Terrier Americano Sem Pelos elegante e extraordinário

Eis a única raça canina pelada nativa dos Estados Unidos, onde é chamada de American Hairless Terrier (AHT)

Foto: Arquivo do canil Apoena


Quando um Terrier Americano Sem Pelos nasce, ele parece com qualquer cachorrinho, com aquela pelagem macia no estilo penugem cobrindo o corpo. “Só que, em uma ou duas semanas, ela começa a cair de maneira que, até normalmente no máximo dez semanas, já não há mais pelos”, destaca Isadora Holzhausen, do canil Apoena, de Ribeirão Bonito, SP.
Apesar de haver outras raças caninas peladas como o Xoloitzcuintle e o Chinese Crested Dog, o Terrier Americano Sem Pelos se diferencia bastante delas. Por exemplo: nele, o gene da ausência de pelos não está relacionado à falta de dentes. Além disso, ele é recessivo, ou seja, um Terrier Americano sem pelos não carrega gene para presença de pelagem (o que, nessas outras raças, gera pelos na cabeça, nos pés e na cauda). “Assim, de um acasalamento de pelado com pelado, todos os filhotes nascidos serão sempre pelados”, explica Isadora.
Mas o AHT também exibe uma característica comum às demais raças sem pelos: a peculiar pele quente e macia ao toque.

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HISTÓRIA

Foto: Arquivo do Strider American Hairless Terrier Kennels

O AHT é decorrência de uma mutação natural ocorrida na raça Rat Terrier. Esta, por sua vez, descende de cruzamentos ocorridos no final do século XIX entre cães utilizados para exterminar animais daninhos (como ratos) e exemplares da raça Fox Terrier Pelo Liso.
Em 1972, uma fêmea sem pelos nasceu de uma ninhada de Rat Terriers de pelagem normal na Louisiana, nos Estados Unidos. O casal Edwin e Willie Scott, amigos dos donos da ninhada, apaixonou-se imediatamente por essa cachorrinha. Eles a adquiriram e a chamaram de Josephine. Ela foi acasalada e produziu Gypsy, outra fêmea sem pelos. Oito anos depois, Josephine deu à luz um par de irmãos sem pelos, Jemima e Snoopy. Em 1983, Snoopy foi cruzado com suas irmãs e gerou diversos filhotes sem pelos na ninhada. Não havia mais dúvidas: uma nova raça, o Terrier Americano Sem Pelos, nascera. Como a falta de pelagem não os tornava adequados para a maioria das atividades de caça, os criadores priorizaram o perfil de cão de companhia, e o AHT rapidamente ganhou adeptos fiéis.
Em 2004, o Terrier Americano Sem Pelos foi aceito pelo United Kennel Club (UKC), a segunda maior entidade cinófila nos Estados Unidos. Em 2016, ele ganhou o reconhecimento definitivo do American Kennel Club (AKC), a principal associação do segmento daquele país. “De acordo com o AKC, em 2021 havia 65 criadores da raça que geraram um total de 48 ninhadas, número um pouco inferior ao de 2020, quando 74 criadores obtiveram 67 ninhadas”, informa Angie Claussen, do canil Poise American Hairless Terriers, também secretária do American Hairless Terrier Club of America (AHTCA). Nos Estados Unidos, além de participar de exposições, a raça, em virtude de sua inteligência, adaptabilidade, alto impulso para a caça e desejo por agradar, é utilizada em esportes caninos. É o caso doagility, rally (no qual o dono conduzo AHT por uma pista, orientados sobre o que fazer por sinalizações cujo número pode variar conforme a categoria), trick dog (execução de truques caninos), barnunt (simulação de caça a ratos em celeiro), scent work (o AHT precisa identificar e localizar pelo faro vários tipos de odores escondido sem diferentes situações: ambientes internos, externos, recipientes ou enterrados), coursing (em que o AHT persegue um saco plástico, preso a um barbante puxado por um sistema operado por bateria) e dock diving (o AHT corre e pula em um tanque de água onde um brinquedo foi jogado, e seu salto é medido por marcas de distâncias nas laterais do recipiente). “Já foram concedidos pelo AKC títulos importantes a exemplares da raça – por exemplo, trick dog advanced, senior barn hunt, scent work master, rally advanced, master agility champion, coursing ability advanced e dock senior advanced: eles adoram água”, relata Angie. Considerando os esportes caninos promovidos no UKC, há também exemplares da raça que competem em provas de weight pull, no qual o AHT puxa por uma guia um carrinho com blocos de concreto ao longo de uma pista em linha reta com no mínimo 10 metros de comprimento em no máximo um minuto.
Em 2019, o Terrier Americano Sem Pelos foi reconhecido pela Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC). Entrou, então, para o grupo 11 da entidade, voltado a raças ainda não admitidas pela Federação Cinológica Internacional (FCI). “Não tenho conhecimento de qualquer projeto que almeje o reconhecimento pela FCI”, afirma Angie. “Todos os criadores que pergunto sobre isso me respondem não ter notícias relacionadas à questão”, relata Isadora.

Foto: Arquivo do canil Poise American Hairless Terrier

BRASIL E OUTROS PAÍSES

Por ora, Isadora é a única a criar o AHT no Brasil. Hoje ela tem três cães adultos, sendo duas fêmeas e um macho. “Até o fim do ano, estarei com mais exemplares, que serão trazidos de canis renomados dos Estados Unidos”, conta a criadora, que, em 2018, introduziu a raça por aqui e, em 2022, obteve sua terceira ninhada. “Os filhotes das minhas três ninhadas foram vendidos para pessoas dos estados do Amazonas, Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo”, informa Isadora.

Fotos: Arquivo do canil Apoena


Atualmente, a raça é criada também na Holanda, Suécia e Finlândia, países com membros credenciados na AHTCA e, portanto, com canis confiáveis. “Ainda há a Rússia e a República Tcheca, onde existem bons criadores, mas também muitos outros aventureiros, que não registram e não se importam com linhagens, além de realizarem cruzamentos antiéticos para obter novas colorações. Portanto, nesses lugares é preciso muito cuidado na compra”, explica Isadora, cujas aquisições são avaliadas com ajuda de dois canis dos Estados Unidos. Mando todos os dados dos exemplares pelos quais me interesso para as criadoras dos cães que importei. Elas estudam o pedigree deles e me orientam”, completa.

Fotos: Arquivo do canil Apoena

COLORAÇÕES

O padrão CBKC permite qualquer cor, com exceção do albino ou merle. “Entre as mais comuns, estão preto; chocolate, preto e vermelho; champanhe com nariz preto; e limão com nariz preto”, informa Angie. Há também colorações diluídas como o azul (cinza); azul e fulvo; e lilás, que é o chocolate diluído. “As cores base, à medida que envelhecem, ficam com manchas ou sardas escuras no corpo, enquanto as diluídas tendem a ter manchas ou pintas brancas”, acrescenta. “Exemplares de cores diluídas não devem ser cruzados entre si. Do contrário, serão gerados cães com imunidade baixíssima, que terão vários problemas ao longo da vida”, explica Isadora, que também é veterinária.
Para evitar a consanguinidade e renovar as linhas de sangue, o que é necessário para o crescimento da raça, acasalamentos com o Rat Terrier ainda são permitidos (o AHT também possui uma variedade peluda, que não tem o apelo popular da versão pelada). “Na origem, eles eram iguais fisicamente, mas hoje exibem formatos estruturais diferentes – o Rat Terrier acabou ficando mais quadrado e menor. Os americanos ainda gostam dos AHT com pelos e inclusive participam com eles de muitas competições, como agilitye dock diving”, esclarece Isadora. No AKC, os descendentes desses cruzamentos só poderão ser exibidos nos eventos da entidade quando atingirem três gerações de acasalamentos e apenas entre AHTs.

Fotos: Arquivo do canil Apoena

TEMPERAMENTO

As duas variedades de AHT são alertas, curiosas e cheias de energia. Ainda assim, tiveram abrandado o temperamento de caça do Rat Terrier. “Diferentemente desse último, o AHT foi projetado para ser um cão de companhia, o que faz muito bem. Mas, apesar de nunca ter sido criado para caça, ainda possui forte instinto para tal função”, pondera Isadora. Porém, se acostumado desde cedo, ele vive bem com outros pets.
Como cães de companhia, ambas as variedades se destacam por demonstrar grande afeição a seus proprietários e familiares. “Eles são muito companheiros – e essa é a qualidade do AHT que meus clientes mais gostam – e inteligentes”, diz Isadora, que acrescenta: “amam crianças e são bem quietos: só vão latir se realmente houver algum barulho estranho incomodando”.

MANUTENÇÃO

Pelo padrão CBKC, o AHT tem, idealmente, de 30,5 a 40,6 cm. O peso não é citado pelo documento. “Na prática, os exemplares da raça pesam de 5,4 a 11,3 kg”, informa Angie. “Eles comem bastante e, assim, precisam ter uma alimentação bem regrada”, alerta Isadora. Ela explica que a raça é muito resistente. Ainda assim, exemplares com cor predominantemente branca precisam de um cuidado especial: “eles possuem muitas partes despigmentadas, fazendo com que seja importante passar bastante protetor solar três vezes ao dia – já os de pele preta, ainda que necessitem também de protetor diário, são bem menos vulneráveis quanto a queimaduras”.
Isadora comenta ainda: “as pessoas que têm gato me perguntam se a pele é parecida coma do Sphynx, raça sem pelos, mas a desse último é mais oleosa, enquanto a do AHT é muito seca, aponto de, no frio, ser recomendável passar hidratante semanalmente, para que não resseque demais”, diz Isadora, que indica banho uma vez por semana.

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Associação: American Hairless Terrier Club Of America www.ahtca.info

Agradecimentos: Angie Claussen, canil Poise American Hairless Terriers – www.poiseahts.com ; Isadora Holzhausen, canil Apoena – (16) 99629-9542, [email protected], Instagram: @american_hairless


 

 


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