Seja responsável e fique atento às necessidades do animal antes de optar por uma raça ou pela adoção

A grande quantidade de cães soltos e desamparados nas ruas é reflexo do alto número de abandonos e da reprodução indiscriminada entre esses animais. Se o problema já era preocupante antes da pandemia – quando muitas famílias adotaram novos bichinhos –, agora que as coisas estão voltando ao normal e nem todo mundo pode ficar em casa dando a assistência que costumava ser dada, a tendência é que a situação piore. Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que há aproximadamente 30 milhões de animais abandonados no Brasil, sendo 10 milhões de gatos e 20 milhões de cães. Para Flavio Lamas, presidente da Associação Amigos dos Animais de Campinas (AAAC), a falta de consciência é a principal causa do abandono. “Se fosse o fator econômico, famílias carentes não teriam bichos. Talvez a verdadeira causa seja a falta de castração, que gera a procriação indesejada. A família gosta do seu bichinho, mas, senão castra, acaba doando os filhotes, que muitas vezes vão para as ruas”, diz. Veja o que é necessário saber antes de optar por um cão.
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1 Estilo de vida deve ser compatível
A principal avaliação a fazer é saber se terá condições financeiras de manter o pet e, ao mesmo tempo, garantir qualidade de vida e bem-estar a ele. “Se você mora sozinho e trabalha o dia inteiro fora, não é indicado ter um cachorro, que é um pet que precisa de companhia para não ficar estressado. Mas um gato é uma opção viável”, recomenda Flavio. Jairo Nunes Balsini, professor de Medicina Veterinária da UniSul, em Tubarão, SC, destaca a importância de ter tempo livre para o pet. “O ideal é tirar pelo menos uns 30 minutos por dia para brincar e passear com ele”, opina.
2 Adaptação a cada fase da vida
Quando levamos um bicho de estimação para a nossa casa, independentemente da sua idade, devemos dedicar tempo até que ele se habitue à nova rotina. “Ao chegar, o pet deve ser tratado de acordo com a idade. Um filhote exigirá muito cuidado e muito amor, precisa ser ensinado a ter seu espaço e entender a família, um processo natural e tranquilo. Já um animal adolescente ou adulto sofrerá nas primeiras semanas por estar sem suas referências iniciais. Tudo o que ele aprendeu poderá ser modificado. Então, sua nova família precisará dedicar bastante atenção e mostrar como se portar e o que espera dele – assim como a família também deve se adequar a grande parte do comportamento do animal. Já os idosos sofrem mais. Imagine ter um lar, uma família, segurança e carinho e, de repente, ficar sem tudo isso, justo na fase mais difícil da vida. Quem adota um cão idoso tem a missão de recuperar a confiança que ele perdeu nas pessoas”, analisa Flavio. E o esforço compensa. Esses cães normalmente são muito gratos, dando muito amor e carinho a quem os acolhe na velhice.
3 Cães precisam gastar energia
Não importa o tamanho do cachorro. Todos precisam de espaço para brincar e correr – uns mais, outros menos. O gasto de energia traz equilíbrio, relaxamento e bem-estar. Para raças maiores, uma casa com quintal ou jardim tende a ser uma melhor opção, pois assim os pets não dependerão exclusivamente da disponibilidade do tutor para praticar exercício, uma vez que conseguirão gastar energia mesmo quando sozinhos. “Mas mesmo cães de pequeno porte precisam de espaço para gastar energia e ter independência. Caso não tenha espaço o suficiente para seu pet brincar, o ideal é passear uma ou duas vezes ao dia”, indica Jairo.
4 Pets demandam atenção e carinho
Há quem adote ou compre um pet por impulso ou mesmo por um pedido de um filho, mas, independentemente do motivo, deve-se ter em mente que cães são seres sensíveis e apegados aos humanos e, assim, nunca devem ser deixados de lado. Crianças devem entender que pets não são brinquedos – precisam de cuidados e muito afeto. Waldir Fonseca Filho, diretor do Pasteur Diagnósticos Veterinários, em São Paulo, destaca que, no contexto da pandemia, com muitas pessoas voltando ao trabalho presencial e, portanto, deixando seus pets mais horas sozinhos, o importante é manter os cuidados de sempre e dar atenção especial ao chegar em casa e toda vez que for possível. “Quanto mais bem cuidado o animal for, menos sofrerá com a mudança”, diz o veterinário. Segundo ele, os animais terão capacidade de se adaptar a novas rotinas se seu bem-estar for garantido, e a noção de tempo que eles têm é diferente da nossa.
5 Garanta segurança e limpeza ao cão
Você é capaz de proporcionar ao pet um espaço adequado para dormir, onde esteja protegido de temperaturas muito altas ou muito baixas, e um local para fazer as necessidades – e que elas sejam sempre removidas, para evitar mau cheiro, contaminação e doenças? Além disso, eles demandam escovação constante, para a remoção de pelos mortos, a eliminação de nós que possam causar desconforto, o estímulo à hidratação e a detecção de eventuais problemas como áreas inchadas ou presença de parasitas e, claro, a aproximação entre o tutor e o pet. Banhos também não podem ser considerados itens de luxo – são obrigatórios, pois ajudam a evitar problemas de pele e infecções.
6 Cuide da saúde do seu amigo peludo
A rotina de cuidados deve contemplar desde as vacinas obrigatórias (antirrábica e múltipla) até as opcionais (recomendadas conforme o ambiente em que o pet vive). Igualmente importantes são a vermifugação – essencial na prevenção de doenças –, o controle de pulgas e carrapatos e as consultas com um veterinário de confiança, que garanta o desenvolvimento saudável do pet. Investir em uma alimentação adequada também é obrigatório. Um alimento de boa qualidade tem o seu custo e você deve estar ciente de quanto se gasta com ele.
7 A escolha da raça não pode ser aleatória
Não se pode optar por uma raça simplesmente por considerá-la mais bonita – escolha aquela cujas demandas você possa atender. “Mora no campo? Um cão ativo, de porte médio a grande será mais adequado. Mora em apartamento? Um pet pequeno, que não precise de muito espaço, tende a se adaptar melhor. Um Pit Bull, por exemplo, não é indicado para apartamento, enquanto um Yorkshire correria muitos riscos em uma fazenda”, exemplifica Flavio Lamas. Além do porte, Jairo aponta que vale considerar o temperamento habitual da raça – se costuma ser desconfiada com estranhos ou dócil –, principalmente se você vive em condomínio. Para Waldir Fonseca Filho, também é importante avaliar se o cão veio de um canil idôneo, para não contribuir com as fábricas de filhotes.
8 Despesas com o pet
Por último, é fundamental lembrar que, ao incorporar cães à família, seus gastos mensais – e suas responsabilidades! – serão maiores. O custo fixo é composto basicamente pela ração, mas há despesas variáveis com vacinas, vermífugos, consultas de rotina e, quando necessário, medicamentos. Isso sem falar de itens como brinquedos, caminha, casinha etc., que enriquecem o ambiente do animal e trazem bem-estar.
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Agradecemos aos colaboradores Flávio Lamas, Presidente da AAAC; diretor de Proteção e Bem-estar Animal da ANAMMA e Conselheiro Municipal de Proteção Animal de Campinas, SP; Jairo Nunes Balsini Mestre em Ciências da Saúde pela UniSul, onde também é professor e responsável pelo setor de Neurologia Clínica e Neurocirurgia e Waldir Fonseca Filho Médico-veterinário formado pela FMU e diretor do Pasteur Diagnósticos Veterinários, em São Paulo
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