem ser percebidos também nos músculos tensionados do animal. Se o incômodo dele for agravado, o comportamento pode se tornar agressivo. “Saber o que fazer é essencial e, portanto, em caso de dúvidas, o tutor deve procurar um profissional”, reforça Camilla. Outros sinais de que o cachorro está relaxado e feliz são: balançar a cauda, lambidas e deitar-se de barriga para cima. Os pets ainda podem nos dar indicações de que a saúde está comprometida ao apresentarem apatia, sede exagerada, lambidas excessivas nas patas e mudanças bruscas de humor. Uma alteração significativa no comportamento do cachorro requer avaliação veterinária.

3. Ele também entende os seus sinais

Ceres explica que o cachorro consegue entender, reproduzir e aprimorar comportamentos a partir de sequências de condutas que foram bem-sucedidas. “Por exemplo, o tutor antes de levar o cão para passear sempre coloca a máscara protetora facial. O cão aprende o que esse sinal indica e passa a expressar os comportamentos típicos de alegria para sair ao ver a máscara.” Assim, ele consegue associar o padrão de comportamento humano antes de sair de casa para o seu passeio. “Outro exemplo são as brincadeiras, quando o cão ‘convida’ o tutor para iniciar um jogo, trazendo uma bola para ele. Esses atos estabelecem um novo fluxo comunicativo entre ambos e se constituem em uma espécie de conversação canina-humana”, descreve a veterinária. De acordo com Ceres, utilizar o nome do pet e fazer o contato visual com ele também ajudam no fluxo de comunicação.

4.Seja claro na comunicação

Para fazer o cachorro entender que o comportamento dele é ou não aceitável, o tutor precisa estabelecer uma comunicação clara e sem conflitos. De acordo com Camilla, isso significa que o pet precisa acreditar no posicionamento do seu humano. “Os cachorros são muito sensíveis às nossas emoções e, portanto, sentem quando estamos sendo falsos. Por exemplo, quando o tutor vai adverti-lo com um ‘não’ no mesmo tom que usa para aprovar um comportamento, ou quando, diante de uma mesma conduta, ora o tutor repreende, ora chama para brincar. Ou ainda quando chama o cachorro pelo nome para fazer carinho e depois chama pelo nome para dar uma bronca”, exemplifica Camilla. A adestradora ainda explica que essas comunicações semelhantes em sinais mas opostas em sentido causam um grande conflito no pet. Diante delas, ele pode ficar confuso e se afastar do tutor por não saber como agir. “Tudo que nós falamos seguido de uma ação vira um comando de fácil entendimento para o cão”, explica Camilla. A veterinária Ceres dá uma dica simples, mas eficaz: o nosso gestual pode esclarecer uma comunicação, como apontar para o local ou objeto que queremos que seja o foco da atenção do pet.

5. Ele pode aprender com você

Camilla conta que, em seu trabalho como adestradora canina, além da clareza na comunicação, ela também utiliza muito a repetição. “Durante um comando de aprendizagem, é preciso repetir quantas vezes forem necessárias para que ele entenda a regra.” Ela dá alguns exemplos práticos. Se a regra é que o cachorro não pode subir no sofá, toda vez que ele desobedecer na presença do tutor, este deve retirar o pet de cima do móvel. É indicado verbalizar comandos junto com a ação. Por exemplo, o tutor pode falar em voz alta “desce” enquanto retira o cachorro do sofá. Ele não só vai conseguir compreender a regra, especialmente pela repetição, mas também associar a ordem à atividade que deve ser executada. A melhor e mais recomendada forma de indicar o comportamento correto ao cachorro é utilizando o reforço positivo. “Quando ele realiza a tarefa que você pediu, pode reforçá-la premiando-o com a comida que ele gosta, estimulando o canal gustativo; através de carinho, estimulando o canal tátil; ou até mesmo fazendo um elogio, atingindo o canal auditivo. Por isso é muito importante conhecer o seu cão”, conclui Camilla, que indica que o tutor busque adestramento profissional, principalmente quando já há problemas de comunicação e comportamento.


Por:

Aline Guevara

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