Vamos entender melhor como cães sentem a separação do dono em diferentes situações?

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Atualmente os cães são considerados membros da família. E, por conta disso, partilham de boa parte da rotina e das atividades diárias de seus tutores. Mas nem sempre é possível incluir o pet em todas as programações. Algumas vezes, é preciso deixar o cão sozinho em casa e, dependendo da rotina e do vínculo afetivo entre o cão e os donos, os pets podem desenvolver uma dependência emocional bem maior do que a desejada. Passamos por um período difícil nos últimos anos, por conta da pandemia. E, durante essa fase, os cães tinham a companhia de seus tutores praticamente 24 horas por dia, todos os dias. Dormiam no mesmo quarto, faziam suas refeições ao mesmo tempo de seus donos, assistiam televisão juntos, acompanhavam seus donos em cada cantinho da casa… Enfim, a atenção dada a eles aumentou consideravelmente e, de repente, tudo isso começou a mudar. Os tutores que passavam o tempo todo em casa começaram a voltar à rotina normal de trabalho e às tarefas fora de casa. Muitos cães, durante e principalmente após a pandemia, sentiram muito essa mudança e começaram a apresentar sentimentos de solidão, tristeza e abandono, sintomas da chamada ansiedade de separação ou síndrome do abandono. As características principais apresentadas são latidos, choros e uivos que só cessam com a presença dos donos em casa e, eventualmente, quando esse comportamento está bem avançado, o cão fica prostrado, não se alimenta e, em alguns casos, não se hidrata.
Cães sentem rejeição e têm noção de tempo?
Assim como os humanos, os cães têm sim o sentimento de rejeição e abandono, mas não exatamente da mesma forma que nós. Um estudo publicado na revista Psychology Today revelou que os cães sentem mais a nossa falta quando ficamos longe por longos períodos. Outro estudo, que compilou dados de exames de ressonância magnética em diferentes cães, também mostrou que os cães têm alguma noção do tempo. Eles descobriram que depois de duas horas, os cães cumprimentavam seus donos com mais intensidade do que depois de 30 minutos sozinhos. No entanto, não houve diferença entre duas e quatro horas. Isso sugere que os cães percebem a diferença entre 30 minutos e duas horas, mas, em relação a períodos maiores, ainda não está claro. Em outras palavras, os cães podem começar a sentir falta de seus donos a partir do momento em que se separam. Depois disso, continuam sentindo falta deles cada vez mais, por até duas horas. Após o período de duas horas, eles entram em estado de melancolia até verem seu dono novamente.
Como evitar que isso aconteça?
É importante que o cão aprenda – e saudável que ele entenda – que é normal ficar sozinho por algum tempo. Que seu dono vai se ausentar por algumas horas, mas logo retornará para casa. Assim, é fundamental preparar o cão, seja ele filhote ou adulto, fazendo saídas curtas de casa e aumentando esse tempo fora de casa gradativamente, para que, aos poucos, ele vá se adaptando a essa ausência. É válido recompensar com elogios e carinhos sempre que o cão estiver calmo e tranquilo, a fim de mostrar a ele que, com esse comportamento, ele recebe sua atenção. Evite dar qualquer tipo de atenção, petiscos ou brinquedos quando o cão estiver ansioso, te seguindo pela casa e choramingando, principalmente ao notar que você está se preparando para sair. Caso contrário, você estará sempre reforçando o comportamento indesejado. Um cão filhote se adapta em um curto período; já os cães adultos demandam mais empenho e dedicação de seus tutores para se ajustarem à nova rotina.
E os cães que são abandonados ou doados?
Quando o cão é acolhido por uma nova família, ele obviamente traz informações do seu passado. Referências de família, hábitos que já tinha e por vezes alguns traumas. Mas os cães vivem o presente – o passado serve apenas como referência. As boas lembranças nós mantemos; as ruins, que incluem traumas, se tratadas da forma correta, são superadas. E, assim, o cão pode viver super bem na nova casa, desfrutando da companhia de seus novos tutores. Não recomendo que, no caso de um cão que foi doado, seja por qual for o motivo, ele receba visitas frequentes de seus antigos donos, pois ele terá uma “falsa esperança” de voltar à sua antiga casa. Por outro lado, temos que pensar tanto no sentimento do cão quanto nos sentimentos da antiga família, que talvez tenha doado o pet por motivo de saúde ou algo nesse sentido. Visitá-lo esporadicamente por conta da saudade é compreensível, mas, tendo em vista a parte técnica comportamental, isso não fará tão bem para o cão, somente para os antigos donos.
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Nossos agradecimento à Ricardo Tamborinia, Adestrador e Especialista em Comportamento Canino.
www.ricardotamborini.com.br
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