Bullmastiff: gigante protetor da família

Esse guardião é conhecido por avaliar situações antes de agirem vez de ser imediatamente reativo

Foto: Johnny/Cão: Dothraki da Casa Silva/Propr.: Cristiane e Elyesley Silva (canil Casa Silva Bullmastiff
Pelo padrão CBKC, os machos da raça têm de 50 a 59 kg e, as fêmeas, de 41 a 50 kg

Desenvolvido durante a metade do século XIX e resultado da cruza do Mastiff Inglês com o antigo Bulldog Inglês, ele reúne características compensadoras de ambas as raças. “A ideia era criar um cão grande, ágil e corajoso o suficiente para perseguir e capturar um invasor. O Mastiff tinha tal porte, mas não a velocidade e agressividade suficientes, enquanto o Bulldog daquela época, ainda que não possuísse o tamanho necessário para derrubar e segurar um invasor, era rápido e agressivo”, explica Elyesley Silva, do canil Casa Silva Bullmastiff, de Brasília. “Tal mistura consistiu em 60% Mastiff e 40% Bulldog, ou seja, um cachorro de estrutura poderosa e, ao mesmo tempo, ativo e capaz de cobrir distâncias curtas rapidamente, derrubando um caçador ilegal e segurando o intruso no chão”, detalha Renata Mendonça, do canil Boca do Mato, de Teresópolis, RJ.
A seguir, conheça mais sobre o convívio com a raça.

1. SER UM GUARDIÃO EQUILIBRADO
A explicação para tal comportamento está na origem da raça: “Ele remonta à necessidade de um cão capaz de rastrear e deter caçadores furtivos rondando o terreno na calada da noite, mas sem matá-los, apenas os contendo para que fossem entregues às autoridades policiais, usando a mordida apenas enquanto encontra resistência”, comenta Elyesley. Assim, tal atividade relacionada à proteção das propriedades moldou o Bullmastifff como um guardião com agressividade controlada. “A atuação da raça em situações de defesa ocorre da seguinte maneira – ela avisa por meio do latido e só depois imobiliza o invasor”, conta Nateusca Nora Fernandes, do Eashik Kennel, de Xangrila, RS. “Mesmo depois que o capturado se rende, o cão continua vigiando atentamente, encurralando e mantendo a pessoa no lugar até o dono chegar para ver o que está acontecendo e tomar as providências. Há relatos de exemplares da raça que passaram horas assim”, explica Elyelsey. “Certa vez minha casa estava em reformas e um pedreiro saiu, mas, como deixou um chinelo, voltou, pulou o muro, pegou-o, mas não conseguiu sair. Ele ainda estava sentado esperando quando eu retornei no outro dia”, conta Nateusca.
Esse traço muito peculiar na raça é capaz de evitar acidentes trágicos envolvendo invasores inocentes, como amigos, familiares e prestadores de serviço que inadvertidamente adentram à residência sem terem sido apresentados ao cão pelos donos. “Normalmente é mais susto o que esse tipo de situação proporciona”, diz Nateusca. “Houve uma ocasião em que eu estava recebendo um instalador de cortinas. Coloquei um dos meus cães em uma área lateral da casa, mas, por descuido, não percebi que outra porta que dá acesso direto à sala ficou aberta. Quando o sujeito entrou em tal cômodo com uma escada na mão, ele ficou imóvel e pálido, pois se deparou de cara com o Bullmastiff, que rapidamente deu um latido forte de alerta, uma espécie de aviso. Sorte que eu e minha esposa estávamos logo atrás e conseguimos correr até a porta para evitar o pior e que não era um exemplar de outra raça, caso contrário poderia ter sido um episódio bem desagradável envolvendo uma pessoa inocente vítima de um vacilo nosso”, relata Elyesley.
Tal característica não diminui a eficiência desse cão como guardião: “Uma vez um amigo tropeçou na minha direção. Ele nem chegou a encostar em mim, mas o movimento chamou atenção de uma fêmea de Bullmastiff que estava solta. No mesmo instante ela se posicionou ao meu lado e deu um único latido, que, na raça, é muito típico, e assustador”, relata Nateusca. “O responsável por um dos nossos cães em Brasília um dia estava passeando com o cachorro na rua às 5 horas da manhã quando, de repente, um sujeito desatento vinha andando em direção a eles com a cabeça baixa mexendo no celular. Foi então que o Bullmastiff percebeu a aproximação e deu esse único latido forte. O cara levou o maior susto e foi para o outro lado da rua”, conta Elyesley.
Nateusca finaliza: “Por outro lado, estranhos recebidos pelos donos são aceitos muito facilmente, como ocorre com os meus exemplares que fazem a guarda na fazenda. Isso faz do Bullmastiff um guardião ideal para quem gosta de receber amigos e visitas”.

Foto (esq.): Johnny/Cão: American Idol da Boca do Mato (Marley)/Criadora: Renata Mendonça – Criadora Renata Mendonça com um de seus exemplares da raça
Foto (dir.): Edmilson Reis/Cão fêmea: Bella Brasoli/Propr.: Nateusca Nora Fernandes (Eashik Kennel) – Fêmea da raça da cor vermelha: o padrão CBKC/FCI permite ainda as cores tigrado ou fulvo, todas em qualquer tonalidade

2. SER MUITO POUCO BARULHENTO
O Bullmastiff é extremamente silencioso – se latir, é porque algo anormal está ocorrendo e o dono deve conferir, afirma Elyesley.“Mesmo se pessoas passam pelo portão, isso não significa necessariamente que esse cão irá latir. Primeiro ele observa se o indivíduo demonstra algum comportamento estranho. Se sim, o exemplar latirá uma ou duas vezes para repelir a invasão – caso não funcione, ele vai para cima com tudo”, reforça o criador. Nateusca confirma que esses cães dificilmente latem e, quando isso ocorre, normalmente logo param. “Se entrou alguém indevido, eles vão latir avisando. Mas, tirando esse tipo de situação, se trata de uma raça super silenciosa – eu já tive um exemplar, seguro de si e tranquilo, que nunca ouvi ladrar”. Renata ratifica: “O Bullmastiff não costuma latir continuamente, sua atuação na guarda é muito pouco barulhenta, avisando apenas quando necessário, como se alguém bate no portão”.

Foto (esq.): Johnny/Cão: Nico Rosberg da Boca do Mato (Thor)/Criadora: Renata Mendonça – O Bullmastiff zela pela segurança de seu território: se ameaçado, ele se mostra destemido
Foto (dir.): Arquivo da criadora (Nateusca Nora Fernandes, Eashik Kennel)/Cães: Eashik Jack (Bullmastiff) e Eashik Ulmero (Cão de Crista Chinês), ambos com cerca de 6 meses na foto – De temperamento tranquilo, o Bullmastiff geralmente se relaciona de maneira harmoniosa com outros cães

3. TER GRANDE APTIDÃO PARA ATUAR COMO PET
Hoje em dia o Bullmastiff é considerado não só um guardião, mas também um companheiro de fácil convivência, devotado e amoroso com os membros do lar. Nateusca afirma: “Eles são extremamente afetuosos com os donos, amam carinho e, se o proprietário deixar, até sobem no sofá para ficarem em seu colo, acham que são cachorrinhos”. Elyesley explica que eles apreciam a companhia da família e são muito apegados a todos os que frequentam o seu lar: “Precisam de acolhimento e afeto dos seus responsáveis, gostam de estar próximos a eles, jamais trancafiados em canis. Ou seja, não basta dar só comida e água. Eles demandam amor e presença física”. Renata corrobora: “Não se trata de uma raça para viver fora de casa, ela é dedicada à família e, geralmente, até com outros cães se dá bem”.

4. IDEAL PARA CASA COM CRIANÇAS
Dentre as raças de guarda o Bullmastiff é a mais adequada no convívio com a garotada, garante Elyesley. “Na lida com elas esses cães são poucos afoitos e excitados e, assim, a chance de as machucarem é menor. Além disso, às vezes a criança, sem que um adulto esteja ali supervisionando, pode brincar de uma maneira mais pesada e acabar por lesionar o cachorro, mas o Bullmastiff termina relevando sem resmungar por possuir resistência muito grande”, explica o criador. Renata corrobora: “Ele tanto brinca como cuida das crianças, se dá muito bem com elas, que fazem do exemplar da raça o que querem e, mesmo assim, o Bullmastiff costuma ter bastante paciência”. Nateusca comenta: “Trata-se de um protetor dócil das crianças, que tanto aceita as brincadeiras por vezes estabanadas da garotada como dosa bastante a própria força ao brincar”. Elyesley relata: “Um macho da raça de minha criação mora em apartamento com um casal e a filha autista de 9 anos e, para protegê-la, ele dorme na soleira da porta do quarto dela”.

Foto (esq.): Arquivo do criador (Cristiane e Elyesley Silva)/Cães: geração J do canil Casa Silva Bullmastiff – Os filhotes de Bullmastiff crescem rapidamente
Foto (dir.): Foto: Arquivo do criador (Cristiane e Elyesley Silva)/Cães: geração K do canil Casa Silva Bullmastiff – O Bullmastiff se dá muito bem com crianças e não resmunga com as brincadeiras pesadas que a garotada costuma fazer

5. SER RESISTENTE À DOR
Elyesley explica que tal característica é herança do antigo Bulldog Inglês, que era muito diferente do contemporâneo e, lamentavelmente, muitas vezes selecionado para rinha, especificamente em um esporte sangrento conhecido como bull-baiting (luta contra touros) na Inglaterra. “Por essa razão acabavam sendo reproduzidos os mais resistentes à dor no momento do combate, de maneira que o Bullmastiff, mesmo doente, raramente fica prostrado”, relata Elyesley.

Foto: Márcia Mosmann/Cão: Eashik Keeper of the Seven Keys/Propr.: Cristiane e Elyesley Silva (canil Casa Silva Bullmastiff)
O crânio do Bullmastiff é largo e quadrado e se pode ver algumas rugas quando o cão está em atenção, mas não se está em repouso
Foto: Stephanie de Paula/Cão: Chico, mascote do canil Casa Silva Bullmastiff
Bullmastiff : robusto, forte e excelente guardião

6. NÃO BABAR O TEMPO TODO
Geralmente, esses cães babam após os passeios e nos momentos mais quentes do dia, relata Elyesley. “De fato, ele baba em dias calorentos, mas pouco em comparação a outras raças mais pesadas”, afirma Renata. Elyesley afirma: “Quanto menos pele solta (barbela) na cabeça, menos acúmulo de saliva. Por isso busco selecionar exemplares mais enxutos, com menos rugas”. Nateusca reforça: “Raramente tive cães Bullmastiff que babassem, isso só ocorre quando há excesso de barbela”.
Renata detalha: “O padrão racial pede apenas algumas rugas na cabeça e somente quando ele está em alerta, prestando atenção em algo. Ou seja, o Bullmastiff tem que ser um cão seco, não pode exibir muita barbela nem ruga e é por isso que ele, consequentemente, baba menos”.

7. NÃO PRECISAR DE MUITO EXERCÍCIO
Elyesley explica que um Bullmastiff adulto tende a ficar mais na soleira da porta ou deitado no sofá vendo TV com o responsável ou dormindo. “É muito parado e quieto durante o dia, com maior atividade à noite”, relata o criador. Renata confirma: “Suas necessidades de exercícios são apenas moderadas – tranquilo, ele fica feliz com dois ou três passeios na guia por dia, sem correr e, de preferência, no início da manhã ou a tardinha”. Elyesley detalha: “Esses horários são menos quentes e vão até 10h e depois das 16h. A raça tem focinho curto e, assim, a recomendação é evitar fazer exercícios físicos com ela quando faz muito calor, para não interferir em sua boa capacidade respiratória”. Nateusca conclui: “Mas o Bullmastiff é bem calmo e se tiver espaço razoável na propriedade de casa nem precisará de passeio algum. Na raça, o desenvolvimento da musculatura é natural, sem necessidade de exercício”.

Foto (esq.): Johnny/Cão: Dothraki da Casa Silva/Propr.: Cristiane e Elyesley Silva (canil Casa Silva Bullmastiff) – Pelo padrão CBKC, os machos da raça têm de 64 a 69 cm e, as fêmeas, de 61 a 66 cm
Foto (dir.): Edmilson Reis/Cão: BRO Dang Yankee Jr./Propr.: Nateusca Nora Fernandes (Eashik Kennel) – Bullmastiff macho da cor fulvo escuro

8. NÃO SER DIFÍCIL DE TREINAR
Elyesley admite que, embora seja recomendado, infelizmente a maioria das pessoas que adquire cães Bullmastiff de seu canil não costuma adestrá-los. “Mas os que investiram em adestramento tiveram resposta muito boa com dois treinos por semana de obediência básica com relação a: fazer as necessidades em determinado local; não sair pelo portão da garagem; ir para o canil sob comando, entre outros. Não é um cão difícil de adestrar”. Renata afirma: “Ele é inteligente e até obedece aos principais comandos, mas só quando entende ser necessário ou vantajoso”.

Foto: Arquivo de Tracy Jones (canil Firstwatch)/Cão: Rufus – Além de trabalhar como cão terapeuta, Rufus é campeão em exposições

9. TRABALHAR COMO CÃO TERAPEUTA
“O Bullmastiff pode atuar de maneira eficaz em ambientes terapêuticos, devido ao seu temperamento calmo e equilibrado”, comenta Renata.
No exterior há exemplares da raça que trabalham como terapeutas, visitando hospitais, por exemplo. “Um dos meus cães, o Nitro, de 18 meses, acabou de ser certificado e irá atuar em um, o Ascension Saint Thomas Highlands”, relata Tracy Jones, do canil Firstwatch, dos Estados Unidos. “Além dele, outros exemplares da raça de minha criação foram empregados nesse tipo de ocupação por vários anos, como a fêmea Kimber. Aliás, um dos filhos dela, Rufus, é também um cão terapeuta e faz esse tipo de visita todos os meses”, completa ela.

10. TER MANUTENÇÃO BASTANTE SIMPLES
“Precisa de banho mensal e escovação semanal”, garante Renata. “Se a escovação não for feita, o pelo vai cair pelo ambiente. Banhos no máximo uma vez por mês – se em frequência superior acaba removendo óleos e gorduras que ficam depositadas na pele do cão, o que acaba facilitando a entrada de organismos nocivos, como fungos e bactérias”, conclui Elyesley.

Agradecimentos:
Elyesley Silva, canil Casa Silva Bullmastiff – (61) 99591-0779, Instagram: @bullmastiff_brasil, YouTube: Bullmastiff Brasil
Nateusca Nora Fernandes, Eashik Kennel – (13) 99666-3003, Instagram: @eashikkennel e @nateusca, Facebook: eashikkennel
Renata Mendonça, canil Boca do Mato Bullmastiffs – (21)96736-5254, Instagram: @boca_do_mato_bullmastiff

Por Fabio Bense

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