Sem perceber, muitos tutores cometem pequenos erros no dia a dia que podem comprometer a saúde e a longevidade dos pets

Quando trazemos um cão para dentro de nosso lar, ele passa a fazer parte da família e, naturalmente, queremos que viva o máximo possível – e com qualidade. Mas, sem perceber, muitos tutores cometem pequenos erros no dia a dia que podem comprometer a saúde e a longevidade dos pets. Pensando nisso, listei aqui os 5 maiores deslizes mais comuns e, claro, como você pode evitá-los a partir de hoje!
E antes de começarmos, vale reforçar: existe uma diferença importante entre consulta clínica e consulta preventiva. Enquanto a primeira acontece quando o cão já apresenta algum sinal de doença, a consulta preventiva é realizada com o animal saudável, como objetivo de antecipar problemas e corrigir pequenos desequilíbrios antes que se tornem graves. Esse acompanhamento faz toda a diferença para garantir uma vida mais longa e saudável para seu pet!
Vamos aos erros:
1. ESCOLHER O CÃO SEM CONSIDERAR O PERFIL DA SUA FAMÍLIA
Acredite: o primeiro erro acontece antes mesmo do cão chegar em sua casa. É essencial escolher um animal compatível com o seu estilo de vida e ambiente. Detalhes como o tamanho da casa, presença de crianças ou idosos, disponibilidade para passeios, e até o tipo de piso e móveis influenciam na harmonia da convivência. Além disso, cães têm personalidades diferentes, e isso interfere diretamente no bem-estar e segurança da família. Confira alguns exemplos:
•Muito dominante: requer tutor experiente e treino rigoroso. Inadequado para crianças ou idosos.
•Dominante moderado: exige atividade física e regras. Pode ser ótimo com orientação certa.
•Sociável e ativo: boa opção para quem já teve cães, precisa de estímulos diários.
•Companheiro submisso: ideal para iniciantes, crianças e idosos.
•Tímido e medroso: precisa de ambiente calmo e previsível.
•Independente: pouco apegado. Não indicado para quem busca interação constante.
•Temperamento instável: não recomendado para convívio familiar.
Para acertar na escolha, pesquise e, se o cão for filhote, faça o Teste de Temperamento de Filhotes (Teste de Volhard– disponível no QR Code ao final deste artigo), que pode ser feito logo aos 50 dias devida do pet.
No caso de cães já adultos, de abrigos ou ONGs, a observação atenta do pet por alguns minutos já pode indicar se suas características, tanto físicas quanto comportamentais, vão se adequar à sua família.
Lembre-se: existe um lar ideal para todo tipo de cachorro — basta escolher com cuidado que vai dar tudo certo!
2. ALIMENTAÇÃO INADEQUADA
A alimentação é a base da saúde e, quando mal planejada, abre portas para doenças como obesidade, diabetes, problemas de pele, doenças articulares, desequilíbrios intestinais e até câncer.
Hoje, há diversos tipos de dieta disponíveis: ração seca, alimentos úmidos, alimentação natural cozida ou crua (como a BARF), cetogênica, vegetariana etc. Mas o mais importante é que ela seja equilibrada, prática e personalizada para o seu cão, considerando sua rotina e nível de atividade.
Jamais ofereça alimentação natural sem orientação de um veterinário nutrólogo. Uma dieta mal formulada, mesmo com os melhores ingredientes, pode causar sérios prejuízos à saúde.
E não esqueça: manter o peso adequado é fundamental para prevenir mais de 20 doenças comuns em cães.
3. IGNORAR O ENRIQUECIMENTO AMBIENTAL
Cães precisam mais do que comida e carinho: eles necessitam de estímulos físicos e mentais.
Um ambiente enriquecido reduz o estresse, medos, previne ansiedade, agressividade e até doenças, promovendo a saúde física e mental. Veja algumas sugestões:
•Alimentar: esconda petiscos pela casa ou ofereça brinquedos recheáveis, pois isso estimula o instinto de caça e a busca por alimento.
•Físico: criar um espaço com objetos para escalar, pular e explorar estimula a atividade física.
•Sensorial: permita que ele explore aromas, texturas e sons diferentes. Atividades de faro estimulam o principal sentido dos cães. Músicas relaxantes ajudam a acalmar os pets quando sozinhos. Deixar a televisão ligada pode ser uma opção interessante. Massagens e escovação são ótimas para o enriquecimento tátil.
•Cognitivo: use brinquedos interativos e brincadeiras de esconder objetos com os cães. Jogos, quebra-cabeças e treinamento avançado estimulam a capacidade intelectual. Brincadeiras de esconder petiscos e objetos desafiam a memória e a concentração. Cães adoram explorar e resolver problemas, mantendo-os mentalmente ativos.
•Social: promova interações seguras com outros cães e pessoas. Permitir que o cão conviva com outros da mesma espécie é essencial. Interações sociais estreitam os vínculos entre o pet e seu tutor.
Cães mentalmente ativos vivem mais e melhor!
4. DESCUIDAR DA HIGIENE
A higiene do pet e do ambiente onde ele vive influencia diretamente na saúde.
Dicas importantes:
• A cor do pelo determina horários de passeio e quando é preciso fazer uso de protetor solar, pois pets brancos requerem maiores cuidados para evitar câncer de pele e queimaduras.
• O tipo de pelagem (longa, curta, dura, macia ou com subpelo) indica frequência de escovação e escolha da escova.
• Os banhos devem respeitar tipo de pele, ambiente e estação.
• Banho seco pode ser bom para cães sensíveis.
• Corte de unhas e hidratação das almofadinhas evitam lesões e problemas articulares.
• Use produtos adequados para limpar ambientes, eliminando riscos de alergias e zoonoses.
• Mantenha mantas, caminhas e brinquedos sempre higienizados.
Limpe regularmente olhos, ouvidos e dentes, prevenindo doenças graves como disbiose (quando a microbiota intestinal não está em equilíbrio), infecções cardíacas e renais, dermatite, doenças oculares, doença oral e otites.
5. PASSEIOS E EXERCÍCIOS INADEQUADOS
Posse responsável também é garantir momentos de lazer e atividade física para seu cão, respeitando suas características.
Dicas essenciais:
• Nunca passeie sem guia.
• Leve água e saquinhos higiênicos nos passeios.
• Incentive locais pet friendly.
• Use coleiras e guias adequadas para cada cão.
• No carro, utilize cinto, caixa ou cadeirinha pet. Nunca deixe o animal de estimação sozinho no veículo ou com a cabeça para fora.
• Placa de identificação sempre atualizada, com telefone (inclusive, o DDD de sua cidade).
• Exercícios físicos regulares são indispensáveis para prevenir a obesidade, a ansiedade e doenças osteoarticulares.
MAIS QUALIDADE DE VIDA COM A PREVENÇÃO
Esses são apenas alguns dos mais de 43 tópicos personalizados avaliados em uma consulta preventiva veterinária. Enquanto a consulta clínica só acontece quando o pet já está doente, a consulta preventiva identifica riscos antes dos sintomas aparecerem, previne doenças crônicas, orienta sobre alimentação, comportamento, higiene e fortalece o vínculo entre tutor e veterinário. A medicina veterinária preventiva é a cura sem medicamentos. Ela enche os dias do seu cão de saúde, energia e alegria — e ainda prolonga sua vida ao nosso lado. A consulta preventiva é um presente valioso para seu cão e para sua família.
Escaneie o QR-CODE e faça já o Teste de Volhard (Teste de Temperamento de Filhotes).


Por Dr. Paulo Sérgio Onofre
Médico-veterinário Preventivo com 40 anos de atividade em clínica e cirurgia de cães e gatos.
Instagram: @paulovetpreventivo



