Muito popular no País, esse cão, também chamado de Lulu da Pomerânia, é o mais registrado pela Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC)

Cão: Yang (Sunryze Poms Bringer of Light) Melhor Pomerânia pelo ranking CBKC 2024
Desde 2018 o Pomerânia é a raça canina com mais pedigrees emitidos pela CBKC anualmente. “Tal sucesso no Brasil se deve à combinação perfeita entre personalidade, beleza e adaptação ao estilo de vida urbano, além do forte apelo nas redes sociais. Seu charme e comportamento divertido vêm conquistando famílias e solteiros que buscam um pet cheio de energia e amor para dar”, comenta Fernando Almeida, proprietário junto de Sidney Freitas do canil Sunryze Poms, de Mairinque, SP. “O Pomerânia tem tamanho pequeno, pelagem exuberante e muitas qualidades comportamentais, como o fato de ser inteligente e bastante companheiro”, diz Flavio Brito, do canil Snow Touch, de São Paulo.
De acordo com a Federação Cinológica Internacional (FCI), há cinco variedades da raça Spitz Alemão e a Anão (também chamado de Lulu da Pomerânia) é a menor entre elas: vai de 18 a 24 cm. “Isso o torna mais fácil de carregar, algo especialmente importante no caso de donos idosos. Mas o principal fator para ele estar na moda em nosso país está relacionado a ser um grande companheiro”, afirma Arthur Oliveira, do canil DM Tabebuia, de Anchieta, ES.
“A popularidade do Lulu da Pomerânia se estende pelo planeta: todo mundo sonha em ter esse cão cheio de pelos e de alegria contagiante”, comenta o criador Junior Ferreira, do canil Legendários, de Itupeva, SP.
EXTERIOR
Flavio relata que o Pomerânia é muito popular nos Estados Unidos. “E também em vários países da Europa e no continente asiático, onde é bastante conhecido e há centenas desses cães”, acrescenta Arthur. “Na Ásia, o Spitz Alemão Anão se destaca em popularidade em países como Coreia do Sul, China e Tailândia, mas a nação com maior número de canis por lá é o Japão”, completa Fernando. De fato, o Japan Kennel Club (JKC) concedeu 21.783 pedigrees para esses cães em 2024. “As razões para a grande quantidade de registros deles por aqui tem a ver principalmente com o tamanho, tanto que outras raças populares no Japão também possuem porte pequeno. Boa parte das pessoas em meu país vive em apartamentos, não sendo possível ter cães grandes”, diz Sei-ichiro Ishimaru, juiz de todas as raças pelo JKC.
Nos Estados Unidos, 5.583 Pomerânias foram registrados em 2024 pela principal entidade cinófila de lá, o American Kennel Club (AKC). “Há muitos anos ele se mantém de maneira consistente entre os 25 cães mais registrados pelo AKC e tal popularidade decorre do fato de ele ser lindo, com uma personalidade incrível, que a maioria das pessoas não consegue resistir, e de porte pequeno, conveniente para viagens e pouco exigente em relação ao espaço que necessita”, opina Cathy Driggers, presidente do American Pomeranian Club (APC).
Na Europa, o país que registrou em 2024 a maior quantidade de Pomerânias foi a Itália. Lá o Ente Nazionale della Cinofilia Italiana concedeu 3.550 registros para esses cães no ano passado. “Nos últimos anos surgiram diversos canis de Spitz Alemão Anão por aqui, a fim de atender a demanda do público italiano que o acha particularmente cativante pelo corpo bonito, elegante e pequeno – habituado a viver em qualquer ambiente e que não precisa de espaço particular – e pelo comportamento bem extrovertido, vivaz, animado e altamente inteligente”, afirma Paola Montis, secretária do Club Italiano Spitz.
Quanto à América hispânica, Junior relata: “A criação de Pomerânia no México vem crescendo bastante. Eu, por exemplo, só no ano passado vendi 29 cães para aquele país”.

O Spitz Alemão Anão faz sucesso nas pistas brasileiras: de 2022 até a data deste artigo, 51 títulos de Best in Shows adultos foram dados a Pomerânias

Dos 51 Best in Shows obtidos por Pomerânias no Brasil de 2022 até a data desta reportagem, 32 foram obtidos por Thunder
DIVERSAS UTILIZAÇÕES
Flavio observa muitos Pomerânias nas exposições dos Estados Unidos. “É a principal atividade competitiva praticada por esses cães em meu país”, corrobora Geno Sisneros, membro da diretoria do APC. E, na Itália, Paola relata: “O número dos exemplares nesses eventos de estrutura vem aumentando notavelmente por aqui”. Arthur afirma: “Em pistas de países asiáticos há um número grande de Pomerânias competindo e eles geralmente vão para as finais”. Sei-ichiro pondera: “No Japão, hoje, não possuímos muitos desses cães em exposições, diferentemente do que ocorria no passado. Aqui existem muitos criadores voltados a gerar cães pets. Comparando com outras nações asiáticas, há mais canis da raça voltados à exposição na Coreia do Sul, Tailândia, China e Indonésia”. Flavio comenta: “No Brasil, o Lulu é sempre visto em exposições de norte ao sul e as pistas são sempre bem competitivas”. Em 2024, cerca de 80 desses cães, já adultos, competiram em eventos desse tipo promovidos pelos clubes afiliados à CBKC.
O fato de o Lulu da Pomerânia possuir o olfato especialmente desenvolvido, curiosidade aguda, inteligência vivaz e destemor, o torna capaz de desempenhar funções mais diferenciadas. É o caso tanto de atividades que simulam caça como também trabalhos que envolvem, por exemplo, detecção de crise glicêmica. Dois Pomerânias de criação de Paola, Joy e Kory, são utilizados em tais empregos na Itália. “O primeiro é especializado em identificar e procurar pelo odor vários objetos escondidos. Não à toa venceu uma competição de faro derrotando Pastores Alemães e raças de caça. Tal disputa, julgada por um árbitro, consiste em fazer o cão farejar uma substância no início. Aí, posteriormente, ele deve procurar, em cerca de 20 caixas fechadas e dispostas em um campo, aquela com a substância presente em seu interior, parando sentado frente ao receptáculo. Joy foi um dos poucos a ter feito o percurso sem cometer faltas e o mais rápido em detectar a substância”, relata Paola. “Já Kory detecta crises iminentes de hipoglicemia e hiperglicemia de sua dona, que tem diabete grave, fazendo sinal para que ela verifique o nível de açúcar no sangue a fim de administrar o uso de insulina. Os proprietários de Kory procuravam um cão de tamanho pequeno, adaptado a viver em apartamento e a ficar 24 horas com a filha deles. Este lado prático e mais manejável do Pomerânia fez com que ele fosse o primeiro a ser levado em consideração”, conta a italiana.
Já nos Estados Unidos, alguns Pomerânias participam de eventos de performance, como provas de obediência, agility, scent work – no qual o Spitz Alemão Anão precisa identificar e localizar pelo faro vários tipos de odores específicos em ambientes internos, externos, recipientes ou enterrados –, coursinge FastCat (em ambas, o cão persegue um pedaço de plástico, que representa um coelho e é preso a um barbante puxado por um sistema operado por uma bateria, em, respectivamente, terrenos variados ou apenas em linha reta). “Ele se destaca nessas atividades por ser bastante esperto e muito rápido”, compartilha Cathy.
“Eu pratico FastCat com a minha Lulu da Pomerânia Chrissie. O terreno possui 90 metros e o tempo é cronometrado, de maneira que a velocidade em milhas por hora é convertida em pontos”, completa Geno. Nos Estados Unidos existem ainda Pomerânias usados para alertar convulsões iminentes e em terapia canina. “Esses últimos são encontrados em projetos de visitas a asilos e a adultos em hospitais. Trabalham também crianças com dislexia: elas têm mostrado maior sucesso ao lerem para cães, pois se livram da pressão de estarem lendo para adultos”, relata Cathy.

Joy participa de atividades lúdicas de faro: detecta odores no campo

Pomerânia praticando scent work

Chrissie competindo no FastCat: “Esse esporte possui níveis específicos diferenciados e, em cada um deles, os competidores recebem títulos”, diz Geno

Não só nos Estados Unidos o Spitz Alemão Anão compete no agility: na Itália, ainda que raros, há Pomerânias que também praticam a atividade
AMIGO DA FAMÍLIA
No Brasil, o Pomerânia é basicamente utilizado como cão de companhia. Fernando enumera: “Ele é afetuoso e dedicado ao seu dono e demais pessoas do lar. Brincalhão, gosta de se divertir com seus proprietários. É inteligente e curioso – está sempre explorando seu ambiente – e é fácil de treinar, desde que isso seja feito de maneira consistente e com recompensas. Tolerante, pode se adaptar a diferentes ambientes e situações”. Paola reforça: “O Pomerânia se adequa rapidamente às exigências e hábitos de seus donos, precisa apenas da presença deles, aos quais cria fortes laços afetivos”. Fernando destaca: “Muito amigável e sociável, esse cão se dá bem com pessoas e outros cachorros e animais”. Arthur reforça: “A adaptação à vida com outros bichos é tranquila, logo faz amizade com eles, se mostrando bastante dócil”. Fernando acrescenta: “Apesar de pequeno, o Pomerânia pode ser protetor de sua família e território”. Cathy corrobora: “É um excelente cão de alarme para aqueles que vivem sozinhos e querem um cão menor que avisará se alguém estiver se aproximando de suas casas”. Junior pondera: “Mas nunca é agressivo: ele vai com todo mundo – mesmo com estranhos sua desconfiança passa rápido, dura apenas os primeiros dez minutos e depois disso já se solta”.
No agility, o Spitz Pequeno e o Médio possuem um melhor desempenho e, não à toa, Arthur afirma que o Pomerânia é pouco visto nesse esporte no Brasil. Junior concorda: “É bem difícil vê-lo sendo usado noagilitypor aqui, sendo mais utilizado para terapia.Grande parte de meu público procura esses cães parafazer companhia a idosos e pessoas com Síndromede Down”. Flavio corrobora: “O Pomerânia é muitoutilizado para suporte emocional em nosso País”.

“Eu me dedico exclusivamente à seleção das cores laranja, incluindo a versão sable (na foto), e creme”, afirma Paola Montis

Criador Junior Ferreira com filhotes brancos: a cor é uma das mais comuns nos Pomerânias da Itália

No Brasil se vê poucos Pomerânias pretos

Pomerânia black and tan: na Itália há diversos cães dessa coloração, a favorita de alguns criadores brasileiros, que a consideram a mais bonita
COLORAÇÕES
O padrão FCI para o Spitz Alemão Anão permite as cores: branco; preto; marrom; laranja; cinza sombreado; outras cores, que se aplicam ao laranja sable – esse último termo, também chamado zibelino, se refere ao fato das pontas dos pelos serem pretas; creme – com ou sem sable– ; preto e castanho; preto e prata; marrom e castanho; malhado – designado muitas vezes de particoloridos, tais cães devem ter o branco como cor base e manchas de uma entre as colorações mencionadas acima, preferencialmente distribuídas por todo o corpo.
Mundialmente a cor mais popular e que conta com maior procura é a laranja, incluindo a versão sable. “Essa última é, no Brasil, mais comum até que a laranja pura”, diz Arthur. “Nas exposições brasileiras, nota-se um número maior de exemplares da cor laranja”, diz Fernando. “Eles também são predominantes nas ruas. Nos últimos dois anos, no entanto, eu tive muita procura pelos brancos”, comenta Junior. “Os brancos estão mais populares, assim como os particoloridos, que antigamente eram raros e difíceis de ver, mas que têm sido agora muito mais comuns do que os marrons, cinzas sombreados e pretos”, reforça Arthur. “A preta é a cor menos procurada para comércio, mas a menos frequente no Brasil é a black and tan”, diz Flavio.
“Na Itália a coloração mais rara é a marrom”, relata Paola. “Nos Estados Unidos exemplares da cor merle são aceitos e, provavelmente, os menos vistos”, informa Cathy. Nos países afiliados à FCI, caso do Brasil e da Itália, o merle não é admitido. “Alguns criadores nacionais sem responsabilidade estão mais preocupados em desenvolver cores exóticas em vez de considerar a saúde dos exemplares. Tenho visto muitos cães dessas colorações com cardiopatias e problemas genéticos e articulares. Os cruzamentos devem ser estudados antes”, alerta Flavio. “Um Pomerânia de boa procedência é bem resistente e tem boa saúde”, diz Junior. “Estudos genéticos, bom senso e bom planejamento dos acasalamentos pelo criador resultam em ótimos exemplares”, conta Fernando.
Agradecemos as participações;
–Associação: American Pomeranian Club – www.ampomclub.org
-Club Italiano Spitz – www.clubitalianospitz.com
Criadores brasileiros entrevistados:
– Arthur Oliveira, canil DM Tabebuia – (27) 99723-7004, (33) 99981-3643, [email protected], Instagram: @canildmtabebuiaoficial, www.facebook.com/dmtabebuiapoms
– Fernando Almeida e Sidney Freitas, canil Sunryze Poms – (11) 98838-0291, www.sunryzepoms.com, Instagram: @sunryzepoms_br, [email protected]
– Flavio Brito, canil Snow Touch – (11) 96065-0091, www.snowtouch.com.br, Instagram: @snow.touch.kennel, Facebook: @snowtouchkennel
– Junior Ferreira, canil Legendários – (11) 98298-5338, www.canillegendarios.com, Instagram: @junior_legendarios, Facebook: @canillegendários
Por Fábio Bense



