
Cafte Molosso di Jeriva (Tambo) – in memorian, de Fernando Starling, do canil Molosso di Jeriva: Tambo é um exemplar que representa muito bem a raça
Após 5 anos de espera – e de muito trabalho –, o Buldogue Campeiro (Brazilian Campeiro Bulldog) acaba de ser aceito oficialmente como raça pela Federação Cinológica Internacional (FCI), que tem a Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC) como representante no Brasil. Desde 2001 a raça figurava no grupo 11 da CBKC, de raças ainda não reconhecidas pela FCI, mas partir de 10 de agosto de 2025 foi incluída no grupo 2 – que inclui Pinscher e Schnauzer; Raças Molossóides; Montanheses Suíços e Boiadeiros. O reconhecimento da raça aconteceu durante o Mundial da FCI, realizado em Helsinque, Finlândia, durante a assembleia geral da FCI, na qual estavam presentes representantes da CBKC, como o presidente Fábio Amorim e o diretor técnico Ricardo Torre Simões. Com isso, o Campeiro é a quarta raça brasileira a obter o reconhecimento internacional. “Recebemos a notícia do reconhecimento internacional com grande alegria e a sensação de estarmos colocando no cenário cinófilo mundial mais uma raça brasileira saudável e com grande potencial para conquistar cada vez mais simpatizantes e apaixonados pelo Buldogue Campeiro”, comemora Luciano Kruel, criador de Buldogue Campeiro e coordenador do Conselho da Raça Buldogue Campeiro junto a CBKC. Ainda segundo Luciano, tais mudanças irão refletir também na criação e rotina dos plantéis brasileiros. “A seleção de tipo, saúde e temperamento ficará ainda mais necessária”, reforça.
Luciano explica que o processo de reconhecimento internacional da raça cumpriu diversas etapas, e a última delas foi a realização de uma mostra com um número significativo de cães, onde estes cães passariam pela análise da Comissão de Padrões e Comissão Científica da FCI. “A mostra aconteceu em Porto Alegre no mês de julho, contou com 35 cães que passaram pela análise dos Senhores Andrés Villalobos (México) e Jorge Nallen (Uruguai), representas da FCI”, diz. Entre os aspectos a serem comprovados para o reconhecimento internacional, e que foram realizados durante o processo, Luciano lista alguns: comprovação documental da existência histórica da raça na região do Rio Grande do Sul, e/ou em outras regiões do Brasil; comprovação documental da função principal da raça, e de suas funções adicionais através de vídeos e filmes; envio do padrão detalhadamente comentado com a descrição de cada particularidade da raça, explicando suficientemente as razões para que cada uma delas sejam necessárias à caracterização da raça; Indicar oito grupos familiares independentes, cada um com pelo menos dois machos e seis fêmeas, de duas ninhadas diferentes em cada grupo familiar, nascidas ao longo de um período de cinco anos. Nesses registros não deve haver ancestrais em comum ao longo de três gerações; entre outros.
Além destas tarefas, Luciano aponta que também tiveram que fazer um estudo sanitário referente a Displasia Coxo femoral, Displasia de Cotovelos e a Síndrome do Cão Braquicefalico, no qual foram laudados mais de 100 cães. “A CBKC, com a ajuda do Conselho, também providenciou um livro de apresentação com todos esses documentos e vídeos institucionais da raça”, acrescenta Luciano. Hoje já existem exemplares da raça nos Estados Unidos, Uruguai, Argentina, Chile, Paraguai, República Tcheca e França, mas com o reconhecimento internacional, o interesse por criadores de outros países deve aumentar. “A vontade dos criadores brasileiros é de que a raça conquiste o mundo, tornando-a amada no Brasil e em outros países”, finaliza.
Por Samia Malas



