Especialistas do mercado pet food desmitificam alguns pontos essenciais sobre a oferta de petiscos a cães e gatos

Petiscos podem ser uma ferramenta importante para reforçar o treinamento e criar momentos de carinho
Para ensinar nossos leitores a incluir petiscos de maneira saudável e segura na rotina dos pets, conversamos com alguns especialistas do segmento pet food de cães e gatos. Confira!
1. PODEMOS DAR PETISCOS TODOS OS DIAS PARA OS PETS.
Verdade. Para o médico-veterinário Gustavo Quirino, cães e gatos podem consumir petiscos diariamente, desde que a quantidade oferecida não ultrapasse a recomendação diária para cada animal. “Esse cuidado é fundamental para evitar o consumo excessivo de calorias e, consequentemente, o ganho de peso”, afirma. Para determinar a quantidade adequada de petiscos, o veterinário ensina que os tutores podem:
• Consultar as orientações indicadas no verso das embalagens, de acordo com o peso do animal;
• Entrar em contato com o serviço de atendimento ao consumidor da empresa fabricante;
• Consultar o médico-veterinário de confiança.
A médica-veterinária Amanda Lopes concorda que petiscos podem ser consumidos diariamente, desde que em quantidades moderadas e dentro do limite calórico recomendado para o pet e descrito na embalagem. “É importante que os petiscos façam parte de uma dieta equilibrada, e que o responsável ajuste a quantidade de ração para evitar excesso calórico. Além disso, é fundamental observar sinais de obesidade ou desconforto gastrointestinal, especialmente em gatos. Em animais com doenças crônicas, como insuficiência renal ou diabetes, a oferta de petiscos deve ser ainda mais criteriosa e sempre acompanhada por um veterinário”, destaca.
Já a médica-veterinária Kelly Carreiro ressalta que o consumo de petiscos não deve ultrapassar 10% da necessidade energética que o pet precisa consumir ao dia. Além disso, Kelly lembra que, além dos petiscos comerciais, que são elaborados pensando nos ingredientes que os pets podem consumir, existem os petiscos naturais, como frutas e legumes, que precisam de uma atenção especial, pois nem todos os alimentos comuns à alimentação humana podem ser oferecidos aos pets. “Muitos deles podem ser tóxicos para os animais. O tutor também deve se atentar às quantidades, pois não é porque é natural que pode ser oferecido à vontade”, alerta.
2. PETS PODEM SER ALIMENTADOS APENAS COM PETISCOS.
Mito. Kelly aponta que alguns pets amam os petiscos por serem muito atrativos e saborosos, e pode acontecer de não quererem consumir um alimento completo. “Assim, alguns tutores acabam cedendo e oferecendo apenas petiscos como alimento para os pets, o que pode comprometer sua saúde deles por falta de nutrientes, pois os petiscos não são alimentos completos e balanceados”, explica.
3. PETISCO FAZ MAL À SAÚDE DO PET E DEVE SER EVITADO.
Mito. Amanda diz que este é um dos maiores mitos que tutores acreditam. “Quando oferecidos de forma adequada e equilibrada, petiscos podem ser uma ferramenta importante para reforçar o treinamento e criar momentos de carinho, desde que escolhidos com qualidade e balanceamento nutricional. Porém os petiscos não podem substituir a dieta principal dos pets”, explica.
4. PETISCOS SÓ SERVEM COMO AGRADO?
Mito. Gustavo ressalta que, além de serem utilizados como estímulo ou recompensa, os petiscos também podem oferecer diferentes benefícios para cães e gatos. “Entretanto, isso dependerá das características e finalidade do produto. Alguns petiscos secos podem conter ingredientes funcionais que podem oferecer benefícios específicos, como prebióticos, que contribuem para o equilíbrio da microbiota intestinal, hexametafosfato de sódio e plaqueoff®, auxiliando no cuidado oral, entre outros”, diz.
Kelly concorda que petiscos cumprem bem a função de reforço positivo, recompensa para adestramento e enriquecimento ambiental, podendo ser colocados em brinquedos interativos ou outros acessórios. “Atualmente, temos no mercado petiscos com diversos benefícios adicionais, que vão desde cuidados com os dentes, até benefícios para pele, pelagem, articulações etc.”, reforça.
Amanda também enfatiza que os petiscos para cães e gatos vão muito além de um simples agrado: eles desempenham um papel importante na nutrição e no bem-estar dos pets. “É importante escolher petiscos de qualidade que se encaixem nas necessidades nutricionais específicas de cada animal. De forma geral, os petiscos podem ter a função de auxiliar na saúde bucal e digestiva dos animais, estimular o apetite, principalmente para os pets mais exigentes, além de serem usados como reforço de comportamentos positivos em treinamentos, socialização, interação e enriquecimento”, lista Amanda.
5. GATOS NÃO GOSTAM DE SNACKS!
Mito. Gustavo explica que este mito não é totalmente verdadeiro, pois o que acontece é que os felinos são naturalmente seletivos e, quando não são acostumados desde filhotes, podem estranhar petiscos com texturas ou formatos diferentes do que estão habituados. “Para que essa possível rejeição não aconteça quando adulto, é importante apresentar petiscos com diferentes texturas, sabores e formatos desde cedo, de forma gradual e respeitando as preferências individuais – inclusive, muitos gatos gostam e até esperam pelo momento do snack”, ensina.
Além da neofobia (fobia a coisas novas que não foram apresentadas aos gatos nos primeiros 6 meses de vida), Kelly ainda acrescenta: “É importante lembrar que cada pet é individual, e assim como alguns cães podem não gostar de petiscos, pode ter gatos que gostam ou não. O mercado tem buscado adequar os petiscos pensando cada vez mais na parte comportamental, e nas necessidades fisiológicas dos gatos para desenvolver novos produtos que atendam às especificidades de cada pet”.
Amanda explica que este é um mito bastante comum. “Cada gato tem suas preferências individuais e o paladar bastante seletivo. É interessante ofertar para os gatos desde cedo alimentos de diferentes texturas, pois isso aumenta a aceitação com o envelhecimento. Por isso, existe uma grande variedade de petiscos que levam em conta aroma, textura e sabor, desde snacks crocantes até pastas e líquidos, que podem agradar até os felinos mais exigentes. Para o gato, a textura é o fator de palatabilidade mais importante”, afirma.

Ofereça para os gatos alimentos de diferentes texturas desde cedo para que eles não rejeitem petiscos e alimentos úmidos
6. EXCESSO DE PETISCO PODE CAUSAR OBESIDADE?
Verdade. Gustavo alerta que cães e gatos podem ganhar peso quando os petiscos são oferecidos em excesso, ultrapassando a quantidade diária recomendada na embalagem ou conforme orientação do médico-veterinário. “Qualquer alimento (seja petisco ou ração), se fornecido em quantidades acima das recomendadas, pode levar ao ganho de peso”, acrescenta.
Amanda também enfatiza que o petisco pode ser prejudicial quando oferecido em excesso, ultrapassando as necessidades calóricas do pet ou quando substitui refeições principais, desequilibrando a alimentação. “A obesidade acontece justamente pelo excesso calórico acumulado, por isso é fundamental que os petiscos sejam oferecidos com moderação, dentro do planejamento nutricional do animal de estimação, e com orientação veterinária sempre que possível”, acrescenta Amanda.
7. PETISCOS INDUSTRIALIZADOS FAZEM MAL?
Mito. Gustavo explica que o fato de um petisco ser “comercial”, assim como outros alimentos, não significa que seja prejudicial à saúde de cães e gatos. “Na indústria pet food, marcas idôneas mantêm um compromisso sólido com a qualidade nutricional e a segurança alimentar, sempre pautado em ciência e regulamentações rigorosas”, diz.
Kelly concorda que se o petisco for de uma empresa ética, comprometida e formulado por especialistas, não há riscos. “Mas é importante ter atenção ao comprar o petisco, preferindo adquirir em embalagens devidamente fechadas, e posteriormente armazenar em casa de acordo com as recomendações do fabricante”, alerta.
Amanda concorda que, ao escolher petiscos industrializados, os tutores devem optar por marcas confiáveis para ter a certeza de que estão oferecendo opções seguras e saudáveis para seus animais de estimação. “Leiam os rótulos e escolham produtos que atendam às necessidades específicas de seus pets. A educação sobre nutrição e escolha de produtos de qualidade são fundamentais para garantir a saúde e o bem-estar de nossos cães e gatos”, finaliza Amanda.
Nossos agradecimentos:

Amanda Lopes
Formada em Medicina Veterinária na Universidade Federal de Pelotas e MBA em Marketing e Vendas, já atuou em clínica, mas se encontrou na área comercial, voltada a nutrição animal e hoje atua como Gerente Veterinária de Nestlé Purina.

Gustavo Quirino
É médico-veterinário graduado em Medicina Veterinária pela Unesp, com especialização em Educomunicação pela Anhembi Morumbi. Possui experiência em treinamento técnico, comunicação científica, nutrição de cães e gatos e tradução técnica. Atualmente é Analista de Treinamento Técnico na Adimax.

Kelly Carreiro
Formada em Medicina Veterinária pela Universidade Estadual do Norte do Paraná, possui pós-graduação em Nutrição de Cães e Gatos pela Qualittas e MBA em Mercado Pet pela USP. Atualmente é Analista de Desenvolvimento de Conteúdos Sênior na Special Dog Company.



