E com ele, os cuidados para o bem-estar do pet no calor

A estação mais quente do ano combina com férias, programas ao ar livre e diversão. E os pets, claro, não ficam de fora da programação, mas, assim como nós, podem sofrer com temperaturas muito elevadas. Por isso, com a chegada do verão, é preciso redobrar a atenção com cães e gatos. Segundo as médicas-veterinárias Débora de Souza e Flávia de Rezende Eugênio, é importante proporcionar um ambiente arejado e água fresca, bem como manter cuidados para evitar quadros de internação e dermatites, mais comuns nessa época do ano.
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PETS NÃO SUAM
Diferentemente dos humanos, os animais não possuem glândulas sudoríparas localizadas na maior parte do corpo, que são responsáveis pela transpiração, auxiliando na dissipação do calor. Essas glândulas estão presentes somente nos coxins palmares e plantares (as “almofadas” das patas dianteiras e traseiras) do cão. Dessa forma, o maior mecanismo de perda de calor dos peludos ocorre por meio da respiração: quanto mais respiram com a boca aberta, mais vapor de água eles expelem, levando consigo o calor do corpo. Mas esse mecanismo é bastante ineficiente em dias muito quentes, principalmente para cães e gatos braquicefálicos, já que eles têm mais dificuldadede perder calor pelo fato de terem focinho e extensão da boca curtos. Portanto, donos de cães das raças Pug, Lhasa Apso, Shih Tzu, Boxer, Bulldog Francês e Bulldog Inglês devem ficar sempre alertas. Outros que sofrem com as altas temperaturas são os pets obesos, pois a camada de gordura no tecido abaixo da epiderme atua como isolante térmico, retendo calor.
ATENÇÃO AOS SINAIS
Em dias de temperaturas muito elevadas, o animal precisa fazer a troca de calor para regular a temperatura corporal. Por isso, apresenta alguns sinais típicos, como respiração ofegante, rápida, ruidosa, com a boca aberta e língua exteriorizada de forma exagerada. Outros indicadores são sede, olhar de ansiedade e preferência por ambientes mais agradáveis. Visando o bem-estar do bichinho de estimação, o tutor deve proporcionar um local fresco para ele se deitar, como piso frio ou áreas próximas a ventiladores e ar-condicionado. Além disso, quando está com muito calor, o pet evita qualquer exercício físico ou movimentação.
PARA AMENIZAR O CALOR
Ao notar que o peludo está respirando com alta frequência e com a língua para fora, imediatamente umedeça todo o corpo do animal com água fria e posicione um ventilador sobre ele. A circulação de ar otimiza a dissipação do ar quente, acelerando a perda de calor. Outros truques muito eficazes para refrescar seu bichinho incluem oferecer água fresca e frutas congeladas; mantê-lo em local arejado (se possível, com ventilador ou ar-condicionado ligados), e evitar levá-lo para passear na rua nos períodos de maior incidência solar.
HIDRATAÇÃO É INDISPENSÁVEL
Oferecer água fresca em recipiente limpo, protegido do sol e posicionado próximo ao recipiente de comida costuma ser eficaz para estimular a ingestão diária de líquido. Acrescentar cubos de gelo ao bebedouro pode ser um atrativo a mais em dias quentes, pois ajuda a manter a água fresca por mais tempo. Em relação à quantidade ideal, geralmente o consumo médio diário é de 30 a 50 ml por quilo do animal. Mas é importante que um veterinário avalie individualmente cada pet, pois a medida varia conforme a raça, a idade e o tipo de alimentação.
PASSEIO LIBERADO, MAS COM CAUTELA
É importante reforçar que o tutor jamais deve passear com seu amigo de quatro patas durante os períodos de maior incidência solar. Prefira levá-los em momentos do dia em que a temperatura esteja mais amena e o sol mais fraco, como início da manhã e fim da tarde. Ainda assim, antes de sair, é importante verificar com a palma da mão se a calçada está com uma temperatura agradável, pois as patinhas dos pets podem sofrer queimaduras. E sempre que possível, opte por locais com grama e sombreados, que naturalmente são mais frescos do que pisos sintéticos, como pedras e asfalto. Além disso, durante o passeio, leve uma garrafa de água para que o animal possa se hidratar.
NÃO DEIXE O ANIMAL NO CARRO
Uma recomendação importantíssima é nunca deixar os cães dentro do carro estacionado, mesmo que seja por um instante, ainda que esteja na sombra e com os vidros parcialmente abertos. A temperatura interna do veículo, sem a circulação de ar adequada, funciona como um concentrador de calor para os peludos e pode ser fatal.
FOCINHEIRA É CONFORTÁVEL?
Por lei, alguns cães só podem transitar com focinheira. Atualmente, no mercado pet, estão disponíveis diversos modelos do acessório que garantem segurança e, ao mesmo tempo, proporcionam maior conforto respiratório ao pet. Porém, é inegável que as focinheiras limitam a abertura da boca, o que diminui a quantidade e a velocidade de perda de vapor de água quente, principalmente quando se trata de modelos não gradeados. Para tornar o passeio mais confortável para os animais que necessitam de focinheira, o ideal é sair nos horários mais frescos do dia, como tarde da noite ou durante a madrugada.
BANHOS FRESCOS
Como os animais fazem maior troca de calor por meio das patas e da língua, não há necessidade de alterar a rotina de banhos. Porém, brincadeiras somente com água fresca podem ser úteis e refrescar. Só é preciso ter cuidado com a secagem da pelagem úmida, que deve ser feita com ar fresco, para evitar dermatites por fungos.
TOSAR OU NÃO? EIS A QUESTÃO!
Quanto menor o volume de pelo, menor a barreira criada entre o corpo e o ar ambiente, o que facilita a perda de calor pela dilatação dos vasos sanguíneos da pele. Por isso, algumas raças podem se beneficiar com a retirada de subpelo ou tosa. Porém, antes de recorrer à técnica, é importante consultar o veterinário para saber se existe indicação para ele, pois nem todos os pets devem ter seus pelos cortados.

DOENÇAS DA ESTAÇÃO
Além da insolação (intermação), que é a consequência mais grave e pode ser fatal, existem alguns quadros dermatológicos associados aos períodos chuvosos que ocorrem nas épocas de calor, como sarnas e doenças fúngicas. Também podem ocorrer as hemoparasitoses, como a doença do carrapato, que podem ser prevenidas com coleira especial, comprimidos e pipetas. Quem costuma levar o pet à praia deve ter atenção coma dirofilariose (verme do coração), que pode ser evitada com vacinação, uso de repelentes e alguns vermífugos. Doenças gastrointestinais também são comuns nessa época e geralmente são correlacionadas com a alimentação ou verminose/doenças por protozoários, e devem ser tratadas o quanto antes. “Não deixe que seu cão defeque na areia da praia, porque ele pode eliminar ovos de um verme chamado Ancylostomaque, na areia, desenvolvem-se em larvas que, em contato com a pele humana, penetram no local e, abaixo da pele, provocam uma dermatite popularmente conhecida como ‘bicho geográfico’”, acrescenta Flávia.
PROLIFERAÇÃO DEPARASITAS
Embora o verão seja propício para reprodução de pulgas e carrapatos, durante o inverno também existem condições favoráveis para sua proliferação. Por isso, em todos os períodos do ano é importante utilizar pulicidas e carrapaticidas. O veterinário poderá indicar o melhor medicamento e a posologia para cada caso. Algumas medidas de higiene, como manter quintais e casinhas limpas e secas, realizar a troca constante de cobertas e panos, além de manter jardins e gramas sempre aparados e limpos, auxiliam no controle ambiental desses parasitas. Há também carrapaticidas que se destinam à aplicação no ambiente, mas deve ser prescrito por um veterinário.
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Agradecemos a colaboração de Débora de Souza Veterinária clínica do Hospital Veterinário Taquaral, pós-graduada em clínica e cirurgia de pequenos animais pela IBVET e em dermatologia veterinária pela EQUALIS e Flávia de Rezende Eugênio Professora associada e livre docente em Clínica Cirúrgica de Pequenos Animais na UNESP, Faculdade de Medicina Veterinária- FMVA, de Araçatuba
Por Lila de Oliveira
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