Como passear sem estresse com o cão

Saiba como corrigir o seu cão caso ele tenha o hábito de pular em desconhecidos, perseguir bicicletas, motos e carros ou atacar transeuntes

Imagem de Katrin B. por Pixabay

Na edição passada, mostramos como treinar o cão para não latir em excesso fora de casa, para saber se comportar no carro e para não ser agressivo com outros cães. Nesta matéria ensinamos a corrigir comportamentos que estejam prejudicando a qualidade das caminhadas.

Pular nos transeuntes
Os cães mais sociáveis, no afã de se relacionarem com as pessoas, tendem a pular nelas apoiando as patas frontais. Esse comportamento costuma aparecer quando o animal aprende que, com isso, consegue dar início a uma interação com o dono.
A partir daí, muitas vezes os pulos passam a ser praticados também com desconhecidos, incomodando-os e até levando-os a serem agressivos. Afinal, pular em alguém pode, além de assustar, sujar a roupa da pessoa e, em alguns casos, machucar.

Para corrigir: Comece os treinos mostrando ao cão um pedaço do petisco favorito dele, de modo que ele o cheire. Em seguida, fique
ereto, sempre com o petisco na mão. Aguarde três segundos e, se o cão manteve as quatro patas no chão, sinal de que não tentou pular em você, clique(*) e recompense-o com o pedaço de petisco. Caso ele pule em você, vire as costas e saia do local, privando-o da sua companhia. Cinco minutos depois, retorne e reinicie o exercício. Aumente o intervalo entre as entregas do prêmio até que a recompensa seja dada apenas ocasionalmente, o que pode ser feito também com carinhos (reforçar periodicamente o bom comportamento
é importante para mantê-lo). Durante os passeios, saia com o cão usando guia curta e, se ele tentar pular nos passantes, não permita que os alcance. Na maioria dos casos, a frustração por não conseguir encostar nas pessoas é suficiente para, aos poucos, o cão se sentir desestimulado e abandonar o comportamento. Quando ele estiver deixando as pessoas se aproximarem sem pular nelas, permita que elas o acariciem e, caso ele tente pular, controle-o com a guia. A intenção é mostrar que, para receber atenção e carinho, não é preciso pular.

Perseguir carros, motos, skates e bicicletas
Perseguir alvos em movimento tem a ver com o instinto de caça presente na maioria dos cães. Além de carros, motos, skates e bicicletas,
outros alvos bastante comuns são os pássaros e as pessoas, especialmente as crianças, pelos ruídos que produzem e por seus movimentos rápidos.

Para corrigir: Uma boa estrategia é suprir a necessidade de perseguição com sessões de arremesso de objeto para o cão pegar, como bolinha, pedaço de madeira ou frisbee. Outra iniciativa é ensinar o cão a não fazer perseguições. Por exemplo, se ele costuma perseguir bicicletas, você pode levá-lo na guia até um parque e ficar posicionado com ele a pelo menos 10 metros do portão por onde
os ciclistas entram. Cada vez que uma bike passar, se o cão não tentar persegui-la, clique e recompense-o com o petisco favorito dele. Caso ele tente perseguir, não o recompense – contenha-o com a guia e afaste-se mais alguns metros da entrada. O objetivo é mantê-lo a uma distância tal que não o estimule a perseguir, para poder premiá-lo. Depois de passarem algumas bicicletas com o cão permanecendo sempre tranquilo, aproxime-o um pouco mais do local por onde elas circulam, sempre premiando o animal por não perseguir. Assim, aos poucos, ele poderá ficar tranquilo bem perto de onde os ciclistas andam. A partir daí, o petisco pode ser substituído por afagos, mas ocasionalmente convém entregar também um petisco, para manutenção do bom comportamento. A mesma técnica pode ser aplicada com os demais tipos de perseguição que o cachorro costuma fazer.

Foto de Lemon Park por Pixaby

Atacar nos passeios
O cão que se sente inseguro perto de gente desconhecida precisa ser socializado para evitar que se torne uma ameaça à comunidade. Basicamente, aumenta-se a sociabilidade associando aproximidade das pessoas com coisas boas, como petiscos e carinho. Muitas vezes, essa técnica, apesar de simples, dá tão certo que a tranquilidade do cão diante da aproximação das pessoas as estimula a querer interagir com ele. Mas não há necessidade de chegar a esse ponto, se isso for atrapalhar o passeio. Basta evitar que o cão seja agressivo em ambiente público.

Para corrigir: Saia para os passeios levando petiscos. No começo, caminhe com o cão em uma rua ou parque calmo, de forma que seja possível mantê-lo a uma distância segura das pessoas. Sempre que algum passante estiver se aproximando, observe bem o animal e mantenha-o a uma distância em que não dê sinais de incômodo, medo ou agressividade. Se ele estiver calmo, clique e recompense. A cada três segundos, clique e recompense de novo, até que a pessoa tenha passado por vocês. Os comportamentos caninos clicáveis costumam ser olhar
para a pessoa ficando tranquilo, ignorar a pessoa, farejar o chão ou olhar para outra direção. Caso o cão exiba algum sinal de desconforto ou agressividade, identifique a partir de qual distância dos passantes isso começa a acontecer e passe a treinar mais longe, para poder recompensá-lo por permanecer tranquilo. Nas etapas seguintes, reduza a distância gradualmente até conseguir que o cão aceite a proximidade das pessoas sem se comportar mal. Nunca force o cão a se aproximar de alguém se ele não quiser, caso contrário as chances de ataque são grandes.

Advertência: Caso você não se sinta confiante quanto a perceber os sinais dados pelos cães ao se sentirem desconfortáveis com a proximidade de alguém, busque um profissional que ensine a leitura desses comportamentos para poder tomar providências antes que ocorra um ataque. O desconforto do cão pode ser por medo, o que se percebe quando ele se afasta do desconhecido ou tenta se esconder entre as pernas do dono ou, ainda, enfiar a cauda entre as próprias pernas. Há também os sinais de hostilidade, como arrepiar os pelos do dorso, franzir os lábios levemente, mostrar os dentes, latir e rosnar.

(*)Prefira clicar: o clique é ideal para passar mensagem de aprovação ao cão. É instantâneo, emitido e ouvido no exato momento do acerto. Não está sujeito a interferências como as das conotações de voz. E o cão não precisa estar perto para se sentir estimulado. Por
isso, acostume-se a clicar para comunicar aprovação com eficiência (se não estiver com um aparelhinho para clicar, estale os dedos ou a língua). Saiba mais sobre o uso do método clique e o ensino de comandos como o “senta” e o “fica”. Em www.caes-e-cia.com.br/adestramento/barreto.htm.


André Barreto treina cães há 14 anos e é especialista em adaptação de cães para o convívio doméstico. Tels.: (11) 2503-7333 e 5093-6244. Site: www.andrebarreto.com


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