Veja como trazer mais bem-estar para o pet nessa fase da vida

Foto: vauvau/iStockphoto
De um dia para o outro, seu cãozinho começa a esbarrar nos móveis da casa, se cansar mais facilmente, urinar com mais frequência ou mesmo evitar contato com outros animais e pessoas conhecidas. E, como passar do tempo, você percebe que aquele comportamento está se tornando constante… Seu melhor amigo está entrando na chamada terceira idade, e você pode ajudá-lo a ter muito mais qualidade de vidas e procurar atender as suas novas necessidades.
Mas, afinal, quando começa a terceira idade canina? “Com o aumento da expectativa de vida média dos cães, nós passamos a considerar os nossos animais idosos um pouco mais tarde. Hoje a expectativa média de vida de um cão pequeno é em torno de uns 15 ou 16 anos; a de um cão médio, próximo dos 13 ou 14 anos; e a de um cão grande, de 11 a 12 anos. Pensando nisso, nós temos uma expectativa de que um cão de pequeno porte se torne idoso próximo dos 10 anos; o de médio porte, em torno de 9 anos; e o de grande porte, aos 7 ou 8 anos”, explica o médico-veterinário Daniel Herreira Jarrouge, diretor da Anclivepa-SP. Já Thiago Teixeira, médico-veterinário e diretor geral do Nouvet, centro veterinário de nível hospitalar em São Paulo, considera que cães de porte pequeno – como Chihuahua, Poodle Toy, Spitz, entre outros – geralmente são considerados idosos por volta dos 12 anos de idade. “Já cães de grande porte, como Golden Retriever e Labrador, são considerados idosos em torno dos 8 anos”, destaca o profissional, que pondera: “No entanto, é importante ressaltar que essas são apenas estimativas gerais e que cada pet é único”.
ALIMENTAÇÃO
Na rotina alimentar do cão idoso, é necessário fazer alguns ajustes para atender as suas necessidades nutricionais específicas. De acordo com Thiago Teixeira, é preciso ter cuidado com a consistência dos alimentos, pois cães mais velhos podem apresentar problemas dentários, dificuldade de mastigar e/ou sensibilidade oral. Daniel Jarrouge chama a atenção para o fato de que atualmente existem no mercado inúmeras opções de ração para animais idosos. “Elas são necessárias porque a alimentação de um paciente jovem é muito diferente da de um idoso, e muitas vezes ainda precisamos suplementar esses cães com uma série de produtos, para que eles tenham um envelhecimento mais retardado e para que eles consigam ter uma sobrevida melhor”, indica o especialista.
AMBIENTE
“Criar um ambiente confortável em casa é essencial para o dia a dia de um cão idoso. Ter uma cama macia e acessível permite que ele descanse adequadamente, enquanto rampas ou degraus podem facilitar a subida em sofás ou camas altas, evitando esforços desnecessários e prevenindo lesões”, recomenda Ricardo Tamborini, adestrador e especialista em comportamento canino. “Se o seu cão tem um problema articular, você pode precisar de um piso que facilite a locomoção dele. Se você tem um cão que só faz xixi em um ambiente externo, talvez você precise adaptar a sua casa, se ele já não fizer mais caminhadas externas”, exemplifica Daniel.
EXERCÍCIOS
Para manter tanto a saúde física quanto a saúde mental dos cães, a prática de exercícios é fundamental em todas as fases de sua vida – mesmo que sejam apenas caminhadas curtas e brincadeiras mais suaves. É o que acredita Thiago Teixeira. Para ele, recomenda-se reduzir a duração e a intensidade da atividade física quando o cão se torna idoso devido ao risco aumentado de lesões e também por conta da recuperação, que, com o avanço da idade, torna-se mais lenta. Deve-se também evitar os excessos de estímulos, as atividades mais intensas ou de alto impacto, escadas e superfícies escorregadias.
“Mas é importante ressaltar que exercícios físicos leves e moderados ainda são importantes para cães idosos. Manter uma rotina regular de atividade física ajuda a promover a saúde cardiovascular, a mobilidade articular e a saúde mental do cão”, alerta o médico-veterinário. Ele acrescenta que as atividades físicas e mentais realizadas dentro de casa são uma excelente forma de manter os cães longevos mais estimulados. Entre as atividades que devem ser estimuladas, segundo ele, estão os passeios curtos e suaves, os treinamentos de obediência e os jogos de enriquecimento ambiental. “Nesse último aspecto, é importante mencionar que um médico-veterinário comportamentalista pode ser um ótimo aliado para auxiliar nessa fase de vida”, afirma Thiago, que conta ainda que as atividades aquáticas podem ser altamente benéficas para os cães idosos, pois oferecem um exercício de baixo impacto que ajuda a melhorar a mobilidade, a força muscular e a flexibilidade. “Recomendo especialmente a hidroesteira”, diz.
Daniel Jarrouge ressalta os benefícios dos exercícios realizados na água, uma vez que a sobrecarga articular é diminuída nesse meio, mas recomenda que eles sejam feitos sob a orientação de um médico-veterinário fisiatra.
CONSULTAS
As visitas regulares ao veterinário são essenciais para monitorar a saúde do cão longevo e detectar precocemente quaisquer problemas de saúde. Exames de sangue e check-ups físicos frequentes podem ajudar a identificar e tratar problemas de saúde antes que se tornem graves. Para Thiago Teixeira, a frequência das consultas de cães idosos pode variar dependendo do estado de saúde e das necessidades individuais do animal, “mas geralmente é recomendado que eles sejam examinados pelo menos a cada seis meses quando idosos”, afirma. Daniel Jarrouge concorda que o ideal é fazer consultas semestrais ou quando houver qualquer mudança. “Isso porque, quanto mais velho o animal, mais rapidamente evoluem as doenças metabólicas e clínicas como as cardíacas e as respiratórias”, exemplifica.
EXAMES
“Recomendo que sejam feitos no mínimo exames de sangue e exames bioquímicos, para que os médicos-veterinários possam acompanhar se existem alterações que mostrem falência de órgãos, além de exames de coração, raio-x de tórax e ultrassom do abdome. Também devem ser feitas uma avaliação oral e uma avaliação minuciosa do sistema reprodutivo e das alterações de pele”, informa Daniel. Thiago menciona ainda os exames oftalmológicos. “É importante consultar o veterinário para determinar quais exames são mais adequados para o seu pet e com que frequência eles devem ser realizados”, finaliza.
Agradecemos:
Daniel Herreira Jarrouged, Diretor da Anclivepa-SP, formado em Medicina Veterinária pela Universidade Estadual do Norte do Paraná, Lato Sensu-Especialização em Cirurgia de Tecidos Moles de Pequenos Animais pela Universidade Cruzeiro do Sul, Especialista em Cirurgia pelo CBCV e Presidente do CBCV (2023-2025).
Ricardo Tamborini, Adestrador e especialista em comportamento canino desde 1996. Conceituado no Brasil como um dos grandes nomes na área de Comportamento Canino.. Ministra palestras, cursos, seminários e realiza consultorias em todo o Brasil e no exterior. www.ricardotamborini.com.br, Instagram: @ricardotamborini
Thiago Teixeira, Diretor Geral do Centro Veterinário Nouvet; médico-veterinário graduado pela UEL; residência em cirurgia de pequenos animais pela Universidade de Franca (Unifran); Mestre em clínica veterinária com ênfase em ortopedia de pequenos animais pela UEL; sócio-proprietário da Hospipet Hospital Veterinário (Londrina, PR).
Por Lila de Oliveira
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