Veterinária lista os cuidados necessários para a adoção responsável; Brasil conta com cerca de 30 milhões de animais abandonados, segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS)

Diante do aumento de casos de abandono e maus-tratos, cresce também o número de pessoas dispostas a resgatar e adotar animais em situação de vulnerabilidade. No entanto, após acolher um pet, é comum que surjam dúvidas sobre quais cuidados tomar para garantir sua saúde e adaptação. O primeiro passo, ao encontrar um animal abandonado — seja em situação de risco nas ruas ou em condições de negligência — deve ser garantir sua segurança e, assim que possível, levá-lo a uma clínica veterinária.
Mesmo que o animal aparente estar saudável, a avaliação clínica é indispensável para identificar doenças silenciosas, infecções, parasitas e traumas físicos. Além de comprometer a saúde do animal, essas condições podem representar risco à saúde de outros pets e até de humanos, como no caso de zoonoses.
A consulta veterinária inicial, geralmente, inclui exames laboratoriais (sangue, fezes, urina), testes rápidos para doenças infecciosas – como cinomose e parvovirose para cães, e para Imunodeficiência Viral Felina (FIV) ou Leucemia Felina (FeLV) para gatos – e o início de um protocolo de vacinação adequado. “Essa primeira avaliação é crucial para estabelecer um plano de cuidados, iniciar o controle de verminoses, pulgas e carrapatos e, em alguns casos, agendar uma castração”, explica a médica-veterinária Nathali Braz Vieira dos Santos, da rede Pet de TODOS.
O Brasil enfrenta uma realidade alarmante: estima-se que existam cerca de 30 milhões de cães e gatos abandonados no país, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Em cidades como São Paulo, a média mensal de resgates realizados por ONGs, clínicas e protetores independentes cresce de forma constante. Dados do Sistema de Informação de Vigilância de Zoonoses (SIVZ) apontam que, apenas em 2023, mais de 80 mil animais foram acolhidos em abrigos públicos e privados no estado paulista. Por isso, adotar um animal, com comprometimento, planejamento e acesso à informação, é muito importante.
Outro cuidado essencial é com a alimentação. Animais resgatados frequentemente chegam desnutridos, com o sistema gastrointestinal fragilizado ou sem hábito alimentar regular. “É fundamental oferecer uma ração de boa qualidade, sempre introduzida de forma gradual, respeitando a idade, o porte e o estado clínico do pet. Em muitos casos, o ideal é iniciar com rações terapêuticas, voltadas à recuperação nutricional e digestiva”, orienta Nathali. Mudanças bruscas na alimentação podem causar vômitos, diarréias ou rejeição, o que agrava ainda mais o quadro de debilidade.
No processo de adaptação, o ambiente físico e a preocupação com o estado emocional, também fazem diferença. Garantir que o pet tenha um espaço seguro, com abrigo limpo, água fresca, estímulos positivos e rotina de afeto é parte central de uma adoção responsável. “Muitos animais chegam traumatizados, medrosos ou agressivos, como resposta ao abandono. O tutor precisa ter paciência, respeitar o tempo do animal e criar uma rotina estável, para que ele se sinta acolhido e seguro”, reforça a veterinária.
Pensando no sentimento de pertencimento do pet, a escolha de um nome pode ajudar – gesto simbólico e afetivo que marca o início da relação entre o animal e sua nova família. Muitas vezes, esse momento é acompanhado pela escolha de uma coleira de identificação, que além de reforçar o vínculo, é uma medida importante de segurança. Incluir o nome do animal e um telefone para contato pode fazer toda a diferença em caso de fuga ou perda. “Dar um nome é mais do que uma formalidade, é o primeiro passo na construção de um laço emocional que ajuda o pet a se sentir parte daquele lar”, explica Nathali.
Por assessoria de imprensa



