Poodle Toy: parceiro da família

Poodle Toy com tosa leão: pompom nas patas e cauda – Foto: Arquivo do canil Edy Sheybux

Ele proporciona excelente companhia e se destaca como cão terapeuta e no agility 

o previstos para o Poodle no padrão adotado pela Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC), o Toy foi um dos últimos a ser desenvolvido. Enquanto da seleção dos maiores exemplares Médios surgiu a variedade Grande, da seleção dos menores vieram o Toy e o Anão. Com o tempo, os dois últimos se transformaram em cães de luxo da alta sociedade na França. “O Toy foi criado para atender a corte real e vivia como companhia das damas”, informa Giovana Bião Neves, do canil Edy Sheybux, de Salvador, 1º colocado em 2019 pelo ranking de Poodle Toy da CBKC. “Nessa época, as damas da corte francesa os usavam até para esquentar as mãos do frio”, detalha a juíza internacional de todas as raças Maria Glória Romero, do canil Shambala, de Embu das Artes, SP, o mais antigo de Poodle Toy no Brasil: cria desde 1982. 

Evolução da criação brasileira

Na foto, filhotes da cor marrom – são também aceitas no padrão as colorações preta, branca, cinza e fulva – Foto: Arquivo do canil Edy Sheybu

Até 2005 o número de pedigrees
concedidos a cada um dos tamanhos de Poodle não era divulgado pela CBKC. Em 2006, 1.780 Toys foram registrados pela entidade. Desde então ficou evidente se tratar da variedade de Poodle mais popular no Brasil, com ampla vantagem sobre as demais. “O Poodle Toy típico chama a atenção por sua beleza e elegância e, ao mesmo tempo, aparenta ser um filhote pela vida inteira”, afirma Glória.

A partir daí, a quantidade registrada de Poodle Toy foi caindo anualmente até que em 2016 apenas 410 receberam pedigrees da CBKC. “Restaram poucos criadores a tal ponto de o Poodle Clube Paulista, do qual fui fundadora e presidente, ter sido fechado em março de 2014, pois não tínhamos mais sócios”, lamenta Glória. “Isso decorreu do fato de que, na época de maior popularidade do Poodle Toy, havia muitos vendedores-criadores inventando modas, prejudicando bastante o desenvolvimento e melhoramento dele, o que acabou por acarretar na rejeição das pessoas. Por exemplo, o nanismo foi consequência desse período infeliz”, acrescenta ela. 

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O Poodle Toy típico é alegre e bem- -humorado – Foto: Arquivo do criador do cão (canil Shambala)

De 1987 a 1994, o Poodle foi o cão número 1 em registros anuais pela CBKC. “Infelizmente ingressaram na criação pessoas que fizeram cruzamentos indevidos para que nascessem exemplares comumente chamados pelo público de micro toys. Pelo padrão da CBKC eles não existem, são apenas Toys fora do padrão e que certamente têm sua saúde comprometida”, afirma Giovana. Ela completa: “A delicadeza do Poodle Toy e o fato de ele exibir o menor tamanho da raça são os fatores que mais chamam a atenção das pessoas, mas é preciso ressaltar que, pelo documento, a variedade vai de 23,1 a 28 cm, e a altura ideal é de 25 cm”.

Em 2017 e 2018 o número de registros para Poodle Toy subiu, respectivamente, para 450 e 492. “Houve um aumento de criadores dessa variedade, que já está recuperando seu lugar de glamour dentre os cães no País. A população voltou a acreditar no potencial do Poodle Toy”, afirma Giovana. Mas, em 2019, apenas 431 exemplares da variedade receberam pedigrees da CBKC. “A criação ainda está devagar”, constata Glória. 

A procura muito mais estável por um Poodle Toy hoje no Brasil proporciona benefícios para esse cão. “Em geral, os poucos criadores que ficaram têm feito um trabalho mais focado no melhoramento da qualidade dele, tanto quanto à saúde como ao temperamento e beleza”, diz Glória. Giovana afirma: “Muitos dos criadores atuais têm investido na aquisição de cães do exterior, para que seus descendentes nasçam aqui. E, em geral, os canis estão mais seletivos e criteriosos nos cruzamentos e inclusive vendem exemplares já castrados, evitando assim que o Poodle Toy venha a se expandir de forma errada nas mãos de quem não sabe criar”. 

O Poodle Toy Cookie e o Poodle Anão Brownie fazem uma diferença muito grande no bem-estar emocional de Ana Luiza (foto à esquerda) e Ana Paula – Fotos: Arquivo de Ana Luiza Furrer/ Criador dos cães: canil Edy Sheybux

Funções

No mundo, todas as variedades de tamanho do Poodle são utilizadas, na maioria das vezes, como cães de companhia. “E o Toy costuma ter a preferência do público justamente pelo seu porte, que o faz se habituar melhor aos espaços reduzidos da vida moderna. Além disso, sua manutenção é menos trabalhosa”, afirma Giovana. “Os exemplares típicos são alegres, bem-humorados e se adaptam a qualquer ambiente, além de gostar de todos na família, sendo ideal não só para crianças como também para idosos“, completa Glória. “Em meu país há vários Poodle Toy atuando na terapia canina em diversos asilos, inclusive como auxiliares para gente de idade avançada com deficiência auditiva. Isso é possível por ele gostar de pessoas, de receber instruções delas e, diferentemente dos habituais cães-guias, não soltarem pelos, o que é considerado muito apropriado, já que compartilham tudo na vida desses seres humanos. Inclusive em se tratando de acordarem juntos”, comenta a criadora japonesa Sachyo Kitatani, do canil Pop Trick.

Função esportiva: alegre e bom de correr, o Poodle Toy se sai muito bem no agility – Foto: Rolilla/ Criador do cão: canil Pop Trick

No Brasil, há cães da variedade que ajudam seus tutores em questões médicas. É o caso da estudante de psicologia Ana Luiza Furrer, que recebeu dos pais o Poodle Toy Cookie, hoje com quase 2 anos. Na época ela estava com depressão muito grave. “Cookie realmente me ajudou a sair desse quadro. Na época que o ganhei, tomava seis remédios de tarja preta. Comecei a reduzir a partir do terceiro mês com Cookie e agora eu só tomo um e tudo está controlado”, relata Ana Luiza. Ela acrescenta: “Nas crises, Cookie ficava bem próximo, me lambendo ou apenas fazendo companhia até que eu melhorasse: ele zelava muito por mim”, conta a estudante, que queria um Poodle Toy por qualidades como não soltar pelos e ter tamanho pequeno – o que o possibilitaria ficar na cama com ela durante períodos ruins de depressão – e por saber de sua grande inteligência.

Os donos de Poodle Toy costumam ser criativos na hora de definir o estilo e penteado de seus exemplares – Foto: Arquivo do criador do cão (canil Shambala)/Nome do cão: Shambala Emily Pepper (@emilypepper16)

No ranking sobre obediência e adestrabilidade elaborado pelo psicólogo canadense Stanley Coren, que avaliou 138 raças e variedades no livro A Inteligência dos Cães, o Poodle em geral (considerando os quatro tamanhos) ocupa a 2ª posição, o que lhe rendeu a qualificação “cães dos mais brilhantes”. “O Poodle Toy é um dos cachorros mais inteligentes que existem”, afirma Giovana.

Poodle Toy com tosa moderna adaptada, em exposição de 2015 – Foto: Bruno Sant’Ana/ Proprietário do cão: canil Edy Sheybux

Hoje Ana Luiza vive há cinco meses em Portugal e, por enquanto, Cookie permaneceu com a sua família em Salvador, onde vive junto do Poodle Anão Brownie, de 1 ano e meio, dos pais de Ana Luiza e de sua irmã, Ana Paula, de 21 anos, que possui síndrome de Down. “Tanto Cookie quanto Brownie são muito carinhosos com minha irmã e já parecem conhecer os humores dela, se afastando quando não está bem e se aproximando quando está melhor. Eles despertaram nela um senso de responsabilidade e atenção muito grandes e um sentimento de cuidado com outro ser vivo. Tudo isso fez com que se tornasse mais madura e percebesse que é importante para outra vida”, diz Ana Luíza. Ela conta também que os dois cães são castrados e sempre têm acesso aos interiores da casa. “A minha irmã gosta muito de abraçá-los, com bastante carinho, e de brincar com eles de jogar bola e correr – os três também, às vezes, ficam todos deitados na cama”.

Alegres e bons em correr, há também muitos desses cães que se destacam nas pistas de agility do mundo. “Um de meus exemplares ficou em 12º lugar no Agility World Games”, diz Sachyo. “Já vi o Poodle Toy atuar no agility e ele se sai muito bem”, diz Glória.

Manutenção

Tosa German: “Ela delineia o corpo do cão, que fica todo alinhado”, diz Giovana – Foto: Johnny/ Nome do cão: Alvim Edy Sheybux/ Proprietário do cão: canil Edy Sheybux/ Handler na foto: Lucia Aranha

 Quando típico, o Poodle Toy se destaca pela boa longevidade e excelente saúde. Quanto à pelagem, uma grande particularidade do Poodle, incluindo o Toy, está no fato de ele não soltar pelos. “Isso o torna também hipoalergênico”, diz Glória. “Muitas pessoas em meu país vivem em lares pequenos e sofrem de alergia aos pelos de cachorros. Além disso, diversas famílias possuem um único filho. Com isso, para o objetivo de fazer companhia a uma criança, o Poodle Toy é o principal eleito na hora de escolher um cão por aqui”, conta Sachyo. Não por coincidência, no Japão, 72.941 cães da variedade receberam pedigrees do Japan Kennel Club em 2019, número que o colocou em 1º lugar entre cerca de 140 cães no ranking de registros de lá. 

Glória afirma que são simples os cuidados para que um Poodle Toy mantido como pet apresente pelagem saudável: “Banhos e escovação uma vez por semana com um bom xampu neutro e aparar/tosar uma vez ao mês ou conforme a necessidade, algo que todo pet shop sabe fazer perfeitamente”, diz ela, que completa: “Pode-se fazer revitalização com um bom creme nutritivo uma vez por mês, deixando uns 10 minutos e depois o tirando totalmente durante a lavagem”.

 “O Poodle, incluindo o Toy, é também a raça com maior diversidade de tosas: além das mencionadas pelo padrão, há as criativas e não à toa o mundo dos groomers – tosadores – tem preferência total por ele”, comenta Giovana. “Aqui em meu país, acredito que os groomers estejam entre os melhores do mundo e, também por isso, alguns donos de Poodle Toy mudam os estilos de penteados de seus exemplares todo mês, aproveitando igualmente a grande variedade de cores e a pelagem cheia desse cão: o resultado sempre é bonito e agradável de ver”, diz Sachyo.

 “No Brasil, a tosa carneirinho é a mais procurada para os exemplares pets: ela dá um aspecto de filhote fofinho que todo mundo gosta”, diz Glória. Não por coincidência essa tosa é chamada no padrão CBKC de “tosa em filhote” e se caracteriza, entre outros, por deixar o topete da cabeça em altura moderada, a cauda em forma oval ou alongada e os ângulos gerais arredondados. Giovana pondera: “Muitos realmente optam por essa tosa, porém, para exposição, ela só é aceita em filhotes”. Além dela, o padrão CBKC aceita outras quatro: leão; moderna; à inglesa; e escandinava (também chamada de tipo de corte Terrier e, por alguns, de German). “Em se tratando de um Poodle Toy pet, a German e a moderna são as mais práticas para o cão, criadores e clientes, principalmente no verão, pois deixa os exemplares com visual mais leve”, diz Giovana. Ela finaliza: “Essas duas tosas são, aliás, bem próximas, praticamente as mesmas: a principal diferença é que na German os pelos na cauda e nas orelhas são raspados, enquanto que na moderna as orelhas e a cauda são mais peludas”.


Por: Fabio Bense 

Agradecimentos:

GIOVANA BIÃO NEVES, canil Edy Sheybux  – (71) 99248-2176, giovana.biao@gmail.com, Facebook: Giovana Bião Neves, Instagram: @Canil Edy Sheybux 

MARIA GLÓRIA ROMERO, canil Shambala – (11) 94112-0682, 96223-4501, www.shambala.vet.br, shambala@globo.com, canal YouTube: canilshambala1

SACHYO KITATANI, canil Pop Trick – www.facebook.com/sachiyo.kitatani/ 

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