A cachorrinha Ceguinha passou por cirurgia para corrigir um bloqueio atrioventricular descoberto durante acompanhamento veterinário.

Check-up periódico e reconhecimento de sinais e sintomas da doença são essenciais para evitar a morte súbita e melhorar a disposição.
Uma vira-lata de pequeno porte, de 16 anos, moradora de Olímpia, no interior de São Paulo, acaba de ganhar uma nova chance de vida. Ceguinha, como é carinhosamente chamada pela família, recebeu um marca-passo após ser diagnosticada com bloqueio atrioventricular, uma alteração grave no sistema elétrico do coração.
Ceguinha vive cercada de amor: além de seus tutores, divide a casa com outros 30 cães resgatados das ruas. Ela foi a primeira a chegar à família e recebeu esse nome porque perdeu a visão de um dos olhos. O problema cardíaco foi descoberto durante um check-up de rotina. Na ocasião, os exames identificaram um bloqueio atrioventricular, que passou a ser acompanhado periodicamente.
Recentemente, porém, o quadro evoluiu. Ceguinha sofreu um desmaio e chegou ao hospital com frequência cardíaca extremamente baixa, de apenas 25 batimentos por minuto. “O responsável percebeu que ela estava diferente e logo procurou ajuda. Isso foi fundamental. Muitas vezes, sinais como cansaço, fraqueza ou até um episódio de desmaio acabam sendo atribuídos apenas à idade avançada do animal, quando, na verdade, podem indicar uma doença cardíaca importante”, afirma Monique Abdul Gha, veterinária do Hospital Veros, que acompanha Ceguinha há anos.
O bloqueio atrioventricular ocorre quando os impulsos elétricos que comandam os batimentos do coração não conseguem passar adequadamente dos átrios para os ventrículos. Com isso, o coração passa a bater de forma muito lenta, comprometendo a circulação de sangue e oxigênio pelo organismo. “Quando o bloqueio é avançado, o coração pode ficar incapaz de manter uma frequência adequada. Em casos como o de Ceguinha, o marca-passo é o tratamento indicado para evitar novos desmaios, reduzir o risco de morte súbita e devolver qualidade de vida ao animal”, explica a especialista.
A cirurgia de Ceguinha foi realizada com sucesso: o dispositivo passou a assumir o controle dos batimentos cardíacos, mantendo a frequência em níveis seguros. Agora, ela segue em recuperação – o coração está bem, e ela continua cuidando da saúde enquanto recebe o carinho de toda a família.
Atenção aos sinais e sintomas
O caso de Ceguinha serve de alerta para os responsáveis, especialmente de cães idosos. O bloqueio atrioventricular pode surgir de forma silenciosa e, em muitos casos, os primeiros sintomas são confundidos com o envelhecimento natural. É importante buscar orientação veterinária caso sejam observados:
● cansaço excessivo;
● intolerância a exercícios ou caminhadas;
● fraqueza;
● episódios de tontura ou desorientação;
● desmaios;
● respiração ofegante;
● sono excessivo;
● redução do apetite.
Em alguns casos, o animal também pode urinar durante um episódio de desmaio. Foi o que aconteceu com Ceguinha. Inicialmente, a família pensou que ela estivesse apenas dormindo e apresentando incontinência urinária. Como os tutores mantinham o acompanhamento veterinário em dia, procuraram ajuda rapidamente, o que contribuiu para o sucesso do tratamento. “Nem todo desmaio é percebido como tal. Às vezes, o tutor vê o animal caído e acredita que ele apenas está mais quieto e perdeu urina por conta da idade. Por isso, qualquer mudança de comportamento deve ser investigada”, frisa Monique.
Check-up é essencial para cães idosos
Os especialistas reforçam que o acompanhamento preventivo é a melhor forma de diagnosticar precocemente alterações cardíacas. Para cães idosos, o ideal é realizar check-up veterinário a cada seis meses. Em animais com doenças cardíacas já identificadas, a frequência pode ser maior, conforme orientação do veterinário.
Entre os exames que ajudam a detectar bloqueio atrioventricular e outras cardiopatias, estão o eletrocardiograma; o ecocardiograma; a radiografia de tórax e o de sangue. “O eletrocardiograma é o exame mais importante para identificar o bloqueio atrioventricular, mas a investigação costuma incluir outros, com o propósito de avaliar o coração como um todo”, expõe Monique.
Por assessoria de imprensa



