Galinha de estimação: como é ter uma em casa?

Essas aves têm crescido entre pet lovers de cidades. Assim, é preciso informação para não cometer erros de manejo.

Foto: Arquivo pessoal de Paulo Leite

Basta dar uma passeada pelas páginas do Instagram para perceber o quanto as galinhas se tornaram pets queridos nas cidades. A galinha Fênix, de Natália Romano, de São Paulo, e as galinhas Nugget e Coxinha, de Paulo Leite, de Brasília-DF, são bons exemplos.

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Natália mora em uma casa na capital paulista e adotou Fênix de um sítio, onde as pessoas se alimentavam das galinhas que criavam. “Desde criança meu sonho era salvar uma galinha e adotá-la. Então a Fênix foi uma realização e espero ainda poder adotar mais”, aponta Natália, que hoje, compartilha seu dia a dia com Fênix no Instagram: @agalinhafenix. “Nosso objetivo com a página é incentivar adoções, incluindo galinhas e galos. Fênix passeia comigo no carrinho pet, na mochila pet e entra em todos os lugares que permitem a entrada de pets. Ela me acompanha em casa, me segue e adora carinho. Ela é muito parceira e até viaja conosco para Santos, SP, em nossa casa da praia”, aponta a tutora de Fênix.
Já Paulo Leite teve uma história diferente com as galinhas. Decidiu comprar a Nugget em uma agropecuária quando era apenas um pintinho. Porém, sua esposa Raquel, tinha fobia de galinhas. “Quando Raquel viu aquele pintinho, não gostou, queria que eu o doasse a todo custo. Combinamos então que ele ficaria em casa por uma semana apenas, até acharmos um lar para ele. E já se passaram quase 4 anos”, conta Paulo, que também acostumou Nugget a andar de moto com ele. “Acostumei ela aos poucos, sempre respeitando os seus limites. Mas acho que a Nugget nasceu com esse espírito de motociclista assim como eu, porque ela gosta muito de andar de moto. Existe um piado das galinhas que é muito específico e parece um ronronar de um gato, que elas só fazem quando estão em extrema felicidade. E sempre que andamos de moto ela faz esse piadinho”, conta Paulo, que mora em apartamento com Nugget, a cadelinha Mel e Coxinha, novo membro da família que foi recém-adotado. “Como Nugget passou dois anos como a rainha da casa, quando a Mel chegou, ficou com ciúmes. A gente não podia soltar as duas na casa, pois a Nugget procurava a Mel pela casa inteira para bicar. Mas hoje elas convivem bem em casa, mas não são super amigas”, afirma Paulo. Já Coxinha, se apegou bastante à Mel, mas o casal ainda não sabe se ele é uma galinha ou um galo.“Nugget é uma galinha das mais mimadas. Ela tem seu galinheiro com poleirinho e só fica presa quando vai dormir ou quando estamos fora de casa. Andamos com ela no carrinho pet, pois ela aprecia mais o passeio no carrinho. Também usamos a coleira de cachorro nela e funciona bem. Quando chegamos num parque cercado e seguro, soltamos todos na grama. Brinco que eu não sou um doido com uma galinha. Sou um doido com uma galinha de estimação”, brinca Paulo. O Instagram: @NuggetOficial foi criado após muitos seguidores de Paulo demonstrarem curiosidade sobre seu dia a dia com a galinha pet. “Vez ou outra, eu postava momentos em família no meu perfil do trabalho e as pessoas começaram a perguntar sobre ela. Foi aí que decidi criar um perfil só para ela. Hoje Nugget é muito feliz como pet modelo, influencer e apresentadora de talk show”, aponta o tutor. “Para mim, a galinha é uma mistura do cão com o gato. É carinhosa, faz festa quando chegamos, pede colo, carinho, mas quando quer, tem o seu lado independente também. Sem contar que não dá alergia. É um pet perfeito!”, finaliza Paulo.

Fotos: Arquivo pessoal de Natália Romano

DICAS DE MANEJO

Quem tem galinha em casa, precisa levar seu pet regularmente para atendimento de um médico-veterinário especializado em silvestres e aves, pois seu manejo possui particularidades e há medidas de rotina que são importantes para garantir sua saúde. Segundo o Dr. Felipe Bath, do Hospital Birds/NIAAS, do Rio de Janeiro, costumam receber muitas galinhas no consultório, tanto de raças (galinhas ornamentais) como resgatadas e adotadas. “Elas vêm muito para consulta de rotina e exames. Os problemas mais comuns que galinhas podem ter são calosidades nas patas, sarnas, e piolhos nas penas. Os sinais que elas mostram de que algo não está bem são inespecíficos, como prostração, inapetência, ficam encorujadas, tristes”, ensina o veterinário. Sobre os riscos de se conviver com galinhas, que muitos acreditam, o veterinário aponta que aves podem contrair zoonoses da mesma forma que cães e gatos. “Em todos os animais existem doenças em comum com o Homem. Importante é ir ao veterinário e receber todas as recomendações. Por exemplo, a salmonelose, causada por uma bactéria que passa para o humano e alguns protozoários intestinais, pode ser detectada por meio de exame de fezes. Então é importante sempre levar a ave ao veterinário, para receber todas as recomendações primárias do que é preciso para ter uma galinha em casa”, ensina Felipe, que continua: “Isso evita, por exemplo, que se cometa erros comuns, como permitir que a ave viva em piso escorregadio ou oferecer poleiros muito lisos (como cabo de vassoura), que podem causar pododermatites nelas. Ter contato com aves externas pode trazer ectoparasitas. E a falta de um acompanhamento veterinário para uma vermifugação adequada e para ter conhecimento sobre a espécie através de consultas com um profissional são outros erros comuns”.

Fotos: Arquivo pessoal de Paulo Leite


No geral, a galinha é um pet fácil de tratar. Para pegá-la no colo, por exemplo, Dr. Felipe recomenda que o faça levantando a ave pela barriga e pelo peito, dando suporte para que ela não fique nervosa por estar suspensa e acabe se debatendo, o que pode machucar o tutor. Já a alimentação deve ser composta por ração para galinhas, que varia de acordo com a fase da vida dela (pintinho, jovem, adulta, poedeira), complementada com milho, que pode ser quirela de milho ou espiga. “Ela também gosta de folhas como couve e chicória além de pedacinhos de maçã. Mas o grande componente da dieta é a ração”, pondera o veterinário. O descanso do pet também deve ser proporcionado, tendo algum local da casa onde ele possa se empoleirar, em um ambiente com pouca luminosidade. “Galinhas dormem muito pouco, mas elas descansam muito. Elas não dormem a noite toda, mas entram em um estágio de repouso”, diz Dr. Felipe. “A galinha alça pequenos voos, então ela vai procurar locais em que ela se sinta segura. Importante que ela cisque na grama, na terra, que tenha um contato mais orgânico com a natureza”, completa o veterinário, que descreve a galinha como um animal instintivo, que é facilmente condicionado à rotina de uma casa. “O vínculo que ela cria com o tutor é pelo condicionamento. Então, tudo vai depender da criação que terá em sua família. Mas é um pet bem tranquilo. Vemos mais acidentes com cães e gatos do que com galinhas”, finaliza o veterinário.

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Agradecemos a colaboração do Dr. Felipe Bath Médico-veterinário especializado em animais silvestres e aves do Hospital Birds & Cia/NIAAS, do Rio de Janeiro.

Por Samia Malas



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