4 raças ideais para quem gosta de fazer trilha

Foto: IstockPhoto

Várias raças podem fazer esse tipo de atividade, que diverte e gasta energia, mas aqui destacamos quatro delas

As trilhas caninas são passeios a pé na natureza, nos quais cão e dono se exercitam percorrendo vários quilômetros. Elas costumam apresentar desafios a serem superados, como escalar áreas pouco acessíveis, se esgueirar por matas fechadas, subir em pedras e transpassar riachos. Dezenas de raças reúnem características favoráveis para tanto, como porte de médio a grande – que proporciona vigor físico maior para aguentar trechos mais longos ou cansativos – e pelagem não exageradamente longa a ponto de enroscar em arbustos durante a trilha. É o caso, por exemplo, dos cães do grupo 7 em geral (Braco Alemão, Dálmata, Pointer, Rhodesian,
Vizsla etc.) e do Australian Cattle Dog, Border Collie, Collie Pelo Curto, Pastor Alemão, Malinois, Boxer, Bullmastiff, Dobermann, Rottweiler, American Staff, Beagle, Bloodhound, Rastreador Brasileiro, Labrador, Whippet e Pit Bull. A seguir, destacamos quatro delas.

Pastor Alemão

Percorrer diversos quilômetros nunca foi problema para esta raça, excelente cão de trabalho e querido pet da família. Desenvolvida por meio de seleção rigorosa, a partir de 1899, pelo ex-capitão da cavalaria alemã Max von Stephanitz, já na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) serviu o exército germânico como mensageira e carregadora. “Por ser muito ágil, o Pastor Alemão pode realmente se tornar um ótimo amigo para trilhas”, diz Marcelo Ravagnani, do canil Ravagnani, de São Bernardo do Campo, SP.

As trilhas realizadas por Frigga envolvem mata fechada: rústica, ela aguenta bem o tranco da caminhada – Foto: Arquivo do canil Ravagnani

O criador explica que o início da prática de trilhas deve ocorrer após os 12 meses de vida de um Pastor Alemão, quando se recomenda uma visita ao veterinário, para avaliação física, e um raio-X, a fim de assegurar a ausência de displasia coxofemural e dos cotovelos. “Mas, antes disso, o dono pode socializar seu cão com leves caminhadas”, conta Marcelo. Com a autorização, já pode se praticar as trilhas. “A intensidade destas vai aumentando gradativamente, para não forçar o cão em demasia, até que ele atinja seu perfeito condicionamento físico”, diz Marcelo. A idade para interromper a prática dependerá de cada exemplar. “O acompanhamento anual com check-ups de saúde irá orientar a melhor hora”, conta o criador.

A fêmea de Pastor Alemão Frigga, que nasceu no canil de Marcelo há cerca de um ano e meio, realiza trilhas com seus donos, Carlos Azoni e a esposa, Jeanete Gomes, de Guararema, SP. “É uma boa maneira de ela drenar um pouco a energia acumulada, já que Frigga é muito atlética e ativa”, diz Carlos, técnico em saneamento básico. “Além disso, como moramos em um sítio, mato é o que não falta por aqui”, completa. Ele explica também que as trilhas, no início, se estendiam de 3 a 5 km. “Hoje não saímos para andar menos de 10 km, que percorremos em cerca de duas horas, uma vez por semana”, informa ele, que ressalta o fato de Frigga ser excelente companheira, do tipo que nunca sai de perto do dono. 

Carlos toma alguns cuidados relacionados ao controle da temperatura de Frigga durante as trilhas. “Evito deixá-la caminhar em asfalto, procuro sair em horários de pouco calor, além de mantê-la hidratada durante a trilha: levo a água dela e vou dando aos poucos durante o percurso”, relata. Chegando em casa, Frigga ganha uma esguichada de água, o que adora: ela faz questão de se molhar para se refrescar. “Isso pode ser devido à pelagem densa, quase impermeável: secou, fica limpa de novo”, conta Carlos.

Pit Bull

 Esta raça tem aptidão para práticas esportivas de alto rendimento, como as trilhas. “O Pit Bull é ágil, forte e resistente, qualidades de vital importância para tal atividade”, diz Lucas Duarte, do canil Duarte DWK, de São Caetano do Sul, SP. “Além disso, ele é inteligente e muito parceiro, bastante ligado ao dono realmente, pontos importantes e que também fazem diferença ao realizar uma trilha”, completa o criador.

Erb e Hera: as trilhas são organizadas por um grupo de amigos de Erb, e várias raças participam (na foto, um Cane Corso) – Foto: Arquivo de Erb Santos

Mas um Pit Bull filhote ainda não deve praticá-la – é preciso esperar que fique amadurecido, para evitar lesões que podem acabar com seu futuro como cão atleta. “Porém, ele pode iniciar treinos leves e dosados a partir dos 9 meses, por meio de caminhadas e pequenos trotes”, diz Lucas. Ele acrescenta: “depois de 1 ano, o Pit Bull já começa a ter totais condições para fazer trilhas”. Quanto à interrupção da atividade, Lucas comenta que varia de cão para cão. “Conheço exemplares de 9 anos com grande vigor e condições físicas para trilhas: a vida longa ou não de um Pit Bull atleta vai depender se ele foi bem cuidado com relação à saúde, à alimentação e outros fatores”, afirma.

Recomenda-se manter o Pit Bull sempre hidratado durante as trilhas e evitar expô-lo a situações em que terá desgaste físico muito grande, como horários nos quais as temperaturas são demasiadamente frias ou quentes – quanto ao último caso, o ideal é sair antes das 8 horas da manhã, quando o sol não está forte. “O Pit Bull deve ser bem alimentado, mas não ofereça comidas pesadas a ele antes das trilhas”, comenta o criador. Ao retornar à casa, é importante proporcionar repouso para o exemplar da raça. “Não se deve submetê-lo a mais exercício e sim deixá-lo descansar, hidratá-lo e, depois de uns 40 minutos, colocar a ração para ele”, afirma Lucas, que comenta também ser válido conversar com um veterinário sobre a necessidade de oferecer algum suplemento.

A Pit Bull Hera nasceu há pouco mais de um ano, no canil Monteiros, e faz trilhas com seu dono, o personal trainer Erb Santos, e a esposa dele, Malena. “Elas ocorrem há pouco tempo e costumam se estender por cerca de 5 km de percurso na região de Aldeia, em Camaragibe, PE”, conta Erb, que acrescenta: “Hera tem muita energia e é bastante atlética”. Ele explica que a Pit Bull toma medicação contra carrapatos, tipo de precaução essencial para trabalhos no mato. “E, durante as trilhas, eu carrego itens de primeiros socorros como gaze, pomada ou spray cicatrizante, lenço umedecido e esparadrapo”, diz Erb. 

Vizsla

Trilhas são exercícios naturais para esta raça. “O Vizsla, em sua origem, era utilizado principalmente para caça nos Cárpatos, região europeia com terrenos de grande dificuldade, que o preparou para ser muito resistente e bastante ágil, qualidades exigidas nas trilhas”, afirma Bruno Soares, do canil
Vizsla Carioca, do Rio de Janeiro. “A raça é também extremamente ligada a seu dono: isso, aliado às características do trabalho que exerce, a faz percorrer, sem qualquer dificuldade, grandes distâncias com o proprietário, saindo-se muito bem em tal atividade”, completa.

Renato, Graziela e Pippa, em trilha para cachoeira no Jardim Botânico, na zona sul do Rio de Janeiro – Fotos: Arquivo de Renato Meves

Já é possível experimentar trajetos curtos com o Vizsla a partir dos 7 meses de vida, deixando-o comandar o ritmo do exercício e tomando o cuidado de o percurso não ser demasiado longo para não exauri-lo – 2 a 3 km em passo lento é uma boa margem de segurança nessa idade. “Não se deve forçar antes disso, pois seu corpo ainda não estará plenamente preparado, o que pode resultar em lesões prejudiciais na vida adulta”, diz Bruno. O esforço vai aumentando gradativamente para 5 a 6 km aos 18 meses, ainda em ritmo lento. “Quanto ao limite de idade para interromper a atividade, o dono deve ter bom senso para identificar o nível de esforço que seu companheiro aguenta”, diz Bruno.

O administrador de empresas Renato Meves, do Rio de Janeiro, faz trilhas com a sua fêmea de Vizsla, a Pippa, que nasceu há 6 anos no canil Vizsla Carioca. “Ela tem bastante vigor físico e, assim como a minha família, é muito ativa, adora a natureza e práticas esportivas”, conta Renato. A esposa dele, Graziela, e o filho, Rodrigo, também participam das trilhas, que costumam ocorrer em locais como Horto, Alto da Boa Vista, Jardim Botânico, região de Itaipava, Vale das Videiras e Serra da Bocaina, a favorita de Pippa. “É um lugar mágico, com cachoeiras, matas e nada mais do que a natureza em sua forma mais radical”, diz Renato.

Para estar sempre protegida nesses ambientes, Pippa usa coleira especial que repele mosquitos que transmitem doenças (como a leishmaniose e a dirofilariose canina), além de tomar comprimido mastigável contras ácaros, carrapatos e pulgas a cada 45 dias. “Nas trilhas, sempre levamos água, além de petiscos se o percurso for longo. Pippa tem um pique incansável e é capaz de percorrer distâncias bem maiores que as habituais, de 4 km, como, por exemplo, de 20 km”, conta Renato. “É importante manter o Vizsla hidratado, até pelo fato de que ele estará muito excitado e dificilmente vai solicitar água – depois da trilha, basta boa comida e o merecido descanso”, diz Bruno.

Whippet

O ótimo desempenho deste cão na prática de trilhas não surpreende. “O Whippet tem estrutura física adequada para esportes, além de ter instinto aventureiro nato e estar sempre disposto a participar de atividades com seu dono”, afirma Daniele Scandolara, do canil BSC, de Arealva, SP. Ela explica que a raça é extremamente versátil. “Seja nas atividades físicas ao ar livre, seja no sofá, o Whippet sempre demonstrou que sua maior alegria vem da companhia e convivência com seu amado dono”, conta Daniele.

Josi e Bethânia fazem trilhas em montanhas de Minas Gerais, como as da Serra do Curral e as da região da Moeda (na foto) – Foto: Josi Fiuza

O condicionamento físico de um Whippet que irá praticar trilhas deve ser iniciado em torno dos 6 meses de idade, de maneira gradual, por meio de corridas de curta distância, até que o exemplar atinja 10 meses, quando estará apto para desempenhos maiores. Antes da primeira trilha, o dono de um Whippet aventureiro precisa proporcionar exames de rotina no exemplar, que devem ser repetidos anualmente. Dentre eles, estão o hemograma e o eletrocardiograma. “Já a idade exata para que a prática de trilhas seja interrompida vai depender muito da saúde e disposição do cão e da alegria que mostra em realizar a atividade”, diz Daniele.

A empresária Josi Fiuza, de Belo Horizonte, é tutora de duas fêmeas Whippet de quase 1 ano de idade: Frida, a mais nova, e Bethânia, que nasceu no canil BSC. “Elas são as minhas melhores companhias para a atividade, e ver a felicidade delas durante o percurso é o ápice dos passeios – desde a primeira vez foi uma grande festa”, conta Josi. Ela explica que as duas demonstram bastante energia, correm muito e são apaixonadas pela natureza: amam terra, poças de água, cachoeira e mato. 

As trilhas de Josi e suas pets ocorrem nos finais de semana, em montanhas nas proximidades de Belo Horizonte. “Fazemos de 5 a 18 km e, durante as trilhas, elas, assim como eu, usam filtro solar e repelente”, conta Josi, que completa: “além disso, coloco coleira com identificação e também contra carrapatos e pulgas em Frida e Bethânia”. Como as trilhas são em locais com muitos animais silvestres e insetos, elas são imprescindíveis, assim como o uso preventivo de medicamentos para controle de endo e ectoparasitas. 

“Os cuidados pós-trilhas referem-se a banho e inspeção em todo o corpo delas para conferir se machucaram ou se há algum bicho aderido ao pelo, algo que, graças ao pelo curto, é muito fácil de ver e cuidar”, afirma Josi. “O banho, assim como o descanso após a atividade, também contribuirá para a sensação de bem-estar e relaxamento após a aventura”, diz Daniele.


 Por Fabio Bense

Agradecimentos:

BRUNO SOARES, canil Vizsla Carioca – (21) 99617-6651

www.vizslacarioca.com.br/contato

DANIELE SCANDOLARA, canil BSC – Instagram: @bscwhippets

JOSI FIUZA – Instagram: @bethania.Frida e @josifiuza

LUCAS DUARTE, canil Duarte DWK – Instagram: @kenneldwk

MARCELO RAVAGNANI, canil Ravagnani – (11) 94749-3249, Facebook: Canil Ravagnani, Instagram: @canilravagnani

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