Frequência ideal, cuidados e riscos do excesso de banhos são alguns deles

O banho é um dos cuidados essenciais para a higiene, cuidados dermatológicos e bem-estar dos pets, mas muitas dúvidas surgem sobre a frequência ideal e os produtos mais indicados. Além disso, o excesso de banhos pode trazer problemas dermatológicos.
Embora o banho seja um cuidado essencial, precisa ser feito na frequência correta para evitar danos à pele e ao pelo do pet. Consultar um médico-veterinário dermatologista é sempre a melhor maneira de garantir que o animal esteja recebendo os cuidados adequados para sua saúde dermatológica.
A seguir, irei esclarecer os principais pontos sobre esse tema, que gera muitas dúvidas entre donos.
1. COMO SABER A FREQUÊNCIA CORRETA E SAUDÁVEL DOS BANHOS DO PET?
A frequência do banho varia conforme o tipo de pele, pelagem e estilo de vida do animal. E também varia na dependência da presença de alguma dermatopatia. Em geral, cães podem tomar banho a cada 7 ou 15 dias, enquanto gatos, que têm um processo natural de limpeza, raramente precisam de banhos. No entanto, a recomendação pode mudar dependendo da raça, do ambiente em que o pet vive e de possíveis problemas dermatológicos.
2. QUAIS TIPOS DE PELAGEM EXIGEM BANHOS MAIS FREQUENTES?
Cães com pelagem longa ou densa, como Shih Tzu, Maltês e Golden Retriever, tendem a acumular mais sujeira e umidade, o que pode favorecer dermatopatias e mau odor. Já cães de pelagem oleosa, como Cocker Spaniel e Dachshund, produzem mais material sebáceo e podem precisar de banhos mais frequentes para manter a pele equilibrada.
Cães que apresentam dermatopatias crônicas, normalmente necessitam de banhos mais frequentes. Como exemplo, temos animais alérgicos, principalmente cães com dermatite atópica. Nesses pacientes, os banhos frequentes são fundamentais para assegurar a hidratação, recomposição da barreira epidérmica, e reduzir as chances de infecções secundárias. A terapia tópica com banhos pode ser considerada uma modalidade de tratamento bastante eficiente em pacientes dermatológicos, desde que sejam utilizados medicamentos e produtos corretos.
3. QUAIS CÃES NÃO DEVEM SER BANHADOS COM FREQUÊNCIA?
Raças com pele mais sensível e sem doenças dermatológicas, e de pelagem dupla, como Huskie Siberiano, Collie, Samoieda e o Akita, não devem tomar banhos muito frequentes, pois isso pode remover a barreira natural de proteção da pele. Por outro lado, cães com doenças dermatológicas devem ter a frequência de banhos ajustada pelo médico-veterinário para evitar o agravamento do quadro. Assim, os banhos passam a fazer parte do tratamento dermatológico destes pets. Nada mais eficiente do que tratar o órgão pele com medicamentos e produtos que atuem diretamente sobre o órgão doente.
4. POR QUE NÃO SE DEVE USAR PRODUTOS QUE NÃO SEJAM ELABORADOS PARA CÃES NO BANHO DO ANIMAL?
A pele dos cães tem um pH diferente da pele humana, sendo mais alcalino. O uso de xampus ou sabonetes inadequados pode alterar essa barreira natural, causando ressecamento, coceira e até infecções. Produtos específicos para animais de estimação são formulados para respeitar esse equilíbrio, garantindo uma limpeza segura.
5. E A ESCOVAÇÃO DA PELAGEM? QUAIS SÃO SEUS BENEFÍCIOS E IMPORTÂNCIA PARA A SAÚDE DO CÃO? QUAL A FREQUÊNCIA IDEAL?
A escovação é um hábito essencial para remover pelos mortos, prevenir nós e estimular a circulação sanguínea da pele. Além disso, ajuda a distribuir os óleos naturais da pele, mantendo a pelagem saudável. Para cães de pelos curtos, a escovação pode ser feita duas a três vezes por semana, enquanto cães de pelos longos ou duplos devem ser escovados diariamente.
6. QUAIS OS PERIGOS DO BANHO EM EXCESSO? QUE DOENÇAS OU PROBLEMAS ELES PODEM CAUSAR? É ALGO COMUM NO CONSULTÓRIO?
Alguns pacientes podem apresentar problemas dermatológicos devido ao excesso de banhos. Banhos muito frequentes podem:
• Promover a quebra da barreira epidérmica. Isso acontece, pois remover a camada de proteção natural da pele, deixa o cachorro mais vulnerável a alergias e infecções;
• Aumentar a oleosidade da pele, pois o organismo pode compensar a remoção excessiva de sebo produzindo ainda mais óleo;
• Causar ressecamento e infecções secundárias no animal de estimação devido à quebra da barreira de proteção natural da pele.
7. COMO O TUTOR PODE SABER A FREQUÊNCIA IDEAL DE BANHO PARA O SEU CÃO?
Não há uma regra da periodicidade dos banhos para cães sem problemas dermatológicos. Tudo vai depender da real necessidade de cada paciente. O ideal é observar o comportamento e a pele do pet. Se ele não apresenta mau odor, não se coça excessivamente e a pele está saudável, provavelmente não precisará de banhos frequentes. O veterinário dermatologista pode indicar a frequência mais adequada para cada caso, considerando as características individuais do animal.
8. PARA QUEM GOSTA DE DAR BANHO EM CASA, QUE DICAS DARIA PARA QUE O BANHO SEJA CORRETO?
• Use sempre produtos específicos para os pets;
• Ajuste a temperatura da água para morna, evitando extremos de calor ou frio;
• Enxágue muito bem, pois resíduos de xampu podem causar irritação na pele;
• Seque completamente o animal, especialmente os cães de pelos longos e densos;
• Evite que a água entre nos condutos auditivos, pois a umidade favorece infecções. A anatomia do conduto auditivo canino é diferente do humano, sendo mais profundo que o nosso;
• Cuidado com olhos, especialmente em raças como o Pug ou Shih Tzu, cujos olhos são maiores e mais proeminentes;
• Evite utilizar secador quente. Sempre morno a frio, para não queimar a pele do pet.
9. E PARA CÃES QUE DORMEM NA CAMA COM SEUS DONOS? A FREQUÊNCIA DOS BANHOS DEVE SER MAIOR OU OUTROS CUIDADOS DE HIGIENE DEVEM SER ADOTADOS?
O banho pode ser um pouco mais frequente nesses casos, mas sem exageros. Mais importante do que aumentar os banhos é manter outras medidas de higiene, por exemplo:
• Escovação diária da pelagem para a remoção de sujeira;
• Limpeza das patinhas após os passeios;
• Higienização da cama e mantas onde o cão dorme com frequência;
• Uso de lenços umedecidos veterinários entre os banhos, se necessário.
Agradecemos a colaboração,

Mary Otsuka Ikeda
Dermatologista Veterinária e sócia proprietária da Derme for Pets, em São Paulo-SP



